Em 10 anos, condição social melhora nas 56 cidades do Oeste Paulista
Nossa Lucélia - 02.09.2015
Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) foi medido pelo Ipea. Dracena apresenta a melhor situação na região, segundo o estudo
REGIÃO - Em dez anos, o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), no Oeste Paulista, teve uma melhora significativa. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nesta terça-feira (1º), em 2000, das 56 cidades da região, 23 eram consideradas de alta vulnerabilidade social e duas como muito alta vulnerabilidade social. Em 2010, neste último índice – o pior – não há cidade, com a maioria considerada como de baixa vulnerabilidade social.
Conforme o Ipea, o IVS é um índice que varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo a 1, maior é a vulnerabilidade social de um município.
Para os municípios que apresentam IVS entre 0 e 0,200, considera-se que possuem muito baixa vulnerabilidade social. Valores entre 0,201 e 0,300 indicam baixa vulnerabilidade social. Aqueles que apresentam IVS entre 0,301 e 0,400 são de média vulnerabilidade social, ao passo em que aqueles entre 0,401 e 0,500 são considerados de alta vulnerabilidade social. Qualquer valor entre 0,501 e 1 indica que o município possui muito alta vulnerabilidade social.
O instituto explica que o IVS reúne 16 parâmetros, compostos por infraestrutura urbana, saúde, educação, renda e trabalho. Assim, quanto maior o índice, piores são as condições de vida da população. O estudo trabalha com o resultado dos 5.565 municípios brasileiros, de acordo com a medição realizada em 2010.
O OESTE PAULISTA - Em 2010, o IVS na região só não teve cidades classificadas como de muito baixa vulnerabilidade social – considerada a melhor classificação. Pela ordem, foram sete listadas como de baixa vulnerabilidade, 24 como de média, 23 como de baixa e duas como de muito alta vulnerabilidade.
Após dez anos, o Oeste Paulista deixou de ter presença no pior índice e ainda teve 11 municípios considerados com muito baixa vulnerabilidade. Na sequência, há 23 com baixa vulnerabilidade e 22 com média.
VARIAÇÕES DE IVS - Assim como em 2000, Dracena apresenta o melhor IVS do Oeste Paulista. O índice caiu de 0,244 (baixa) para 0,145 (muito baixa). Em contrapartida, o pior IVS da região é o da cidade de Euclides da Cunha Paulista, que foi a penúltima com o pior índice há dez anos, com 0,518 (muito alta). Na ocasião, Mirante do Paranapanema era a última, com 0,532.
No grupo das cidades com muito baixa vulnerabilidade, ainda aparecem Regente Feijó e Tupi Paulista, ambas com 0,161; Adamantina e Sagres (0,174); Presidente Prudente (0,179); Junqueirópolis (0,190); Rancharia (0,191); Lucélia (0,197); Osvaldo Cruz (0,199); e Inúbia Paulista (0,200).
MUDANÇAS - Os municípios que mais conseguiram diminuir seus índices foram São João do Pau D'Alho, que saiu de muito alta (0,430) para baixa vulnerabilidade (0,211), uma queda de 50,93%, e Sagres, que deixou o grupo da média vulnerabilidade (0,353) para ir para o de muito baixa (0,174), ou seja, uma diminuição de 50,71%.
Já a menor porcentagem de queda foi de 16,31%, da cidade de Indiana, que era de média vulnerabilidade (0,325) e agora está como baixa vulnerabilidade (0,272).
ATLAS DA VULNERABILIDADE SOCIAL - O IVS apresentado pelo Ipea tem a pretensão de sinalizar o acesso, a ausência ou a insuficiência de alguns “ativos” em áreas do território brasileiro, os quais deveriam, em princípio, estar à disposição de todo cidadão, por força da ação do Estado.
Os três subíndices que o compõem são: infraestrutura urbana; capital humano; e renda e trabalho. Eles representam os três grandes conjuntos de ativos, cuja “posse ou privação determina as condições de bem-estar das populações nas sociedades contemporâneas”.
Ainda de acordo com o Ipea, a definição de vulnerabilidade social em que o IVS se ancora diz respeito, precisamente, ao acesso, à ausência ou à insuficiência de tais ativos, constituindo-se, assim, num instrumento de identificação das falhas de oferta de bens e serviços públicos no território nacional.
“Nesta medida, este índice foi pensado para dialogar com o desenho da política social brasileira, uma vez que atesta a ausência ou insuficiência de 'ativos' que, pela própria Constituição Federal de 1988, deveriam ser providos aos cidadãos pelo Estado, nas suas diversas instâncias administrativas”, explica o instituto.
Em todo o país, o indicador mediu que a exclusão social passou de 0,446 para 0,326 nesses dez anos. Dessa forma, o país saiu da alta vulnerabilidade para a média. Neste parâmetro médio de 0,326, no Oeste Paulista, são 12 cidades com índice acima deste número, ou seja, a maioria está em situação melhor do que a apurada para o próprio Brasil.