Vídeo sobre abate de galos em Tupã repercute nas redes sociais
Nossa Lucélia - 24.08.2015


Secretaria de Saúde e até o Ministério Público podem investigar o sacrifício dos galos índios

TUPÃ - Um vídeo postado nas redes sociais sobre abate de galos mutilados e usados para a prática de rinha (briga) apreendidos numa propriedade rural, localizada na vicinal que liga Tupã ao município de Queiroz causou consternação. Protetores dos animais repudiaram a ação e para eles, a forma como os galos foram abatidos foi tão cruel quanto a rinha praticada pelo infrator. Até a manhã de ontem a postagem havia atingindo mais de 210 mil visualizações.

As imagens teriam sido feitas por um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente. A secretária de Saúde, Rosangela Urel Gaspar pode instaurar sindicância para apurar responsabilidades. Até o Ministério Público pode ser acionado para investigar as circunstâncias do abate.

O médico veterinário Paulo Henrique Pavão, convocado para ir ao local da apreensão no último dia 10, responsável pela avaliação sobre a necessidade de sacrificar os animais e flagrado no vídeo, sustentou que o abate aconteceu nas dependências da Associação de Amigos e Pacientes Egressos de Hospitais Psiquiátricos (Aapehosp), entidade ligada à instituição Joana D'Arc, que recebeu a doação. “O pessoal da entidade ia abater os galos e pediu nossa ajuda”, garantiu.

Paulo Henrique Pavão informou ainda que havia passado por dos hospitais da cidade, pois passou mal, devido a repercussão do fato. Segundo o profissional, o sacrifício é a metodologia utilizada para cessar o sofrimento de um animal encontrado naquela situação de cárcere, maus tratos e apresentando mutilações. “O que não é natural é gravar em vídeo e apresentar em público”, desabafou.

ENTENDA O CASO - A Polícia Ambiental apreendeu os 77 galos índios e multou o infrator em R$ 231 mil, R$ 3 mil de multa por cada animal encontrado em situação irregular. De acordo com o 2º Batalhão de Polícia Militar Ambiental com sede em Marília, uma equipe local realizava patrulhamento pelo município quando tomou conhecimento através do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM), de que ocorria rinha de galos em uma propriedade rural.

Os policiais foram para o local e constataram a existência de 77 galos índios confinados em gaiolas individuais, sem água e alimentação disponíveis. Todos apresentavam mutilações, tais como: cristas e barbelas cortadas, esporas serradas, além de várias lesões e cicatrizes, caracterizando a situação de maus tratos. Um veterinário foi convocado no local e atestou a situação de maus tratos, opinando pelo abate dos galos. Os animais foram abatidos e doados a entidade assistencial Joana D'Arc.

Depois de autuado por praticar atos de maus tratos e mutilação contra animais domésticos, o indiciado foi conduzido a Delegacia de Polícia e poderá responder por crime ambiental de maus tratos a animais, cuja pena pode variar de três meses a um ano de detenção, e multa.


Fonte: Da Folha do Povo

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