Estudo aponta 1 morte a cada 5 dias por arma de fogo no Oeste Paulista
Nossa Lucélia - 15.05.2015
Relatório, baseado em dados de 2012, foi divulgado nesta quarta (13). Presidente Prudente tem maior número de vítimas, diz Mapa da Violência
REGIÃO - Uma pessoa morre a cada 5 dias, aproximadamente, por arma de fogo, seja em casos de homicídio ou outros crimes, como latrocínio ou suicídio. O levantamento é do estudo “Mortes Matadas por Armas de Fogo”, divulgado nesta quarta-feira (13) pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que compõe o Mapa da Violência 2015 e utiliza como bases dados relativos ao ano de 2012.
Quanto aos crimes em geral, foram 38 mortes no período. Este número está dividido em suicídios e acidentes. Já no caso de homicídios, foram 28 registros, em levantamento feito pelo G1 nas 56 cidades que compõem a região.
A cidade com mais casos somados foi Presidente Prudente, com um total de 13 homicídios e 13 óbitos por outras causas. Os números são crescentes quando comparados a 2011, que foram nove e 12, respectivamente. O município ocupa a posição 1224 no ranking das 5.565 cidades existentes no país na média de mortes, baseado nos números comparados ao percentual para cada 20.000 mil.
Dracena aparece na sequência, com 11 mortes, quatro delas por homicídio. Os dados também apresentam crescimento no comparativo entre o último dado e o levantamento de 2011, quando não houve nenhum registro. A posição dele é a 1.177.
Outras cidades que apareceram entre as 2 mil com mais casos foram Álvares Machado, Adamantina, Lucélia, Martinópolis, Osvaldo Cruz, Pirapozinho, Presidente Epitácio, Presidente Venceslau, Rancharia, Santo Anastácio e Teodoro Sampaio.
O crescimento de algumas cidades vai contra a tendência estadual apontada pelo estudo coordenado pelo Julio Jacobo Waiselfisz. A única região a evidenciar quedas na década é o Sudeste, cujos óbitos apresentam uma diminuição de 39,8%. “Essas quedas foram puxadas, fundamentalmente, por São Paulo, cujos números em 2012 caem 58,6% com relação ao ano de 2002 e também Rio de Janeiro, com queda de 50,3%. Já Minas Gerais teve um significativo aumento de 53,7%”, aponta.
De 1980 a 2012, foram 880.386 mortes por armas de fogo no Brasil. Destas, 747.760 pessoas foram assassinadas —aumento de 556,6% no período.
NA ILEGALIDADE - As condições sociais e a ilegalidade podem ser fatores que influenciaram nas mortes tanto em grandes centros econômicos quanto no Oeste Paulista, explica o professor de sociologia Marcos Lupércio Ramos.
“Muitas destas armas chegam de maneira ilegal e estão com jovens, que são as maiores vítimas da população que vive marginalizada nas cidades. O que acontece é que nestes locais se perde os laços de solidariedade, ou seja, os relacionamentos são mais fracos”, explica.
O professor ainda interpreta que o machismo também pode ser um fator influenciador neste panorama. "Além disso, não podemos pensar que só moradores da periferia, por exemplo, se envolvam com as armas. Existem pessoas que possuem e até mesmo seus filhos começam a ter mais proximidade com elas. A arma não é só um representante de segurança, mas também de força", aponta.
Apesar disso, a região se beneficia pelo ambiente mais familir. "Existe um respeito humano maior em cidades pequenas. Ao verem as pessoas caminhando, trocando ideias, quem tem uma arma pensa mais vezes antes de utilizar uma arma e atentar contra a vida", expõe Ramos.
Fonte: Vinícius Pacheco _ Do G1 Presidente PrudenteVoltar para Home de Notícias
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