'Quero voltar à rotina', diz vítima de trote violento após retornar às aulas
Nossa Lucélia - 24.02.2015


Jovem diz que está mais 'tranquila' e que seguirá com curso de pedagogia. Polícia de Adamantina continua a investigar caso registrado em fevereiro

ADAMANTINA - A estudante Nathália de Souza Santos, de 17 anos, vítima de um trote violento em frente às Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI), em Adamantina, na região oeste do Estado de São Paulo, avalia seu retorno às aulas no curso de pedagogia como positivo. A intenção, segundo ela, é “voltar a rotina”. A jovem continua a fazer o tratamento das queimaduras que sofreu após ser vítima de um trote no dia 2 de fevereiro.

A garota fala que o clima na instituição de ensino "está calmo" e que, aos poucos, está perdendo o receio de retomar às atividades. “A faculdade tem me apoiado muito e me informou que tomará todas as providências contra os autores, caso sejam alunos também”, conta.

Ainda segundo a estudante, desde seu retorno na última quarta-feira (18), ela é tratada com muito carinho pelos colegas de sala, que tratam a situação com respeito e não realizam questionamentos sobre o caso. “Está tudo tranquilo no campus. Eu vou buscar me inteirar sobre a investigação, mas acredito que logo a polícia localizará quem fez isso”, ressalta.

Ainda é preciso manter a medicação utilizada por conta dos ferimentos. “Tomo remédios em casa e algumas vezes preciso ir até o posto de saúde para ter um acompanhamento sobre a cicatrização das queimaduras”, diz.

Natália afirma que busca evitar que o fato atrapalhe a sua vida. “Eu voltei a estudar e continuo a viajar todos os dias para acompanhar as aulas. Agora vou continuar com as minhas atividades normais”.

INVESTIGAÇÃO - A Polícia Civil identificou no dia 5 de fevereiro quatro suspeitos de terem participado do trote que deixou pelo menos cinco estudantes feridos. Nathália de Souza Santos teve ferimentos nas pernas e no umbigo após ser atingida por uma substância química ainda não identificada.

O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Pigozzi Alabarse, explicou que só foi possível chegar aos nomes dos indivíduos por meio de fotografias nas redes sociais. Além disso, os depoimentos de outros alunos que testemunharam a ação de rapazes que jogaram o produto químico nos calouros em frente às Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI) ajudaram na constatação.

Conforme a Polícia Civil informou nesta segunda-feira (23), as investigações "estão em andamento". A família da jovem também iniciou uma "apuração particular" para auxiliar a encontrar os envolvidos.

Em entrevista coletiva, o diretor geral das Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI), Márcio Cardim, classificou o ocorrido como "um fato isolado". Ele ainda disse que os envolvidos, caso sejam identificados, serão expulsos e que a instituição de ensino abriu um canal de denúncia para que os alunos enviem fotos, vídeos ou informações que possam colaborar com as investigações. Elas podem ser encaminhadas pelo ouvidoria@fai.com.br.

O TROTE - No dia 2 de fevereiro, primeiro dia de aula na instituição, a estudante estava junto com algumas amigas enquanto aguardava o início das aulas do curso de Pedagogia, quando alguns rapazes passaram por elas e jogaram um líquido que causou as queimaduras.

Outra estudante, Bruna Massuia Soares, de 23 anos, sofreu queimaduras leves. A aluna contou ter visto quando um rapaz de camiseta branca atirou a substância contra elas. "Ele tinha pele clara e estava com um vidrinho, semelhante a um medicamento. Era uma substância escura", contou, em entrevista ao SPTV 2ª Edição.

As duas foram encaminhadas para a Santa Casa do município, onde foi informado que o produto poderia ser "creolina misturada com algum tipo de ácido".


Fonte: Mariane Peres _ Do G1 Presidente Prudente

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