Bastense acusado de matar três no Japão enfrentará júri popular em São Paulo
Nossa Lucélia - 05.02.2015



SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou que vai convocar um júri popular para o julgamento do bastense Edilson Donizete Neves, 52, acusado de matar sua namorada e os dois filhos dela em Yaizu (Shizuoka), em dezembro de 2006, informou a agência de notícias Kyodo nesta quinta-feira.

Segundo o Tribunal, a data para início do julgamento com júri formado por cidadãos comuns ainda não foi definida, mas esse sistema permitirá a conclusão de uma sentença mais justa.

O julgamento de Neves, também conhecido por Goiaba, teve a primeira audiência realizada em outubro do ano passado, no Tribunal de Justiça de São Paulo, depois que ele foi localizado e preso em agosto de 2013.

Neves usou o direito de ficar calado e não se pronunciou durante a audiência. O promotor de Justiça Neudival Mascarenhas disse que estava confiante em relação às provas do crime e deverá pedir uma pena de 60 a 90 anos de prisão por triplo homicídio.

O advogado de defesa do brasileiro quis adiar o início de julgamento, alegando que não tinha recebido o interrogatório de oito testemunhas que moram no Japão, mas o Tribunal não aceitou seu pedido.

Neves é acusado de estrangular a namorada, Sônia Aparecida Ferreira Sampaio Misaki, 41 anos na época, e os dois filhos dela, Hiroaki Misaki, 15 anos, e Hiroyuki Misaki, 10 anos. Os crimes aconteceram Yaizu, onde ele trabalhava em uma fábrica de processamento de peixes.

Os corpos só foram encontrados quatro dias depois pelo pai das crianças, Marcílio Koichi Misaki, que não suportou a perda da família e cometeu suicídio em 2010 no Japão.

Um dia após o crime, Neves fugiu para o Brasil e foi preso em janeiro de 2008 no interior de São Paulo. Seis meses depois, porém, ele foi solto porque o julgamento deveria ser feito pela Justiça Federal, pelo fato do crime ter acontecido no exterior.

O acusado desapareceu de novo e foi encontrado em agosto de 2013, no interior de Minas Gerais. Ele não resistiu à prisão.

Neves não pode responder pelo crime no Japão porque não existe um tratado de extradição entre os dois países, mas a Justiça permite que ele seja julgado de acordo com as leis brasileiras.

ENTENDA O CASO

2006 - 22 de dezembro - Sônia, Hiroaki e Hiroyuki são encontrados mortos em Yaizu e as suspeitas caem sobre Neves, que já tinha fugido para o Brasil. O crime aconteceu quatro dias antes, no dia 18 de dezembro.

2007 - 13 de janeiro - A polícia prende dois brasileiros que ajudaram o acusado a fugir um dia depois do crime. Eles disseram que Neves e Sônia estavam tendo constantes discussões porque ela queria terminar o relacionamento.

16 de janeiro - A Interpol começa a procurar Neves no Brasil, mais precisamente em Bastos (SP), onde morava antes de vir ao Japão. Mas ele não pode ser preso em território brasileiro sem um mandado.

7 de fevereiro - Marcílio Misaki, pai dos meninos mortos, diz em entrevista coletiva que desejaria a Neves pena de morte, apesar desse tipo de punição não existir no Brasil.

9 de maio - Os dois brasileiros que ajudaram Neves a fugir são condenados a um ano de prisão, mas cumprem a pena em liberdade condicional por um período de três anos. Eles revelaram que foram ameaçados por Neves caso não o ajudassem a fugir depois do crime.

25 de maio - Neves é indiciado no Japão por homicídio triplo. Até então, ele estava sendo acusado somente pela morte de Hiroaki Misaki, o filho mais velho da ex-namorada. Com a junção de provas, o brasileiro agora responde pela morte da mãe e do filho mais novo também.

10 de dezembro - A Justiça brasileira recebe da polícia japonesa um processo com mais de mil páginas, através do Ministério das Relações Exteriores dos dois países, e expede mandado de prisão.

2008 - 15 de janeiro - Neves é preso em Sarutaiá (SP), mas é solto seis meses depois porque o caso deveria correr na Justiça Federal. Ele fugiu novamente em seguida.

2013 - 15 de agosto - Depois de permanecer foragido por mais de cinco anos, o brasileiro é encontrado em um sítio na cidade de Bom Jesus da Cachoeira, em Minas Gerais.

2014 - 1º de outubro - Na primeira audiência do julgamento, Neves usou o direito de ficar calado e não se pronunciou. O promotor deverá pedir uma pena de 60 a 90 anos de prisão por triplo homicídio.


Fonte: www.alternativa.co.jp (Masamichi Maeda /Alternativa)Publicado no Bastos Já

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