Criança ofendida por monitora não voltará a creche: 'Tenho medo', diz pai
Nossa Lucélia - 10.11.2014
Motorista teme que a filha de 4 anos sofra represália. Mulher teria publicado foto de criança com a legenda: 'É você, Satanás?
TUPÃ - O pai da menina de 4 anos que foi hostilizada por uma monitora da creche municipal de Tupã (SP) por meio de uma mensagem em um aplicativo de celular afirma que a filha não voltará para a escola se a mulher continuar trabalhando lá. Na mensagem enviada pelo WhatsApp, a foto da menina é acompanhada da legenda: “É você, Satanás?”. Procurada pela reportagem da TV TEM no fim de semana, ela preferiu não comentar sobre o assunto.
Em entrevista ao G1, Eduardo Souza de Oliveira, de 32 anos, afirma que tem medo da filha sofrer represálias na creche e só aceitará que ela volte para o local se a monitora for afastada. “Nunca tivemos problemas com a creche, mas depois do que aconteceu, ela só volta se essa monitora sair de lá. Tenho medo de que aconteça algum tipo de represália contra a minha filha, por isso ela vai ficar com a gente por enquanto”, afirma.
Segundo as investigações da polícia, a criança tem estrabismo e a monitora, que é responsável por cuidar dela, teria retirado os óculos da menina e bagunçado o cabelo antes de tirar e publicar a foto. Eduardo conta que estava trabalhando quando recebeu uma ligação da secretária da Educação para buscar a filha mais cedo na creche. “Estava no trabalho e a minha esposa que soube primeiro. Ela só conseguia chorar, tremia tanto que não conseguia explicar o que estava acontecendo. A minha mulher só conseguiu se acalmar quando conversamos com a delegada. Essa história deixou a gente abalado demais”, diz o motorista, que também é pai de outra menina de 10 anos de idade.
Ele conta ainda que chegou a conversar com a monitora da filha e ela teria dito que tudo não passava de uma brincadeira. “Perguntei se tínhamos feito algo de mal e ela disse que não, que aquilo não se passava de uma brincadeira. Ela chegou a pedir desculpas e disse que gostava muito da menina, mas na minha opinião, não se diz esse tipo de coisa para quem se gosta. É um caso que não tem explicação”, comenta Eduardo. O pai da criança registrou um boletim de ocorrência. A acusação contra a funcionária foi baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): submeter crianças e adolescentes a situação constrangedora ou vexatória. Se for condenada, a monitora pode pegar de seis a dois anos de prisão. “Essa professora é desorientada, não sabe o que diz. Se ela não consegue ver o quanto a minha filha é linda e especial, é um problema dela, mas isso não pode ficar impune”, completa Eduardo.
DENÚNCIA PARTIU DE DIRETORA - A diretora da creche municipal onde trabalha a monitora foi a responsável por ter denunciado o caso à Secretaria de Educação de Tupã (SP). Rosimeire Vieira Félix conta que ficou indignada com o caso e por isso denunciou a publicação à Secretaria da Educação, na sexta-feira (7). “Ao falar com as funcionárias de manhã, chamei a atenção pelo uso do celular. Elas me disseram o que estava acontecendo e fui informada que a foto estaria no grupo. Fiquei chocada e na hora entrei em contato com a secretaria para que medidas fossem tomadas. Também ligamos para os pais para que não ficassem sabendo disso por terceiros”, afirma a diretora da creche.
A diretora afirma ainda que foram disponibilizadas pela creche psicólogos e outros profissionais para dar apoio aos pais e à criança. “Isso nos deixa revoltados porque não é o que pregamos como educadores em Tupã. É muito grave usar a rede social como uma arma e denegrir a imagem das pessoas”, diz Rosimeire, que ainda não teve contato com a funcionária.
'ESTÁ ARREPENDIDA', DIZ DIRETOR - De acordo com a prefeitura de Tupã, a funcionária será afastada da sala de aula onde trabalhava para evitar proximidade com a criança e deverá exercer as atividades com outra turma, mas na mesma creche. A prefeitura afirmou ainda que vai abrir um processo administrativo para avaliar a conduta da funcionária.
A mulher suspeita de mandar a mensagem trabalha há um ano na creche Cintia dos Reis Oliveira e auxilia o trabalho da professora. Juntas, elas são responsáveis por uma sala com 22 crianças de até quatro anos de idade. “Nós fomos notificados pela diretora e instauramos procedimento administrativo para apurar as infrações da servidora. Será formada uma comissão e ela poderá ser demitida. Ela disse estar arrependida e preocupada com o que fez e diz que não quis usar o termo dessa forma, disse novamente que foi uma brincadeira, mas isso não é nem de longe uma atitude cabível”, disse o diretor do departamento do órgão, Júnior Navarro.
“Este não é um crime comum porque envolve uma criança em ambiente escolar, cuja pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão. A partir de agora, ouviremos a monitora, os pais e os funcionários da escola. Já oficiamos a Secretaria de Educação e o Conselho Tutelar para que os órgãos tomem as providências administrativas cabíveis”, afirma a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher, Cristiane Camargo Braga.
Fonte: Ana Carolina Levorato _ Do G1 / Com informações de Gabriela Cardoso / TV TEM MaríliaVoltar para Home de Notícias
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