Estado analisa uso de aquífero Guarani para aliviar o Sistema Cantareira
Nossa Lucélia - 09.11.2014
Aquífero Guarani é responsável pelo abastecimento da maior parte das cidades do oeste paulista. Weffort defende a ideia que os modelos exploratórios resultam em "exaustão", uma vez que as consequências "comprometem o futuro da vida na Terra"
REGIÃO - A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo analisa a viabilidade de retirar água do Aquífero Guarani – responsável pelo abastecimento da maior parte das cidades do oeste paulista, inclusive Presidente Prudente – para abastecer a região de Piracicaba, o que aliviará o Sistema Cantareira. A possibilidade deste processo é alvo de um estudo de geólogos da USP (Universidade de São Paulo). Pela proposta, os estudiosos verificam a viabilidade da construção de 24 poços artesianos em Itirapina, ocasião em que o aquífero pode ser acessado de forma rasa.
O ambientalista da Apoena (Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar), Djalma Weffort, é contra a medida. Para ele, essa alternativa resultará “nos mesmos erros que já foram cometidos no passado”, tendo em vista que a proposta é um “modelo exploratório”.
A reportagem entrou em contato com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), a qual revelou que o assunto está sendo tratado pela Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. A estatal afirmou que “a secretaria tem conhecimento da possibilidade hídrica e analisa a viabilidade”.
A agência de notícias “Folhapress” divulgou a pretensão deste projeto na semana passada. Na ocasião, relatou que a “análise do estudo deve ser apresentada, em aproximadamente um mês, ao comitê criado pelo governo estadual para administrar a crise hídrica no Cantareira”. No entanto, a Sabesp ainda informa que a região de Presidente Prudente possui três poços perfurados no Aquífero Guarani. Dois deles estão em Presidente Prudente, um desativado, e um à disposição do Sesc Thermas; e o terceiro está em operação na cidade de Tupã. A Sabesp da Unidade de Negócio do Baixo Paranapanema, com sede em Presidente Prudente, abrange 62 municípios. Os demais não são administrados pela superintendência.
O debate sobre a falta de água que ocorre em toda a Grande São Paulo divide opiniões quando o tema é a solução. É impossível chegar a uma lógica, tendo em vista as centenas de recursos que podem ser encontrados no aspecto da resolução do problema. Porém, o ambientalista responsável pela Apoena pontua que o que ocorre atualmente no Estado, mais especificamente nas regiões que sofrem com a falta de água, é “o uso não sustentável dos recursos naturais”.
Weffort defende a ideia que os modelos exploratórios resultam em “exaustão”, uma vez que as consequências “comprometem o futuro da vida na Terra”. Para ele, “existem alternativas para conservação e para a manutenção da quantidade de água. “Basta valorizar a preservação das florestas e da mata”. E destaca que “o que mantém o volume de água não são as chuvas, mas os mananciais”.
Já em relação à proposta de estudo dos geólogos da USP, o ambientalista alerta que “a perfuração dos poços do aquífero resultará na contaminação dos mananciais”.
ESTUDO - De acordo com a “Folhapress”, o professor Reginaldo Bertolo, do Instituto de Geologia, revela que o “estudo inclui a simulação, por meio de um modelo matemático, da extração de 150 mil litros de água por hora”, avaliando se o aquífero suporta tais vazões em longo prazo. A análise está baseada em um artigo publicado, em 2004, por um grupo da Unesp (Universidade Estadual Paulista). O trabalho defende que entre as vantagens está que “a região de Piracicaba fica distante cerca de 60 km em linha reta, o que diminui os custos de transporte da água direta para a capital, bem como o desnível geográfico entre as regiões de captação e consumo, favorecendo o deslocamento”, aponta o artigo. O Aquífero Guarani é a maior reserva estratégica de água doce da América Latina.
Fonte: Arize Juliani _ Do Jornal O ImparcialVoltar para Home de Notícias
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