Para prefeito, críticas à sua gestão vêm de pessoas que não tiveram "benefícios"
Nossa Lucélia - 01.11.2014
Prefeito concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Impacto e fala sobre diversos conflitos
LUCÉLIA - Em meio às polêmicas que evolvem a administração Osvaldo Saldanha (PSDB) de Lucélia, o prefeito concedeu entrevista exclusiva ao IMPACTO em que fala principalmente dos conflitos existentes entre os poderes Legislativo e Executivo. Para ele, a mudança administrativa de partidos políticos no Executivo incomoda um grupo de pessoas que insiste em fazer uma oposição raivosa, sem acrescentar nada ao município. Saldanha destaca também os projetos em andamento e a real situação financeira de Lucélia. Acompanhe:
JORNAL IMPACTO - Os vereadores têm usado a tribuna para expor uma verdadeira indignação com o Executivo. Na sua opinião o por quê deste “mau estar” entre os poderes?
OSVALDO SALDANHA - Estamos há 21 meses à frente de Lucélia e durante este tempo tudo que fizemos foi criticado pela grande maioria dos vereadores. Porém, temos que separar os tipos de críticas, afinal boa parte vem de uma oposição raivosa que não aceita o fato de termos ganho as eleições. Existem dois lados, a oposição que insiste em manter e realizar essas críticas e os que me apoiaram na campanha e agora resolveram se voltar contra a minha administração porque não tiveram benefícios concedidos. Saímos de uma gestão de oito anos de PT e ganhamos as eleições em cima de um projeto de mudança, prometendo administrar o município de maneira diferente. Mesmo com a vitória muitos pensaram que eu teria o mesmo comportamento da antiga administração, concedendo benesses ao grupo a que pertenço. Eles não podem se esquecer que não foi isso que levei à população, e sim uma mudança drástica. E o que estamos fazendo nesses 21 meses sempre foi uma vontade da população luceliense. Um município que completou 70 anos sempre viveu um modelo de política corrupta implantada até 31 de dezembro de 2012 e as pessoas sempre me cobraram mudanças. Administro Lucélia como se fosse uma empresa e chegaram a falar isso na tribuna da Câmara por conta do meu passado profissional e eu não recebi isso como crítica e sim como elogio. O que acontece hoje em Lucélia é um desconforto por conta de algumas pessoas não terem nenhum tipo de benefício na minha gestão. Não tenho como promover algum tipo de benefício, mesmo porque o município não tem condições, além de ser ilegal e imoral. Na campanha política foi divulgado pela oposição até um slogan dizendo: “Vocês votam e eles voltam”, se referindo às pessoas envolvidas com algum tipo de escândalo político em nossa cidade. Se eu tivesse trazido essas pessoas para dentro da Prefeitura seria eu um fantoche na mão deles, já que seriam eles que estariam administrando. No momento que ganhei a eleição defini o melhor para Lucélia e a partir disto surgiu essa oposição raivosa que presta um desserviço para o município. Hoje só quem não quer não enxerga o que acontece em Lucélia, com obras e benefícios à comunidade. Posso citar como exemplos, a entrega de medicamentos no valor de R$ 150 mil e equipamentos para a Saúde, o que não era feito há anos no município. Pegamos uma emenda e compramos um veículo 0 km para os PSF's e fizemos a entrega. Na semana seguinte teve sessão na Câmara e não foi ninguém na tribuna falar o fato. Os vereadores não falam o que de bom acontece no município. É uma oposição burra e com interesse.
IMPACTO – Por que a população deve acreditar que sua gestão será diferente?
SALDANHA - Como já disse estou administrando diferente. São 21 meses em que nada de irregular foi encontrado e nada de irregular acontecerá até o fim do meu mandato. A população pode ficar tranquila.
IMPACTO – E esta sensação de impunidade que a população de Lucélia tem, afinal nenhum ex-prefeito até o momento foi punido por seus atos, apesar das graves denúncias. Você pretende apurar as irregularidades do passado?
SALDANHA - Já estamos apurando. Podemos citar o caso do Rodeio Técnico de Lucélia encaminhado ao Ministério Público. Outro fato: no fim de 2012 a administração pública fez um empréstimo para a Santa Casa e como garantia do pagamento foram colocados os repasses do SUS. Nos últimos dias de dezembro fizeram o empréstimo na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 570.344,45 e dividiram em 36 parcelas de R$ 20.791,39. Hoje éramos para estar recebendo do SUS uma quantia de R$ 136.898,98 e recebemos R$ 115.126,61, essa diferença é a parcela do empréstimo que termina no fim de 2015. Entramos com uma representação no Ministério Público Federal em Marília, pois achamos o fato incorreto, principalmente por ser fim de uma gestão e não sabemos ao certo o que foi feito com o dinheiro. Alguns médicos que estavam sem receber na época foram pagos, mas outros não.
IMPACTO - O que tem a dizer sobre as contratações de secretários de outros municípios que não são bem vistas pelo Legislativo?
SALDANHA - Temos os secretários da Educação, do Desenvolvimento, o diretor da Cultura e a Assistente Social que são de Adamantina. Cabe ao prefeito nomear para estes cargos pessoas de extrema capacidade. Mediante a este fato técnico e sem interesses políticos estabelecemos um perfil para esses cargos serem ocupados. Tarefa nada fácil. Essas pessoas vieram de Adamantina, mas poderiam vir de qualquer outra cidade, são profissionais de alta capacidade que têm feito um serviço brilhante e atendido 100% das nossas expectativas. Acompanhar as críticas feitas a eles me deixa extremamente espantado, porque vindo de quem vem, não é para serem levadas em consideração. Passei três mandatos no Poder Legislativo de Lucélia e hoje posso afirmar: é uma das piores Câmaras que o município já elegeu, com a grande maioria dos vereadores despreparada.
IMPACTO - Como pretende levar sua relação com o Legislativo?
SALDANHA - Apesar da oposição sistemática deles em cada sessão, o que é encaminhado para a Câmara e de interesse da população tem sido aprovado. Não posso deixar de destacar isso. O relacionamento é extremamente profissional e a população até o momento não está sendo prejudicada. Estou muito seguro e tranquilo da forma que estamos administrando e temos muito a fazer por Lucélia. Se eu for dar ouvidos às críticas que não acrescentam em nada, não progredimos. Quando falo do despreparo posso citar o caso de um vereador que acompanhou todo o processo da renovação do contrato com a Sabesp e agora vem pedir cópia destes documentos. Eu tenho informação de que muitas dessas solicitações não são nem analisadas pelos vereadores. Os papéis ficam lá parados, pois falta preparo para analisar.
IMPACTO - 21 meses é tempo suficiente para arrumar a casa? Já podemos vislumbrar uma boa colheita para os próximos dois anos?
SALDANHA - A desorganização era muito grande. Chega a ser um crime um gestor pegar um município na situação em que estava Lucélia. Costumo dizer que Lucélia está nascendo de novo, estamos pegando setor por setor e reconstruindo do zero. Na Educação era tudo “maquiado”. Temos a Escola Carlos Bueno, localizada em uma região com problemas sociais, estava praticamente abandonada. Expliquei ao secretário da Educação Osvaldo José assim que ele assumiu que não queria aquela instituição tratada com diferença.
Precisávamos resgatá-la e trazê-la para o mesmo nível de outras instituições. 21 meses depois a Escola Carlos Bueno está outra. Os alunos que não eram capazes e eram discriminados estão todos capacitados. O trabalho feito lá foi de uma evolução surpreendente, tanto que a redação das Olimpíadas de Português de Lucélia quem ganhou foi uma aluna da Carlos Bueno. Estou tranquilo quanto ao meu trabalho. Já me perguntam sobre reeleição, mas não estou preocupado com isso ainda. Estou preocupado em organizar Lucélia e a comunidade está reconhecendo. Duvido que depois da passagem desta administração as pessoas vão querer outra que não esteja baseada no que estão vivendo. Lucélia vai avançar e quem assumir a próxima gestão pegará o município organizado.
IMPACTO - Qual sua maior ambição para os próximos anos?
SALDANHA - Temos muita coisa em andamento, obras importantes. Na Habitação temos a perspectiva de entregar cerca de 600 casas, 301 já em abril, num empreendimento de R$ 20 mi da CDHU. Depois de 12 anos nossa administração viabilizou estes empreendimentos. Temos o Residencial Santa Lúcia, de iniciativa privada, que são 156 unidades habitacionais financiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida, com design moderno e as primeiras 37 unidades serão entregues em dezembro. Até o fim do ano também estaremos assinando o segundo conjunto da CDHU com mais 54 casas para a Vila Rennó. Em questão à infraestrutura estamos com recursos empregados de R$ 850 mil para recapeamento.
Obra na escola da Vila Rancharia no valor de R$ 5 mi que será entregue em 2015 com um projeto moderno e novo. Na saúde a Santa Casa passa por reforma, já entregue o projeto na DRS de Marília para transformar o local em Hospital Essencial, sendo investido algo em torno de R$ 200 mil para readequação até fevereiro de 2015. O Hospital Essencial se baseia em adequar as Santas Casas inoperantes no Estado, visando a melhora no atendimento da saúde. O que muda com essa implantação é que os pacientes ficarão por menos tempo em tratamento no município, ou seja, os casos mais graves irão para outras cidades, já que não é do porte de Lucélia realizar estes tratamentos. Normalmente o paciente fica aqui por muito tempo dando certa despesa, correndo riscos e só depois de um tempo é transferido. Outro exemplo é a cirurgia, quando um paciente precisar realizar alguma cirurgia de risco irá para outro município, como Marilia, porém, o pós-operatório será em Lucélia, liberando a vaga de Marília para outro paciente. Possivelmente Lucélia será a primeira no Estado a ter esse benefício. O projeto foi muito elogiado pela DRS de Marília e agora está com a equipe de planejamento e estando tudo certo será encaminhado para a Secretaria de Saúde de São Paulo.
Serão investidos na Santa Casa cerca de R$ 350 mil e com isso conseguiremos nossa independência. Na questão de emprego e geração de renda em 2013 foi realizada uma concessão em nome da YES para ocupar o antigo prédio do IBC. A concessão, assinada entre a empresa e a Prefeitura, foi destinada à instalação de escritórios e áreas industriais, auxiliando no desenvolvimento social e econômico da cidade. A YES é uma empresa inovadora que atua na produção de aditivos nutricionais para alimentação animal e gera cerca de 50 empregos, com projeção de aumento. Será construído um grande empreendimento em Lucélia, o município de 70 anos terá seu primeiro hotel. Um empresário luceliense residente em Birigui investirá cerca de R$ 1,7 mi em uma área de mais de 700m² ao longo da avenida Progresso, sendo mais uma oportunidade de geração de emprego e renda. Outro fato: fizemos um levantamento de imóveis para saber qual era a realidade do município, já que assim que assumi, não tínhamos estes dados. Agora tudo está viabilizado com certidões e se chegar alguém pedindo dados de algum terreno sabemos como localizar as devidas informações. Em 2015 todos os imóveis dos quais não tínhamos controle já serão notificados para regularização do IPTU.
IMPACTO - Qual seu posicionamento sobre o Carnaval de Lucélia, sendo que a Câmara fez denúncias sobre o evento deste ano?
SALDANHA - Para 2015 buscaremos viabilizar recursos para a realização do Carnaval, pois em meio a crise que vivemos não temos condições de realizar tal evento deste porte com recursos próprios. Em 2014 foram gastos cerca de R$ 250 mi, e não pode ser tirado do tesouro público no próximo ano. Porém, será realizado um carnaval tão bom como nos últimos anos, mas não sem recursos do município. Em relação ao processo sobre o evento deste ano, apresentamos toda a documentação ao Ministério Público e eu garanto que não ouve desvio de recursos.
IMPACTO - Como está a situação financeira do município?
SALDANHA - Todos sabem que passamos por um período de redução de custos, com o horário reduzido de atendimento ao público por dois meses. Voltamos ao normal e vamos fazer um levantamento. Em uma análise foi levado em conta que em um mês estávamos trabalhando três semanas e precisaríamos ter uma economia muito significativa para compensar esta paralisação. A economia seria em água, luz e telefone, porém, para isso não é preciso fechar o prédio. É questão de educação. Em relação ao financeiro quando assumi a Prefeitura tinha uma dívidia de R$ 2,6 mi e a Santa Casa de R$ 3,6 mi. Atualmente restam R$ 100 mil do administrativo. Mas o grave problema está nos repasses do Governo Federal, de junho de 2013 a junho de 2014 os repasses caíram 42%. É um valor alto para um município do porte de Lucélia. Por conta da redução do IPI existe uma pesquisa que mostra que foram deixados de serem injetados R$ 68 milhões nos municípios. Por isso falo que os vereadores devem saber a real situação financeira da cidade para não saírem falando besteira. Não adianta tacar pedras sem conhecimento de causa. Aconteceu uma Audiência Pública Orçamentária do Estado e nenhum vereador esteve presente.
IMPACTO – O que pensa sobre a região da Nova Alta Paulista, uma vez que Lucélia está inserida nela? Acredita na força da AMNAP?
SALDANHA – O destaque da Alta Paulista atualmente é a Educação. Com a vinda da Fatec para Adamantina será mais um grande diferencial para a região. Antes as regiões do Estado eram reconhecidas pela quantidade de empresas que tinham. Hoje é pela capacidade de formação educacional. Sobre a AMNAP precisamos ser otimistas, pois ela é o caminho para a união dos prefeitos, mas o caminho ideal seria transformá-la em um consórcio intermunicipal.
Fonte: Fernanda Silva e Sérgio Vanderlei _ Gi NotíciasVoltar para Home de Notícias
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