Moacir Ferraz participa de mostra de arte em São Paulo
Nossa Lucélia - 04.07.2014


Acometido de uma disfunção congênita cerebral, Moacir Ferraz, 43, participa de uma mostra de arte em SP

LUCÉLIA - Um galho de uma árvore caído no chão. E a descoberta de um dom precioso: pintar. Talvez, lendo assim, trata-se de uma história de vários artistas que, “sem querer”, lapidam algo que gostam.

Porém, o galho da árvore é o início da história de Moacir Ferraz, 43, morador de Lucélia e portador de necessidades especiais que o limitam a pintar apenas com o pé esquerdo, único com movimentação. Limitação tida como vitória, liberdade e a exploração de um mundo de descobertas e cor.

Começou nesta quinta-feira (3), em São Paulo, no Sesc Carmo, uma exposição – intitulada “Pintura Sem Limites” – da APBP (Associação dos Pintores que pintam com a Boca e os Pés) e lá terá uma tela de sua autoria. A mostra segue até dia 29 de agosto.

Foi aos 5 anos de idade, embaixo de uma árvore no sítio que morava, que o levou a entender o que gostava de fazer. “O galho caiu, me esforcei e o peguei. Com o lasco de madeira preso entre os dedos do pé esquerdo, fiz desenhos no chão e me atentei ao meu mundo, à arte de pintar”, diz.

Acometido de uma disfunção congênita cerebral pós-parto, fez de sua necessidade especial uma porta para a arte. “Desde que descobri meu dom pela pintura, nunca mais parei de desenhar e colorir. Pinto óleo sobre tela”, destaca. Amante do meio ambiente, de paisagens e da natureza, transporta para seus trabalhos seu amor pela vida e pelo verde. “A arte é tudo em minha vida. Todos os dias preciso pintar, fazer minha arte”, pontua.

Por conta da disfunção congênita cerebral, não tem o movimento das duas mãos e apenas o pé esquerdo consegue se mexer sozinho. Ele já teve suas obras destacadas em diversas localidades do Brasil.

Há 17 anos em Lucélia, já fez inúmeras exposições pela região, como em Presidente Prudente. Há 12 anos pertence à APBP, instituição que o proporcionou muitos aprendizados. “Sou muito feliz na associação. Lá aprendo muito com meus colegas. Me trouxe o reconhecimento como artista. É muito difícil viver da arte, mas a associação me deu presentes e conhecimento. Exposições como esta em São Paulo me dão enorme alegria, orgulho e satisfação”, diz. Na capital paulista, terá uma obra sua exposta, já que é realizada em conjunto com outros artistas com necessidades semelhantes.

Reside atualmente com a cunhada e dois sobrinhos e convive com a saudade do irmão que morreu há um ano. “Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, sou uma pessoa realizada. Feliz com minha família, meus amigos, minha arte”, pontua.

A ASSOCIAÇÃO - A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés começou em 1956 quando Erich Stegmann, um artista que pintava com a boca, reuniu um pequeno grupo de artistas com deficiência física de oito países europeus. Seu objetivo era ganhar seu próprio sustento através de seus esforços artísticos e obter uma segurança de trabalho que até então eles não tinham.

Há 48 artistas no Brasil, muitos dão palestras e demonstrações de pintura para escolas, empresas e outros grupos interessados, oferecendo uma melhor compreensão do trabalho que está sendo feito pela Associação e as possibilidades disponíveis como oportunidade para as pessoas com deficiência.

Pode fazer parte qualquer um que tenha perdido o uso das mãos e pinta segurando o pincel com a boca ou com os pés, independentemente de raça, credo ou cor. Mais informações sobre a associação pelo site www.apbp.com.br.


Fonte: Aline Martins _ Do Jornal O Imparcial

Voltar para Home de Notícias


Copyright 2000 / 2014 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista