Presidente da Câmara questiona promessas de campanha não cumpridas durante avaliação do prefeito Saldanha
Nossa Lucélia - 02.07.2014


Finalizando a série de entrevista do Impacto com os vereadores, Ivone fez um balanço de sua atuação

LUCÉLIA - União. Essa a palavra chave da situação política de Lucélia para a presidente da Câmara Ivone Mazini Pernomian (PSDB). Enquanto, o Legislativo nunca esteve tão unido, a vereadora cita que falta o mesmo em relação ao Executivo, dificultando o relacionamento entre os poderes.

“O principal problema de Lucélia é o prefeito [Osvaldo Alves Saldanha, também do PSDB] ter se encolhido, ouvir somente meia dúzia de pessoas que estão a sua volta. Esse não é o prefeito que trabalhei, que fui de casa em casa pedir voto. Não conheço esse prefeito. O grupo que trabalhou, deu sustentação durante a campanha, ele virou as costas. O Saldanha é influenciado por alguns secretários”, afirma.

Finalizando a série de entrevista do Impacto com os vereadores, Ivone fez um balanço da atuação da Câmara e do Executivo durante um ano e meio. “Tenho uma postura muito clara e transparente do papel de vereadora e presidente da Câmara, que é o bem estar da população de Lucélia. No Legislativo, somos 11 vereadores que têm este mesmo propósito e, independente de partidarismo, queremos o desenvolvimento de nossa cidade, isto está presente nas reuniões, avaliações de Projetos de Lei, no propósito da economicidade dos gastos do Legislativo e na busca constante, junto aos deputados estaduais e federais, pelos companheiros vereadores, dos diversos partidos que representam a população, de recursos”.

Durante um ano e meio de legislatura, os vereadores fizeram 250 indicações e 86 requerimentos, sendo que no ano passado, foram devolvidos aproximadamente R$ 350 mil aos cofres públicos.

A frente da Câmara, Ivone afirma que nunca deixou de dar respaldo aos vereadores. “Nunca deixei de dar logístico para que corressem atrás de recursos, de emendas parlamentares para reforma, construção, ampliação e aquisição de recursos materiais, financeiros e de consumo para atendimento as populações específicas (creche, asilo e Apae), como os lucelienses em geral (estradas, transportes, pontes, entre outros)”.

Entre as principais demandas solicitadas e conquistadas pelos vereadores, a presidente da Câmara destaca a renovação da frota municipal. “O transporte é uma questão que os vereadores correram atrás de recursos, pois à frota estava em péssimo estado, praticamente sucateado”.

Para Ivone, o Legislativo deveria ser o mais respeitado pela administração municipal por ser representante da população. “Os vereadores têm poder limitado por lei, seu papel é específico, não podemos exercer atividades que são próprias do Executivo, nossa função é legislar e fiscalizar, porém exercemos muito além, desde papel procurando recursos, encaminhando questões para saúde, educação e assistência quando à população recorre à nós, pois somos referência, foi aos lucelienses que nos comprometemos à realizar um trabalho sério, digno, respeitoso e é à nós que eles confiam e compartilham suas necessidades, anseios e dificuldades. A população tem acesso mais fácil aos vereadores, por isso que devimos ser ouvidos e respeitados pelo Executivo, pois somos um canalizador dos problemas da população, somos sua voz junto a administração municipal”.

A presidente da Câmara explica que os vereadores sempre estiveram à disposição do prefeito Osvaldo Saldanha, porém essa posição foi unilateral. “Esta disponibilidade sempre partiu da Câmara, não havendo reciprocidade, se tornando uma relação difícil e espinhosa entre o Executivo e Legislativo, em sua maioria. Os vereadores que apoiaram sua campanha, a relação ficou mais sensível ainda, pois as propostas eram alinhadas com o propósito único e com o decorrer do tempo, o discurso se esvaziou, se tornando outro, chegando às raias do antagonismo”.

Ivone também rebate a declaração do prefeito, feita no ano passado, que os vereadores não eram preparados. “Em um determinado pronunciamento em meio de comunicação, Saldanha chegou a nos ofender, dizendo que não éramos preparados, o que é uma inverdade, temos vereadores com extensos conhecimentos da administração pública, com vários serviços em prol a comunidade e os de primeira legislatura têm uma leitura da realidade imensa, pois nunca ou isentaram de se envolver e intervir na realidade e no atendimento da população, mostrando os porque foram eleitos sem se acomodar e querendo imensamente realizar um bom trabalho e vir a cidade crescer, eles são mais preparados do que o prefeito imagina”.

Atitudes divergentes as prometidas durante a campanha, é outra questão questionada pela presidente da Câmara, que também não concorda com a contratação de secretários e diretores de outros municípios. “O prefeito não é uma pessoa de má índole, porém no atoleiro de problemas, dívidas e mau assessoramento, infelizmente não esta conseguindo mostrar ao que veio, nos deixando constrangido e envergonhados perante à população. Um exemplo deste constrangimento, foi suas falas nas reuniões em bairro e em palanque que sempre afirmou que tínhamos pessoas capacitadas em nossa cidade para assumir papeis de assessoria e gerenciamento dos secretários municipais, infelizmente hoje ocupam pessoas de outras cidades. Deixo claro que às pessoas que estão nestes cargos estão ganhando o seu pão e não tenho nada contra elas, só que à minha posição é muito clara neste aspecto, pois não são cargos concursados, são de livre escolha e a escolha tem que ser feita entre os munícipes, onde há muita gente capacitada e que conhece os problemas da população”.

Ivone afirma que, o compromisso de campanha com a população era valorizar os lucelienses. “Mas, o Saldanha, mais uma vez, não cumpriu, seguindo a regra do ex-prefeito. Não concordo que traga pessoal de fora, sendo que em Lucélia há profissionais especializados, competentes para administrar, principalmente em relação aos cargos de confiança. Você levará um problema para um secretário ou diretor de fora que não conhece quem é e o que é?”, questiona.

Outro ponto bastante debatido durante as sessões da Câmara e na série de entrevista é a atual situação da Secretaria de Educação. Para Ivone, a falta de diálogo é o principal problema no setor. “Lucélia tem ótimos profissionais da educação, desde a merendeira até o professor que está na sala de aula ensinando nossos alunos. Acho que o que está faltando um diálogo maior entre estes profissionais e o secretário [Osvaldo José] para que haja uma clareza de objetivos e direcionamento. Quando cito este sentimento em relação à educação, não o faço só por 'achismo', faço porque a população nos procura relatando as barreiras e dificuldades no acesso de diálogo ou a qualquer efetivação de mudanças pelo secretário. Ninguém é dono da razão, as pessoas têm que ser ouvidas, e suas opiniões em relação às políticas públicas merecem ser respeitadas e levadas em consideração. Somente desta forma, estaremos governando para e pelo o povo, e estaremos efetivamente fazendo parte do processo educacional das nossas crianças e jovens”.

Ivone cita ainda mais uma promessa de campanha de Saldanha, que não foi cumprido ao se tornar prefeito. “Fui e sou contra a redução da carga horária dos estudantes, acho imperdoável a retirada do período integral da escola Profº. Carlos Bueno (1º ao 5º ano),  era um direito conquistado e foi fortalecido na campanha do atual prefeito, por isso foi um fato e um ato que gerou grande decepção com a administração municipal”.

Sobre as atitudes tomadas por Saldanha durante início de mandato, consideradas por muitos contra o funcionalismo público, Ivone explica que era devido a situação financeira da prefeitura. “Em um desses debates, conversei com prefeito que a prefeitura estava no limite, não havia dinheiro. Saldanha me mostrou planilhas e tabelas dos gastos, me convencendo que era melhor decisão a ser tomada, mas, naquele momento, isso não pode persistir por cinco, seis, 10 meses, 1 ano, e este momento já vai fazer oito meses”, declara.

Questionada sobre a postura “crítica” da Câmara em relação ao Executivo, Ivone afirma que a oposição é sempre sadia. “O Legislativo não deixou de aprovar absolutamente nada, o que pede em caráter de urgência nos reunimos, já tivemos que fazer sessão extraordinária, nunca foi dito não. Estamos na Câmara para ajudar o município, agora essa divisória também é ruim para vereador, que está na rua, em todo lugar, é procurado pela população, que bate palma na casa do vereador, já que não acha o prefeito. A postura da Câmara é sadia, direcionada para o bem da cidade, que não atrapalha o trabalho do prefeito”.

Ivone diz ainda que espera uma aproximação do Executivo com Legislativo, mas é pessimista sobre o desempenho da administração municipal nos próximos dois anos e meio. “Gostaríamos que a cada projeto polêmico ou algo do tipo, pelo menos o assessor do prefeito fosse até a Câmara e explicasse.

Simplesmente o projeto chega até o balcão da Câmara, se viram e vão embora. Não tem a preocupação nenhuma de explicar. Espero que mude, para o bem da minha cidade, não que me interessa ficar puxando o saco de prefeito. Me interesso, realmente, por Lucélia, que acha mais compreensão, respeito entre os poderes. Não sou otimista, torço para que aconteça, mas não sou”.

Para finalizar, Ivone anuncia esse como o seu último mandato político em Lucélia. “Este é o meu último mandato, quero terminar como sempre me conduzi na política, sempre de cara limpa. Fazer um bom trabalho, economizar dinheiro que não é público, é do contribuinte, não é nenhuma glória, é uma obrigação. Ser livre, como sempre fui, para falar o que penso, onde estiver e com quem estiver, terminar com os mesmo padrões éticos do ex-prefeito Antônio Pernomian”.


Fonte: João Vinicius _ Do Grupo Impacto

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