Geração de emprego deve ser foco da administração, afirmam vereadores lucelienses
Nossa Lucélia - 27.05.2014
Foram avaliados as atuações do Legislativo e Executivo
LUCÉLIA - Trabalho, saúde e infraestrutura são os problemas em quaisquer cidade do país. E esses foram os principais temas abordados pelos vereadores Ney Roberto Dadamo (PV) e Romildo Bernardo (PT) na série de entrevistas do IMPACTO. Além disso, foram avaliados as atuações do Legislativo e Executivo e a falta de diálogo do prefeito Osvaldo Alves Saldanha (PSDB) com vereadores lucelienses.
O vereador petista destaca que nunca houve na história de Lucélia política voltada para geração de empregos. “Precisamos focar neste setor. Com isso, teremos mais injeção de recursos na economia, comércio forte, população empregada, principalmente para os jovens, que percebemos que grande parte, na maioria mulheres, não estão empregadas. Os vereadores estão pedindo para que a prefeitura desaproprie uma área e seja viabilizada para os empresários que queiram se estabelecer no município. Acredito que o Saldanha tem que focar, tirar do papel e viabilizar o projeto para geração de empregos. Quando o povo tem emprego, são mais recursos na economia, a população gasta no comércio, os comerciante contratam e, com isso, todos os setores serão fortalecidos”, explica Romildo.
Ney segue a mesma linha e afirma que trabalho é o principal problema de Lucélia. “Ainda temos muitos comerciantes que acreditam em Lucélia, mas precisam de incentivos. Se passarmos pela avenida Internacional, vemos inúmeros prédios desativados. Por isso a necessidade de apoio e incentivo. Tem alguns que nem sabemos como conseguem permanecer abertos, já que não trabalham com preço competitivo devido a oferta ser maior que a procura. Precisamos de incentivo para comércio e indústrias.
Não queremos grandes empresas, mas indústrias que gerem 10 ou 20 empregos, que fortaleçam a economia. Toda campanha é prometida, é falado da área industrial, e até agora nada. Uma atitude tem que ser tomada para ontem”, afirma o vereador do PV.
SAÚDE - A saúde do município também foi apontada com problema de Lucélia. “Na saúde, todo investimento que é feito ainda não é suficiente. Sabemos que a receita do município é pequena diante das despesas”, diz Romildo. Atualmente, o esforço da administração está concentrado em resolver o problema da Santa Casa.
“As verbas de custeio que o prefeito e os vereadores conquistam, amenizam a situação de forma temporária, mas não resolve o problema. Por isso, a necessidade de empenho de todos, desde os políticos até a sociedade. Quanto mais se investir em saúde, melhor”.
Romildo acredita ainda que o fim da intervenção municipal não resolve o problema da Santa Casa. “Não acredito que tirar da intervenção municipal seja a solução neste momento, ainda mais que as despesas continuarão as mesmas sob a responsabilidade do poder público ou da Irmandade, sempre terão pessoas doenças necessitando de cuidados. O que devemos é viabilizar recursos que possam atender está demanda, independente de quem quer que seja no comando, mas que seja uma pessoa honesta, e que realmente a Santa Casa possa cada vez mais fazer o melhor com a ajuda do trabalho do prefeito e dos vereadores que viabilizem recursos, pelo menos para estancar essa questão da falta de verbas”.
Já o vereador Ney questiona a eficácia da intervenção municipal em Lucélia. “No meu ponto de vista, a intervenção é para solucionar os problemas e, assim, devolver para Irmandade. Mas, 18 anos de intervenção e ainda não conseguiram resolver nada? Por que durou todo esse tempo? Por que agora não é mais viável a intervenção? Faço esses questionamentos e gostaria de uma resposta. Já que durou tantos anos, foi viável para alguém. Ninguém vai querer assumir a administração com a dívida atual da Santa Casa. Sei que o Executivo está imbuído em resolver este problema, as reuniões que estão sendo feitas, não critico esse ponto, mas sim uma intervenção que durou quase duas décadas e nada foi solucionado”.
GESTÃO SALDANHA - Além desses problemas, os vereadores afirmam que a população reclama da gestão Saldanha. Para o petista, falta experiência administrativa política e servidores que resolvem os problemas da prefeitura. “Administrar o Poder Executivo é muito difícil. Nós, do Legislativo, torcemos para que as coisas se acertem e o prefeito consiga encontrar o “norte” da administração. Se sair na rua, vemos o quanto de reclamação parte da população, de praticamente todos os setores. Temos funcionários competentes que muitas vezes não ocupam cargos que deveriam estar, que poderiam ter um melhor desempenho, mas infelizmente o prefeito não conseguiu colocar os servidores em seu devido lugar de trabalho para que a máquina tivesse um melhor desenvolvimento”.
Para o vereador Ney, está situação é comum quando se envolve política. “Muitos servidores competentes e que poderiam produzir muito mais, mas por 'birra' e revanchismo político esses são 'jogados de escanteio'. Sempre defendi, independente de partido, o diálogo. Quer jogar no meu time? Então vamos jogar com as cartas na mesa. Têm muitas pessoas boas em Lucélia que não produzem devido a falta de oportunidade, o time não está ganhando. Vamos aos bairros e vemos que a população não está contente. A área industrial que não saiu ainda, a cidade toda esburacada, e muito mais. O Saldanha é uma pessoa idônea, honesta, mas tem umas 'peças' que têm que ser mudadas. Ainda faltam dois anos e meio de mandato, muito pode ser feito”.
CARGOS DE CONFIANÇA - Romildo também questiona os cargos comissionados ocupados por servidores de fora de Lucélia. “O prefeito deveria ter valorizado mais, antes de trazer funcionários de outras cidades, os servidores de Lucélia, que conheçam a realidade do nosso povo, da nossa cidade e de nossa gente.
Acredito que o Saldanha priorizou muito funcionários em cargos de confiança de outras cidades, mesmo que vizinhas, deixando lucelienses que têm alta competência de desempenhar o papel de lado”.
Ney afirma que a população esperava muito mais da administração, por isso as críticas. “É muito mais fácil chegar ao vereador e reclamar. Quando procuro o Executivo, geralmente sou atendido, mas são coisas simples. O povo realmente quer trabalho uma cidade bonita e sem buracos. Sabemos que são os primeiros meses de experiência do Saldanha em frente a administração pública, por isso tem que estar rodeado por pessoas que querem seu bem e da cidade. Não dá mais para aguentar pessoas que querem olham somente seu lado, temos que ver o lado da população, daquelas pessoas que depositaram a confiança no voto. Lucélia esperava muito mais de todos. O vereador tem limite de atuação, mas é o mais cobrado”.
Outro ponto destacado pelos vereadores é a falta de diálogo entre os poderes Legislativo e Executivo. “Falta entrosamento, reuniões, conversas entre a Câmara e Prefeitura. A administração tem a prerrogativa de fazer os projetos de Lei que causam ônus ao município. Com isso, o prefeito e seus assessores deveriam ouvir o Legislativo, conversar, participar das sessões, levar as informações do que acontecem na prefeitura para não haver surpresas. É preciso, realmente, que a prefeitura informe o que acontece na cidade, já que a população questiona primeiramente o vereador, é muito mais difícil falar com prefeito, mas o vereador é encontrado na esquina, na padaria, nos bairros conversando com a população e os moradores nos cobram.
Diante da cobrança, se não tivermos uma reposta à altura do que esperam, acabam criticando. A crítica é salutar. Falta por parte do Executivo mais comunicação e entrosamento com a Câmara”, afirma Romildo.
“Muitas coisas que acontecem em Lucélia, nós vereadores, ficam sabendo depois que a 'bomba' estourou. As maiorias das tomadas de decisões do Executivo são feitas sem consultar o Legislativo, sem conversar, é apenas imposto. Com isso, a população questiona os vereadores não fizeram nada? Assim, fica difícil o vereador interferir se a administração municipal já tomou uma decisão”, explica Ney.
Ainda sobre críticas da população, os vereadores pedem mais participação dos lucelienses na vida política do município. “Tivemos uma procura considerável da população por parte dos vereadores, mas ainda está bem aquém do que esperávamos. O povo deveria participar mais das sessões, ouvir seu vereador, cobrar, participar, dar sugestões, já que ninguém é dono da verdade, talvez tenha uma ideia brilhante que podemos colocar em execução juntamente com a administração. Todos devem participar de uma forma efetiva da política, não somente às vésperas da eleição. O povo participa mais no período eleitoral municipal. Depois não participa, se afugenta, critica, acha que todos os políticos são iguais, e não é bem assim”.
A população, segundo Ney, deveria participar para acompanhar as mudanças que estão acontecendo. “O Brasil é um país rico, mas têm muitos que querem tirar aproveito, por isso a população está revoltada. Assim, os políticos honestos que existem no nosso contexto político são englobados nessa leva de quem só quer levar vantagens. E na realidade, temos muitas pessoas sérias e honestas. Os vereadores estão imbuídos em ajudar a comunidade, mas não é fácil. Muitas vezes, pensamos se vale a pena ser taxados de coisas que não somos para o bem de nossa cidade”.
ATUAÇÃO DA CÂMARA - Os vereadores avaliam como positivo a atuação do Legislativo, até o momento. “Todos desempenham de forma a desenvolver a cidade, ajudando a administração no que é possível e no que está dentro das limitações de cada vereador. Vejo que o trabalho neste sentido tem surtido os efeitos que esperávamos. Em relação as emendas, estamos em contato com nossos deputados do PT. Falamos recentemente com Ana do Carmo, que aprovou em emenda de R$ 200 mil que será destinado para reforma do Pronto Socorro, inclusive as informações do Executivo que tem essa prerrogativa, a licitação e a viabilização do projeto já estão em andamento. Também quero agradecer que foi um interveniência do dr. Adelino, ex-funcionário da Santa Casa que nos ajudou devido a amizade com a deputada Ana do Carmo. Além dela, há vários deputados que estamos em contato, como Devanir Ribeiro, Antônio Mentor, José Mentor e outros. Isso demonstra nossa dedicação e força de vontade no sentido de fazer desenvolver o município. Até acredito que as emendas não vêm resolver todos os problemas, mas ajuda e muito”.
No primeiro mandato, Ney afirma que tenta ser imparcial e aprender o possível para legislar de forma clara.
“Nosso deputado Reinaldo Alguz já trabalha antes, ou seja, está preocupado com desenvolvimento da região. A reforma da delegacia da Polícia Civil, o trevo que apresentava problemas e a reforma da SP-294, então não só trabalha para Lucélia, mas ajuda bastante o nosso município. Chegou agora uma emenda de R$ 150 mil, que juntamente com os vereadores Ângela Iura (PV) e Valdemir Antônio Uemura (DEM) estávamos buscando há muito tempo, mas somente agora foi aprovada para Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Procuramos trabalhar com pessoas que realmente estão preocupados com desenvolvimento de nossa cidade. Procuro ajudar dentro do possível, procuro respostas quando não sei e busco informações com vereadores mais experientes, independente de partido. Há uma união entre os vereadores de Lucélia, mas é claro que cada um tem sua linha de pensamento. Como todos nós almejamos uma cidade melhor, há esse respeito”.
Para finalizar, o vereador Ney espera que Saldanha seja um dos melhores prefeitos de Lucélia. “Será bom para minha família, amigos, para os lucelienses e para Alta Paulista o desenvolvimento do nosso município.
Nós, vereadores, não estamos jogando contra a administração, pelo contrário. O que depender do Legislativo para dar suporte para a cidade prosperar, faremos”. Romildo destaca que precisa de união para progresso de Lucélia. “O prefeito tem que sentar com assessoria e traçar um novo plano, já que a administração não deu certo até o momento, é necessário um novo planejamento administrativo focado no desenvolvimento”, finaliza.
Fonte: João Vinicius _ Do GI NotíciasVoltar para Home de Notícias
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