ALL 'culpa' empresários da região pela falta de transporte ferroviário
Nossa Lucélia - 23.05.2014


Durante encontro em Presidente Prudente, a empresa alegou que o funcionamento dos trens está atrelado à demanda

REGIÃO - Representantes da América Latina Logística (ALL) estiveram reunidos na manhã desta quinta-feira (22) na sede regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), no Jardim Marupiara, em Presidente Prudente, com representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), do Ministério Público Federal (MPF), do Sindicato dos Ferroviários da Alta Sorocabana e do governo do Estado de São Paulo, além de empresários, para discutirem e firmarem possíveis contratos com empresas na região para o transporte ferroviário.

Se, por um lado, a ALL pede que os empresários comprovem a demanda que justifique a reativação do transporte, por outro, empresários e representantes públicos dizem que a ALL é quem deveria disponibilizar estrutura para a região firmar contratos com a empresa.

Durante o evento, empresários dos setores de sementes, cimento, combustíveis, alimentos, entre outros, destacaram a necessidade da ativação do transporte ferroviário com qualidade no serviço e a preços acessíveis.

O presidente do Sindicato dos Ferroviários da Alta Sorocabana, José Claudinei Messias, apresentou dados sobre a desaceleração do transporte ferroviário na região. “Em 2008, por exemplo, foram transportados 3.961 vagões de combustíveis e 532 de cimento. Neste ano, apenas 10 vagões de cimento foram transportados. Nós temos a demanda e isso já foi comprovado. Após a privatização, houve um retrocesso, falta de investimento, de visão, de compromisso, e isso se reflete hoje”, destacou.

O superintendente de Relações Institucionais da ALL, Evandro Abreu de Souza, enfatizou em seu discurso que a ativação do transporte ferroviário na região está atrelada à demanda, uma vez que a transportadora tem fins comerciais. “O transporte férreo depende do volume de carga e descarga. Eu respeito todas as colocações e não há intenção de causar ineficiência no sistema, pelo contrário, que seja eficiente, mas para o país”, rebateu Souza.

Segundo o representante da ALL, a transportadora está aberta para receber as propostas dos empresários e, dependendo da viabilidade, retornar as atividades na região. “Vamos levar todas as propostas dos empresários para a ALL analisar”, acrescentou Souza.

VICE-VERSA - A cobrança da ALL para que deva ser apresentada a demanda para reiniciar os serviços na região não agradou aos empresários e representantes presentes. Para muitos deles, a transportadora é quem deveria oferecer estrutura para o transporte ferroviário. “O que está faltando é seriedade por parte da ANTT e da ALL porque demanda existe, e de sobra. Nós estamos esperando, há dez anos, a ALL ter o trecho ativado, e a preços competitivos, para transportamos as cargas. Se não tem trecho ativado, como é que vai firmar contrato?”, questionou o vice-diretor regional do Ciesp, Itamar Alves de Oliveira Júnior.

COBRANÇAS - A manutenção nos trilhos que cortam a Alta Sorocabana e, principalmente, no trecho compreendido entre Presidente Prudente e Presidente Epitácio, também foi alvo de cobranças à ALL e à ANTT. O procurador da República, Luís Roberto Gomes, que abriu um inquérito civil público pedindo a manutenção do trecho e também a fiscalização e uma atuação mais efetiva da ANTT, reiterou a cobrança no encontro.

“Eu chutei o balde e cheguei a uma ação civil pública que até pedia a anulação do contrato de concessão da ALL e também figurava no polo passivo a ANTT, porque ela tem de ser firme e cobrar. Ela é uma agência reguladora e tem de exigir. O Ministério Público Federal está de olho porque não basta fazer uma fiscalização, instaurar o processo e ficar por isso mesmo. Estamos acompanhando atentamente este trabalho”, destacou o procurador.

Por sua vez, o representante da ANTT, José Ricardo Noronha de Carvalho, se defendeu dizendo que a agência tem atuado no sentido de fiscalizar e punir eventuais irregularidades. “Nós temos sido firmes. A ANTT pode até ter falhado aqui ou ali, mas não tem sido negligente de maneira alguma. Ela tem feito as fiscalizações com uma periodicidade, indicando as correções que devem ser feitas e, em caso que couber, aplicando multas, que é o máximo que podemos fazer. Fora isso, declarar a caducidade, mas seria um processo muito complexo e que pode não resultar em um benefício para a população em geral”, rebateu Carvalho, que ocupa o cargo de gerente de Controle e Fiscalização de Infraestrutura e Serviços.

Os representantes da ALL se disponibilizaram a atender na tarde desta quinta-feira (22) os empresários com interesse em firmar contratos com a transportadora férrea.



Fonte: Valmir Custódio _ Do iFronteira.com

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