TJD de São Paulo investiga suposta escalação irregular no Azulçao de Osvaldo Cruz
Nossa Lucélia - 23.05.2014


Em súmula, Luciano consta como autor do gol da vitória do Osvaldo Cruz contra o Presidente Prudente. No entanto, atleta em campo se chamava Eduardo Vinicius

OSVALDO CRUZ - O caso de um gol "marcado" por dois jogadores está sendo investigado pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo. O TJD apura se o Osvaldo Cruz escalou um jogador irregular no jogo contra o Presidente Prudente Futebol Clube (PPFC), que foi disputado no dia 27 de abril pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão (que na prática é a quarta divisão). O motivo é que, na súmula, o nome do autor de um dos gols do Azulão consta como Luciano Genaro de Lira. Porém, segundo denúncia apresentada pelo PPFC, não havia nenhum Luciano Genaro. Eduardo Vinicius Silva Nunes é quem teria feito o gol - de acordo com a diretoria do Presidente Prudente, Eduardo teria entrado em campo usando documentos de Luciano.

O próprio Luciano Lira garante que não esteve em campo.

O jogador afirmou que fez alguns testes no Azulão há pouco mais de dois meses, mas não chegou a vestir a camisa da equipe.

- Levei um susto quando fiquei sabendo da história. Me ligaram do Presidente Prudente e perguntaram se eu havia feito um gol contra a equipe deles. Disse que não. Aí pediram que eu falasse na sede da Federação Paulista e fomos juntos até lá. Estou aliviado porque estava com medo de ficar como cúmplice dessa história - explica Lira.

Na ficha de cadastro de Luciano na Federação Paulista de Futebol constam um jogo e um gol - problema é que ele não defendeu nenhum clube neste ano. Já Eduardo, que fez três jogos, tem apenas duas entradas em campo registradas na FPF. Por isso, o Presidente Prudente formalizou a denúncia. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da entidade confirmou que "o processo está em fase de apuração e, provavelmente, será julgado no dia 2 de junho".



- No dia seguinte ao jogo, li a matéria do GloboEsporte.com sobre a partida e lá dizia que Eduardo saiu do banco e fez o gol da virada. Porém, era o nome de um Luciano que constava no registro oficial (súmula). Foi então que fomos atrás e descobrimos toda a história. O Eduardo entrou em campo com o documento do Luciano. Tudo o que queremos é respeito com as equipes - relatou Mateus Ramos Grosso, presidente do clube prudentino.

PROCEDIMENTOS DO JOGO - Antes de cada partida, conforme a própria Federação, a orientação dada aos árbitros é de que seja checada a carteirinha de registro do atleta fornecida pelo clube. No dia 27 de abril, de acordo com a súmula, o registro apresentado pelo clube constava o nome de Luciano Genaro de Lira.

- Minha carteira de registro profissional ficou no Osvaldo Cruz quando fiz testes por lá. É provável que a usaram com um outro jogador - supõe Lira.

Já nas duas últimas partidas do Osvaldo Cruz (contra Bandeirante e Assisense), Eduardo Vinicius Silva Nunes já estava nas súmulas.



OUTRO LADO - Eduardo, que soma três jogos e um gol, disse desconhecer a suposta irregularidade. Ele garante que sua documentação estaria em dia. Além disso, disse não saber que o gol marcado por ele, bem como a partida contra o PPFC, não constavam em sua ficha de cadastro no site da Federação, muito menos que havia sido "substituído" por Luciano Genaro de Lira.

- Eu constava (na escalação), por isso entrei em campo. Até agora não sabia disso, me disseram que eu estava inscrito, joguei com a minha documentação.



Walter Zaparolli, presidente do Osvaldo Cruz, também disse não saber nada sobre o caso.

- Não acompanho isso, nem sei quem fez os gols. Tudo é conferido, não tem essa expectativa de trocar uma ficha com outra. Não é o presidente que vai fazer a súmula. Pode ser que teve um erro, mas não acredito que isso ocorreu.

O presidente disse que a responsabilidade de checagem dos documentos é da comissão técnica.

- E a comissão (do jogo contra o Prudente) nem está mais no clube.

Na época da escalação do jogador, era Carlos Spinoza quem comandava a equipe. O ex-técnico, por outro lado, diz que ele apenas relacionava os jogadores.

- Nunca vi ficha de jogador. O que eu fazia era listar os jogadores e passar para eles (clube). Depois, eles me devolviam a relação com os nomes daqueles estavam com condições ou não de jogar.



Fonte: Do GloboEsporte.com

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