Vereadores apontam Santa Casa como principal problema de Lucélia
Nossa Lucélia - 18.05.2014
Confira o que pensa Valdemir Antônio Uemura (Miro) e Valdecir (da Sabesp) Pereira da Silva
LUCÉLIA - A saúde é motivo de reclamação da comunidade em todo país, e em Lucélia não é diferente. Os vereadores Valdemir Antônio Uemura (Miro, do DEM) e Valdecir (da Sabesp) Pereira da Silva (PSDB) definiram a Santa Casa como principal problema que administração municipal enfrenta atualmente.
Em série de entrevista do IMPACTO, os parlamentares avaliaram a gestão do prefeito Osvaldo Alves Saldanha, atuação dos vereadores, atitudes do Executivo consideradas contra o funcionalismo público, entre outros temas que serão debatidos a partir desta semana neste semanário.
Eleitos em 2012, Miro e Valdecir estão no primeiro mandato como vereadores. Os dois avaliam a nova experiência como positiva após 16 meses de legislatura. “É uma novidade, na qual agora estou tendo mais conhecimento, vendo como a política funciona no município e Estado, a burocracia que existe para execer a função e como é ser um bom parlamentar. Muitas vezes, quando não era vereador, fazia cobranças sem saber as dificuldades que o vereador tinha para tentar resolver o problema da cidade. Acredito que desempenho meu papel muito bem, pois trabalho com afinco para atender as expectativas dos meus eleitores e da população em geral”, afirma Valdecir da Sabesp.
Miro também afirma que tinha outra visão sobre a política de Lucélia. “Não tinha envolvimento com a política, principalmente do município, que é uma política que ao logo dos anos vêm de uma briga de poderes entre dois partidos. A minha atuação pode ser considerada como “oposição”, que tem que existir dentro de um processo político, se não ficaria muito mais fácil as pessoas usufruírem do poder para se beneficiar. Está sendo muito gratificante este início de mandato, quero representar todos os votos que tive na eleição e pretendo continuar representando bem”.
Entre as principais conquistas do mandato, Valdecir, líder do prefeito na Câmara, destaca a atuação junto aos deputados Mauro Bragato e Samuel Moreira (PSDB), com quem define que aprendeu sobre a atuação de vereador. “São parlamentares que me ensinam sobre o papel do vereador, além de viabilizar as indicações para tentar ajudar o atual prefeito a administrar Lucélia. Fazemos uma indicação, um requerimento, pedimos o asfaltamento de uma rua ou a construção de um Centro Comunitário, e muitas vezes não vemos as dificuldades da administração, a falta de recursos para atender o pedido, para executar o serviço. Então, faço os pedidos e indicações, mas também dou subsídio para o prefeito executar perante emendas parlamentares destes deputados, como R$ 400 mil para recapeamento e a conquista de Centro Comunitário em torno de R$ 223 mil”.
Já Miro destaca a conquista de dois cursos profissionalizantes por meio do programa Via Rápida, que deverão ser realizados no próximo mês. “Vemos a necessidade de melhorias em diversas áreas do município e dentro do possível, tenho buscado os recursos junto aos deputados, como o líder do Democratas Estevam Galvão, e, por exemplo, na Secretaria de Ciência e Tecnologia, que sinalizou dois cursos da carreta da Via Rápida, já que vemos a necessidade da população se profissionalizar dentro do contexto da cidade, porque não temos condições de trazer grandes empresas para nossa região, devido a logística que é difícil. Não é nossa obrigação, mas temos que procurar trazer algo de bom para os moradores se profissionalizarem”.
Mesmo com a falta de grandes indústrias e de qualificação dos lucelienses, os vereadores apontam como principal problema a atual situação da Santa Casa, que está sob intervenção municipal. “Hoje, é essencial sanar a dívida da Santa Casa. Atualmente, a prefeitura repassa mensalmente aproximadamente R$ 360 mil para o hospital. Então, foram cerca de R$ 4,2 milhões gastos no ano passado, que poderiam ser investidos, não em sua totalidade, mas no aumento salarial dos servidores, na infraestrutura do município. O ponto crítico do nosso município é a Santa Casa”, afirma Valdecir.
Na segunda-feira (12), vereadores participaram de reunião para ficar a parte da situação do hospital, feita pelo prefeito e interventor Aparecido Pelloso, que analisam a possibilidade de devolver a mesma para a Irmandade. “A saúde é uma questão complicada, se não tiver recurso para movimentar fica difícil. Penso que, se assumiu, foi sabendo da situação que estava. E durante a campanha eleitoral, o atual prefeito disse que entre as propostas estava: - “melhorias na infraestrutura da Santa Casa com aquisição de equipamentos e contratação de profissionais da área da saúde. Assumimos o compromisso com a população de Lucélia de que a Santa Casa continuará com intervenção do município”. Digo que não é obrigado a cumprir, mas é compromisso político. A maneira que pegou administração, sim, acredito que tenha deficiências, mas tem que gerir desta forma. Quem tem que dar um jeito é o prefeito”, argumenta Miro.
Outro problema apontado pelo vereador são os buracos que se multiplicam pelas vias de Lucélia. “A parte infraestrutural parece um queijo suíço, cheios de crateras pela cidade. Poderia ter um pouco mais de atenção, como uma operação tapa-buracos”, afirma Miro. A situação do estádio municipal também é citada durante a entrevista. “Trabalho com afinco em relação ao estádio, vou pegar este problema em caráter de honra, já que virou uma novela. A Copa Amnap, que Lucélia foi campeã, não pôde ser disputada a final em sua própria cidade devido atual condição do local. Não é culpa do prefeito Saldanha e sim da administração que passou e não terminou, deixando um ponto de interrogação nesta obra”, comenta Valdecir da Sabesp.
Outro assunto questionado pelo vereador da oposição foi os projetos enviados ao Legislativo, considerados “contra o funcionalismo”. “Se perguntar para qualquer funcionário público, ninguém está contente com administração Saldanha. É notório, pode sair na rua e perguntar, não é mentira. Questione o servidor sobre o que pensa do Saldanha a frente da prefeitura. Venho defendendo a reestruturação salarial desde o início, mas o problema é como o prefeito encontrou a administração. Daí a necessidade de todos esses projetos que foram feitos, tanto da insalubridade, dos 30% da educação, que foram rejeitados pela Câmara”, disse Miro.
Para Valdecir, o funcionário público deveria ter um melhor salário, mas esses questões só o Saldanha pode responder. “Creio que essas atitudes quem deveria responder é o prefeito, já que tudo que foi enviado à Câmara que foi contra o funcionário, para tirar algo do servidor, todos os vereadores foram contra o prefeito, todos foram favoráveis aos trabalhadores”.
O líder do prefeito na Câmara avalia a administração como positiva, devido aos problemas herdados da gestão anterior. “Tiro o chapéu para Osvaldo Alves Saldanha. Pegar um município que passou por um 'tsunami petista', no qual Lucélia retrocedeu no desenvolvimento, é complicado. E quem pagou esse preço tão caro foram os cidadãos. Recentemente, a atual administração fez uma obra com aproximadamente 1/3 a menos do que era cobrado na gestão passada. Isso é brincar com dinheiro público. O prefeito pegou o município precário, endividado e sem crédito”.
Miro contradiz a opinião de Valdecir. “Sou mais crítico, Saldanha teve um programa de governo, mas que não é obrigado a cumprir. Politicamente, deve fazer o que se prometeu. Montou o programa de governo, mas encontrou vários fatores que o impede que faça o que programou. Neste momento afirmo que os secretários devem ser reavaliados por Saldanha. O prefeito está querendo acertar, de fato vemos uma pessoa de uma honestidade fora do normal dentro de um processo político, penso que seja capaz de estar exercendo a função de prefeito, culto e educado, mas em alguns setores acredito que deveria fazer uma análise melhor de quem lhe ladeia. Acredito muito no trabalho do Saldanha, que vem mostrando, não para os munícipes no momento, mas com trabalho nos bastidores, mas a equipe deixa a desejar em alguns pontos”.
Sobre o relacionamento entre Executivo e Legislativo, principalmente após a última sessão em que a prefeitura respondeu requerimento da vereadora Ângela Iura (PV) dizendo que a mesma deveria buscar os recursos para a solicitação, que era aumento salarial para as agentes de endemias, Miro afirma que o prefeito não tem valorizado a Câmara. “Não valoriza, isso é notório, apesar de ter ficado 12 anos como vereador. Penso também, que talvez não seje totalmente responsabilidade do prefeito nas questões das repostas. E quero deixar claro que foi um absurdo o que ele ou quem quer que seja respondeu. Não pode ter uma resposta daquela forma: - “a, você corra atrás do recurso”. Isso não é obrigação do vereador. Todos se sentiram indignados, não esperavamos uma resposta desta maneira”, afirma Miro. “Creio que não seja desta forma que se dê uma reposta à vereadora, que desempenha seu papel. Também acredito que não seja desta forma que o prefeito quis dizer”, se posiciona Valdecir.
Além do Executivo, os vereadores avaliaram a atuação do Legislativo de Lucélia, destacando a união. “Conversamos muito, temos união e, acima de tudo, uma presidente possui uma carreira política muito grande, tem um conhecimento na vida política no qual passa para os outros vereadores, explica muitas coisas. Como disse que ainda sou leigo no assunto, temos conhecimento com a presidente que conversa, dá respaldo para alcançarmos os objetivos. Agradeço muito o trabalho da presidente Ivone Mazini Pernomian (PSDB)”, disse Valdecir.
“Penso que minha atuação não é diferente de nenhum dos 11 que estão na Câmara, temos visto uma unidade, um município com muitas dificuldades, que já sofre, não somente nestes últimos oito anos, mas anteriormente. Muitas vezes os requerimentos e indicações que o vereador faz, não saem do papel. Não vou aqui tacar pedra no prefeito, por que sei da situação do município, mas só acho que a assessoria da prefeitura tem que ser mais ágil. O prefeito tem que ver qual secretaria que funciona e qual não está cumprindo com seu papel, o que é 'falado' na cidade e o que não está”, argumenta Miro.
Os parlamentares pedem que a populaçãoa acredite no trabalho dos vereadores. “Existe um processo de rejeição por parte dos políticos em modo geral e tem atingido os municípios da região também, haja visto as manifestações [pichações] que aconteceram em Lucélia. Mas, temos buscado reverter este quadro e a corrupção não pode ser generalizada. Se você, cidadão, deixar de acreditar na política que é única forma legal de modificar a sociedade, as possibilidades de transformação também diminuirão”, afirma Miro.
“Gostaria que a população, nestas próximas eleições, que votem em deputados que trabalhem e ajudem nosso município, honrem esses deputados. Temos parlamentares Copa do Mundo, que só vem a cada quatro anos. Exemplos não faltam, deputados que estão entre os mais votados em nossa cidade e até agora não participaram em nada com a atual administração. Que os munícipes analisem muito bem”, finaliza Valdecir.
Fonte: João Vinícius _ Do GI NotíciasVoltar para Home de Notícias
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