Cafeicultura: Contribuiu para alavancar e também para estagnar o crescimento econômico e demográfico da região
Nossa Lucélia - 05.05.2014



REGIÃO - Das famílias desbravadoras desta microrregião que por aqui foram chegando a partir de 1940, 70% se dedicaram à agricultura e mesmo cultivando o algodão, arroz, amendoim, feijão e milho, todas elas sem exceção, transformaram a terra bruta deste sertão, em belíssimos cafezais.

Assim o café se transformou na principal economia da microrregião, pois no ano de 1960, podemos afirmar que 67,825% da população estava concentrada na zona rural.

Para se ter idéia da grandiosidade da cafeicultura, em 1960 eram 44.037.420 pés de café em produção, numa área de 54.342 hectares, entre os municípios de Adamantina, Flora Rica, Flórida Paulista, Inubia Paulista, Irapuru, Lucélia, Mariápolis, Osvaldo Cruz, Pacaembu, Sagres e Salmourão. Isso gerou uma produção de 95.153 toneladas de café em coco.

Em 2013 a cultura cafeeira desses 11 municípios da área do IBGE de Adamantina estava assim : 5.588 hectares com pés em produção, 10,28 % comparando com 1960, e 4.212 toneladas produzidas de café em grãos, transformando isso em café em coco, seria aproximadamente 8.000 toneladas, com equivalência aproximada de 9% da produção do ano de 1960.

A economia em torno da cafeicultura era tão positiva, que muitas famílias que trabalharam como parceiras no cultivo do produto, com os anos se tornaram também proprietárias de terras, adquirindo propriedades com a cultura ou transformando terras nuas em cafezais.

A cafeicultura além de utilizar os colonos que viviam nas propriedades rurais, também se utilizava de moradores da zona urbana, que trabalhavam em sua maioria como diaristas, o que garantia o trabalho, a remuneração e automaticamente o aquecimento no comércio.

A importância dessa cultura era tão grande, que pode-se observar nos brasões de muitos municípios, um galho de café frutificado, representando as terras férteis e o esteio da economia municipal.

O comércio aguardava com muito entusiasmo o final da colheita, pois tinha a certeza que as vendas ocorriam, pois famílias inteiras que se constituíam em muitos membros, vinham para a “cidade” realizar as compras.

Existia nos municípios de Adamantina, Lucélia e Osvaldo Cruz, enormes armazéns do Instituto Brasileiro do Café-IBC, dezenas de maquinas de beneficiamento do produto e vários estabelecimentos que trabalhavam na intermediação da compra e venda do café.

Na noite de 18 de julho de 1975, ocorria a geada negra, que erradicou a cafeicultura da microrregião e do Estado de São Paulo,com uma temperatura abaixo de zero e com o vento que soprou trazendo a grande massa de ar gelado que veio da Antártida, torrou os cafezais que pareciam terem sido queimados pelo fogo.

Com a erradicação dos cafezais e sem uma cultura da sua importância que a substituísse, a repercussão na economia municipal foi brusca.

DEMOGRAFIA - Muitos dos cafeicultores se encontravam sem estrutura para a renovação da cultura e sem oferta de empregos para os parceiros e ou empregados.

Vários proprietários rurais desiludidos e assustados com a situação de seus cafeeiros, desistiram definitivamente dessa cultura.

A partir desta época, o êxodo rural prevaleceu em nossa microrregião, com os moradores migrando para municípios maiores e até para outros estados.

Em 1960 a população dos 11 municípios acima citados era de 189.015, sendo 60.814 moradores na zona urbana e 128.201 na zona rural.

No Censo Demográfico de 2010, com 12 municípios incluindo Pracinha, a população total era de 137.828 moradores, na zona urbana 117.579 e 20.249 habitantes na zona rural, equivalente à 15,794 %, da população rural de 1960.

Lembrando que temos instaladas nesses municípios 7 penitenciárias, com o seu contingente, registrados como residentes na zona rural.


Fonte: João Carlos Rodrigues (Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE)

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