Auditoria apura irregularidades na Santa Casa de Osvaldo Cruz
Nossa Lucélia - 22.03.2014


Justiça bloqueou contas do hospital por atraso no pagamento de servidores. Gestor foi demitido e confirma que pode ter havido falhas na administração

OSVALDO CRUZ - O ex-provedor da Santa Casa de Osvaldo Cruz, Rafael Lanzoni, foi demitido após uma auditoria na instituição, que teve início em dezembro de 2013. O decreto que autoriza a demissão foi assinado pelo prefeito do município, Edmar Mazucato (PSDB).

Em três meses, a auditoria produziu quatro relatórios que foram entregues às prefeituras de Osvaldo Cruz, Sagres e Salmourão, gestoras do hospital. A comissão não informou detalhes sobre o resultado da vistoria, que deve ser finalizada em 30 dias, mas apontou diversas irregularidades nos pagamentos de fornecedores e na prestação de contas da instituição.

“Algumas irregularidades eram da forma com que estavam sendo feitos os registros contábeis, registros financeiros na tesouraria, os procedimentos de registro e controle e farmácia. Foram vários aspectos em várias áreas na Santa Casa. De uma maneira geral, tudo pode ter contribuído para a atual situação do hospital, já que uma empresa ou entidade não tem como sobreviver se não estiver bem organizada, ainda mais um local como o hospital, que recebe recursos variados”, explica o membro da comissão, Roberto Pazotto.

Em contrapartida, o ex-gestor da Santa Casa não nega que pode ter havido falhas na administração da instituição, no entanto, ele se defende. “Quando assumi o cargo, o setor financeiro do hospital fazia controle em caderno e caneta, não existia nada informatizado. Não sei se existia má-fé, mas existia falha de controle. Implantamos um sistema de informática em novembro e com o tempo, nosso objetivo era ter o total controle de tudo que era feito no hospital. Nessa época em que a auditoria esteve no hospital, em nenhum momento fui procurado para prestar qualquer esclarecimento ou alguma informação ou algum esclarecimento das decisões que eu tomava no hospital. Não tenho conhecimento de nenhum dos relatórios que eles alegam ter apresentado, eles devem ter entregue o documento apenas para as prefeituras”, explica.

Desde 2013, o SPTV acompanha as dificuldades financeiras da Santa Casa. Neste período, os atendimentos foram prejudicados pela falta de verbas e pacientes foram transferidos para outras cidades da região. As contas, foram bloqueadas pela Justiça por atraso no pagamento de salários e até os telefones foram cortados. Neste ano, 27 funcionários foram demitidos na tentativa de reduzir as despesas.

Enquanto o impasse continua, quem sofre com as consequências é a população. “Demora de três a quatro horas para atender o paciente. Ontem eu vim aqui, não fizeram nada e mandaram eu voltar hoje. Voltei e até agora, ninguém fez nada”, diz a dona de casa Ana Silva ribeiro.


Fonte: Do G1 Presidente Prudente



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