Presos da Cadeia de Dracena são levados para presídio de Caiuá
Nossa Lucélia - 21.03.2014


Comboio entrou no Centro de Detenção Provisória sem ação dos grevistas. Paralisação dos agentes penitenciários entrou no 11º dia nesta quinta (20)

DRACENA - Um comboio da cadeia de Dracena foi levado na tarde desta quinta-feira (20) para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá. De acordo com o delegado seccional, João Paulino, a entrada dos 29 presos foi tranquila e eles já integram o sistema penitenciário.

Poucas horas antes, o mesmo presídio havia recebido cerca de 30 presos que estavam na Cadeia de Presidente Prudente. Entretanto, houve negociação entre a Polícia Civil e os agentes penitenciários em greve. Houve participação também da Tropa de Choque da Polícia Militar e do Grupo de Operações Especiais (GOE).

A segunda operação, de acordo com o delegado, foi realizada apenas pela Polícia Civil. “Não houve complicações. Eles entraram sem dificuldades e deixaram os presos. O comboio ainda tinha outros dois detentos que foram levados para Presidente Venceslau, também na cadeia”, afirmou.

Com a transferência, a cadeia de Dracena ficou vazia. “Tínhamos 31, mas a capacidade é de 20 presos. Agora, voltamos a receber com folga os presos que cometerem crimes na região”, disse Paulinho.

A superlotação de cadeias é uma das consequências da greve dos agentes penitenciários, que completa 11 dias nesta quinta. De acordo com o Sindicato dos Agentes Prisionais do Estado de São Paulo (Sindasp), cuja sede regional fica em Presidente Prudente, a paralisação atinge 90% dos presídios paulista.

A categoria reivindica diversos benefícios, entre eles, bônus para os profissionais, correção do auxílio-alimentação, fim do teto base, convocação remunerada durante a realização de blitz, redução de classes de carreira e bico legalizado.

A única proposta feita pelo governo estadual – e recusada pelos grevistas em assembleia – oferecia promoção imediata para todos os agentes de segurança penitenciária (ASP) de oito para sete, pagamento de diárias especiais para 362 homens por dia, com limite para dez diárias para cada servidor, e adicional por periculosidade de R$ 179 para R$ 250 aos profissionais das classes meio e de saúde.

A continuidade da greve deve ser votada nesta quinta-feira em assembleias pelo estado. Uma reunião ocorreu durante a semana entre a comissão que representa os servidores e o governo, mas nenhum acordo foi feito. A Secretaria de Segurança Penitenciária (SAP) afirma que está disposta a negociar. Mas o Sindasp alega que o Estado quer que a greve acabe para começar as conversas.

Em nota, a secretaria informou na tarde desta quinta que 88 das 158 unidades prisionais do Estado estão com parte de seus serviços paralisados por conta da greve dos agentes penitenciários e reforça que o Sindicato de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) está notificado desde a última terça-feira (18) da liminar da Justiça que proíbe que os servidores impeçam transferências e remoções. A multa é de R$ 100 mil por unidade sindical, em caso de descumprimento.

“O Governo do Estado de São Paulo mantém sua disposição de negociar com as entidades representantes dos agentes penitenciários e espera responsabilidade dos líderes do movimento na manutenção dos serviços essenciais determinados por lei. A Secretaria de Administração Penitenciária está tomando as medidas necessárias para que a liminar seja cumprida”, finaliza o documento.



Fonte: Pedro Mathias _ Do G1 Presidente Prudente (Com informações de Rogério Pires, da TV Fronteira)



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