Ex-prefeito se pronuncia: "Deveriam trabalhar mais e se preocupar menos com a gestão anterior"
Nossa Lucélia - 15.03.2014


Kiko (DEM) fala sobre assuntos polêmicos que envolvem sua gestão

ADAMANTINA - Em entrevista exclusiva ao Impacto o ex-prefeito José Francisco Micheloni, o Kiko (DEM), fala sobre assuntos polêmicos que envolvem sua gestão. Sobre a atual administração, Kiko avalia como desalinhada por falta de um líder, mentirosa e com falta de transparência. Confira com detalhes as colocações do ex-prefeito, que desabafou: “até agora fiquei quieto, não 'atirei', mas agora vou 'dar tiro de canhão'”.

Questionado sobre como avalia a sua própria gestão, Kiko afirma que sempre há opiniões diferentes, pessoas que aprovam e desaprovam, afinal não há unanimidade. “Aprendi com a política, era fechado e tímido. As pessoas confundiam o meu jeito como sendo bravo. Não me arrependo de nada, foi um período muito bom para mim e acredito que para a cidade também”.

“Sou favorável a uma política sadia. Cada um precisa dar sua contribuição para a cidade e deixar que outros façam o mesmo. Acredito ter feito minha parte”.

Para ele, a gestão Kiko Micheloni foi positiva e deixou benefícios para Adamantina. “Se numerar, modéstia a parte, falo em nome da administração como um todo e também dos vereadores que colaboraram, sem dúvida trouxemos coisas importantes, como exemplo, não são todos os municípios que têm o esgoto 100% tratado. E até 2030 a administração pública não terá preocupação com o abastecimento de água”.

Outro destaque foi a restauração da escola de oficina mecânica na Etec. Kiko lembra que estava tudo parado e com R$ 4 milhões foi restaurada e modernizada, sendo a única escola a oferecer o curso até Marília.

Na parte agrícola Kiko destaca a usina de leite e usina de frutas, o Programa Melhor Caminho e a reestruturação do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Na parte da educação, o ex-prefeito ressalta a reforma das escolas Eurico Leite, Teruyo Kikuta, Navarro de Andrade.

“Quando falamos em conquistas e Poder Público temos que pensar numa sequência de trabalhos. Não adianta o prefeito dizer que vai fazer tudo e resolver tudo, que não vai. Por exemplo, das poucas coisas que o Laércio empreendeu por causa da gestão complicada que teve, lembro que o que ficou para nós finalizarmos foi a Rede Feminina. E demos sequência, nunca reclamamos. Isso é gestão pública”.

FATEC – Um assunto que há mais de um ano tem sido discutido é a Fatec (Faculdade de Tecnologia). Local da obra, troca de terreno, área apropriada ou não para a construção da unidade e início das aulas em prédio provisório são apenas algumas das dúvidas mais frequentes.  Sobre a polêmica, Kiko afirma: “Toda mudança é por questões políticas”.

“Tenho certeza de que não vamos perder a Fatec, pois confio na palavra do governador e do deputado Mauro Bragato. Sinto dizer que a esta administração, para muitos, já é tachada de caluniadora, mentirosa e intransparente, principalmente pelas notícias vinculadas pela assessoria de imprensa, que interpreta fatos de maneira tendenciosa e mascarada. O que não faz bem para a população”.

Sobre a área para a Fatec, Kiko afirma que não houve nenhum questionamento na época. “Quando adquirimos o terreno, nunca houve nenhum apontamento. A planta foi elaborada e estava tudo certo durante todo o tempo, até a entrada da nova administração, que começou a achar defeitos no projeto”.

O ex-prefeito cita Fatecs de outros municípios que se concentram no centro das cidades, exatamente para facilitar o transporte. “A área apresentada no centro é totalmente suficiente e com facilidades por estar perto da rodoviária. O projeto era vertical, para seis cursos. A Fatec de Marília tem seis cursos. A área é mais que suficiente. Agora, a mentira e a calúnia se tornam ainda maiores porque na sequência do terreno vertical nós oferecemos os lotes 13 e 12, com mais de 800 metros cada, o que totalizaria mais de 10 mil metros quadrados. Por que eles estão alegando de falta de espaço? Se não é má vontade, posso dizer que é 'dor de cotovelo' por ter uma placa lá de lançamento de futuras instalações da Fatec com meu nome. A placa do Córrego Caldeira foi retirada. Para não tirar outra placa, eles acharam interessante mudar o local. Digo e reafirmo: o terreno é mais do que suficiente. Se não bastar a minha afirmação, consultem a prefeitura e órgãos competentes para saber se não há mais dois terrenos ao lado, e que ao todo ultrapassariam a metragem que eles alegam. Se trata apenas de política. Quais os interessados não cabe a eu julgar, a justiça está ai e não vou me meter onde não fui chamado”.

Questionado se caso tivesse a oportunidade de hoje escolher entre as duas áreas, Kiko confirma: “não trocaria porque a Fatec não tem nada a ver com a zona rural, como alguns mal informados alegam que a área seria para aumento do campus. Fatec não tem campus e sim laboratórios, e na construção prevista pelo Paula Souza constavam os laboratórios. Além disso, temos jornais recentes em que constam que em sua visita o técnico do Centro Paula Souza afirmou ser as duas áreas aptas, dependendo da escolha do atual prefeito. Infelizmente tem política na 'história' e fico chateado”.

Para ele, a obra já era para estar em andamento e os cursos acontecendo em prédio provisório. “Mas tenho confiança no governador e no deputado. Perder não vamos, mas entristece ver essa falta de interesse de uma coisa extremamente importante para o município, a consolidação de Adamantina como polo regional da educação. A FAI caminha muito bem e tenho orgulho disso, pois o curso de medicina está cada vez mais próximo, mas a Fatec ainda não”.

OBRAS PARADAS – Sobre inúmeras obras paradas e inacabadas em sua administração, Kiko questiona: “por que a biblioteca não está pronta, o problema sou eu? O que fazer se quem ganhou as licitações foram três empreiteiras problemáticas que querem aditivos em obras públicas? Reconheço que poderia ser melhor, mas se eu fosse um prefeito tão ruim teria problemas com o Tribunal de Contas. Não temos nenhum apontamento grave em oito anos”.

Entretanto, Kiko assume os erros. “Tivemos erros sim, mas infelizmente vivemos um período em que um emaranhado de leis atrapalha até a vida particular, quem dirá a vida pública. Mas existe sim falha em elaboração de projetos, falha burocrática, mas principalmente com a expansão do mercado imobiliário, que causou o surgimento de micro e pequenas empresas beneficiados em licitações, e isso nos causa transtornos”.

Kiko destaca o problema da ponte do bairro Boa Vista, desejada há mais de 25 anos e conquistada pela sua gestão. Pelo fato da empresa que iria fornecer a estrutura metálica para o Governo ter falido, a obra está parada. “Além disso, a prefeitura retirou parte do madeiramento de sustentação e temos testemunhas disso”. A obra da UBS na Estância Dorigo também foi citada como deixada e não acabada.

“Que prefeito não gostaria de inaugurar posto de saúde, creche e biblioteca? Entretanto, pergunto, se o problema foi nosso, então por que até agora as obras não estão finalizadas? Já se foram 14 meses”.

Para Kiko, “a população tem que saber ler e interpretar as notícias, ir mais a fundo e analisar. Tem muita malícia e maldade nas informações e uma coisa que não tive foi maldade. Se eu ousar voltar à política, o que não pretendo, pois estou feliz com a família e acredito já ter dado minha contribuição para a cidade, pensaria diferente”.

AÇÕES TRABALHISTAS – Outra 'maldade' citada por Kiko é referente às ações trabalhistas. “Um escritório de advocacia muito ligado à atual administração incentivou vários servidores a entrarem com uma ação. Entretanto, R$ 2,5 milhões é outra calúnia e mentira, pois o juiz daqui não está concedendo a integridade do pagamento de novo, no máximo os 30% das férias, não o salário e mais 30%, como estão afirmando.

Somando, não dá este valor que estão estipulando. Caberia até uma ação da minha parte, mas não estou me preocupando. Acredito que deveriam trabalhar mais e se preocupar menos com a administração anterior”.

Kiko completa com um ditado popular: 'o tiro saiu pela culatra'. “Achando que as ações iriam sair antes para prejudicar a minha gestão, 'o tiro saiu pela culatra', porque demorou e quem assumiu o compromisso foi ele”.

O ex-prefeito afirma que “nenhum funcionário ficou sem receber em sua gestão o salário do mês, 30%, nem as férias. Entretanto, a folha de pagamento é rodada uma vez por mês, e quando recebemos a notificação, nos adequamos”. 

Kiko diz que 'quem deu prejuízo para a prefeitura foi ele [Ivo Santos]'. “Temos que pagar R$ 3 milhões por ano de Fapen (Fundo de Aposentadoria e Pensão Dos Servidores Municipais), investimento que Ivo criou sem o parecer dos assessores da época. Fez, aposentou um mundo de pessoas ganhando R$ 10 mil e R$ 8 mil, e isso desfoca os cofres da prefeitura em R$ 3 milhões por ano ou mais. Fora R$ 1 milhão de dívida do INSS que tem que ser paga mensalmente. Esses exemplos, sim, é o que causam prejuízos. Ele também vendeu os ônibus da prefeitura na gestão anterior, veículos adquiridos por Sérgio Seixas. Com eles não estaríamos precisando de transporte terceirizado e sim, gerando empregos. Que nossa administração pode ter causado prejuízo, pode, mas me aponte primeiro a decisão da Justiça, ai sim vou reconhecer. Nossa administração nunca pagou 13º para secretários, como feito na gestão dele. Na gestão anterior ele deixou funcionários sem receber para favorecer secretários, que são agentes políticos. Nossa administração não fez isso”.

TICKET APOSENTADOS – Segundo Kiko, em 2008, depois de três anos tentando arrumar alternativas para não cortar o ticket alimentação dos aposentados, ele teve que tomar tal atitude. “Não queria fazer isso, mas foi preciso. E por isso a administração atual me crucificou e foi no cartório registrar como promessa de campanha, prometendo já em janeiro pagar. Demoraram um bom tempo e ainda deram só R$ 60. Isso tínhamos incorporado no dia que cortamos para amenizar a situação”, afirma.

INTRIGAS POLÍTICAS – Para Kiko, quando convém, a atual administração usa a frase “nós seguimos os mesmos passos da gestão anterior” [como no caso do rodeio] e quando não convém dizem “a foi culpa da gestão anterior” [obras paradas].

“Uma cidade é construída ao longo das administrações. O prolongamento da avenida Rio Branco, a sede do Tribunal de Contas, a quadra da FAI, reformas nos PSFs não são temas abordados. Deixamos verba em caixa e projetos encaminhados, pois a política é uma sequência, mas mentira e falta de transparência já é outra coisa”.

PRIMEIRO ANO DANOVA ADMINISTRAÇÃO – Kiko avalia também 2013, primeiro ano da nova administração. “Vejo alguns bons secretários, outros nem tantos, e um desalinhamento entre funções que nunca houve anteriormente, troca de funcionários, além de um cumprimento muito fiel aos colaboradores de campanha. Coisa que me entristece”.

Exemplificando, ele diz que em seu mandato procurou saber quem eram as pessoas aptas aos cargos. “Hoje não, temos 'amigos do rei' e colaboradores de campanha”. Questionado sobre se a lentidão no início do atual mandato é cautela ou incompetência, Kiko afirma “não ver como incompetência, talvez falta de alinhamento e de um líder”.

INIMIGOS – O ex-prefeito fala também do cuidado necessário ao dar oportunidades às pessoas. “Temos que tomar cuidado com quem damos oportunidade, pois podem virar nossos inimigos, como aconteceu comigo, pois tivemos a coragem de acabar com um monopólio na cidade que perdurou por mais de 30 anos, e meu colaborador virou meu inimigo. E no setor do comércio isso também aconteceu, pois alguns esperavam benefícios e como não tiveram viraram opositores. Se é normal não sei, pois para mim, pedir favorecimentos ao setor público não é certo”.

MARKETING E OPOSIÇÃO – Questionado sobre o marketing usado em sua gestão e a oposição feita por meio das redes sociais ao atual prefeito, Kiko completa com outro ditado: 'quem fala o que quer, ouve o que não quer'. “A internet é um canal que só tende a crescer e as pessoas têm liberdade para se expressar. A liberdade de imprensa não deve ser questionada. Mas quer saber quem faz mais marketing? Compare o quanto cada administração investe em mídia”, finaliza. 


Fonte: Tamyris Araujo _ Do Gi Notícias



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