Comitê contra a fome há 21 anos levando esperanças para 120 famílias lucelienses
Nossa Lucélia - 01.03.2014


Atualmente são 20 pessoas que fazem o trabalho de coleta dos alimentos

LUCÉLIA - Em 1993 um grupo de voluntários não conformados com o alto nível de exclusão social em nosso país, resolveu aderir às idéias do sociólogo Herbert de Souza - "Betinho", e trabalhar em prol da cidadania, ou seja, contra a fome e a miséria de nosso povo.

Atendendo o apelo do sociólogo Betinho, um grupo de pessoas na cidade de Lucélia, aderiu ao projeto, e encampou uma árdua jornada de arrecadar e distribuir alimentos para as famílias mais necessitadas do município. Passados 21 anos, o grupo em menor número de pessoas, mas com a mesma coragem e determinação de 1993, continua.

Atualmente, 20 pessoas fazem o trabalho de coleta dos alimentos, e no primeiro dia útil de cada mês, os 8 membros do Comitê Contra a Fome, fazem a distribuição de cestas básicas para as 120 famílias beneficiadas.

Para receber a cesta- básica, a família é visitada por membros do comitê, e quando se enquadra dentro dos quesitos para ser atendida passa a ser beneficiada. Segundo João Luiz Pernomian é distribuído três tipos de cesta-básica de acordo com o número de pessoas na família. Quem desejar colaborar com o Comitê, basta procurar o Sr. João Luiz Pernomian, na Associação Comercial de Lucélia.

Herbert de Souza "Betinho” foi um dos principais sociólogos do Brasil. Importante pensador e questionador dos problemas e das causas sociais que afligiam a sociedade brasileiro, acabou, como muitos outros intelectuais exilados do Brasil. No golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais, porém. Com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile, em 1971. Posteriormente morou no Canadá e no México. Durante esse período foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia - que ele julgava ser incompatível com o sistema capitalista. Betinho dizia que cidadania é a luta contra a exclusão social, contra a miséria, e mobilização concreta pela mudança do cotidiano e das estruturas que beneficiam uns e ignoram milhões de outros. É querer mudar a realidade a partir da ação com os outros, da elaboração de propostas, da crítica, da solidariedade e da indignação com o que ocorre entre nós.

No fim dos anos 70, a volta de Betinho, o irmão do Henfil, virou marca da campanha da anistia por causa da música “O bêbado e a equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco.


Fonte: Marcos Vazniac



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