ESPECIAL VOX: João Furlan, o luceliense que muda o conceito da medicina na região
Nossa Lucélia - 16.01.2014


O médico propôs a mudar a medicina na região por meio do atendimento ao alcance de todos

SAÚDE - De promessa de um devoto à uma clínica médica, que pratica preços abaixo dos comercializados na região com amplo trabalho filantrópico. É assim que surgiu a Santa Rita Diagnóstico Médico de Osvaldo Cruz, Tupã e em breve Adamantina.

Em um cenário em que a saúde nem sempre é considerada satisfatória no país e muitos criticam a qualidade do atendimento e tempo de espera, poucos dos que podem mudar essa realidade se dedicam ao desafio. O luceliense João Augusto Fragata Furlan, de 36 anos, se propôs a mudar a medicina na região por meio do atendimento ao alcance de todos.

Formado em 2000 pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, especializado em radiologia e pós-graduado em radiologia abdominal em Nova York, com experiência de 10 anos no Complexo da Fundação do ABC em São Paulo, há um ano o médico retornou para Lucélia com o propósito de trazer uma medicina diagnóstica de qualidade e ficar próximo da família.

Com a responsabilidade de ser o primeiro médico da casa, ele conta que a paixão pela área surgiu ainda na infância. “Desde pequeno sabia que seria médico. Achava bonito pessoas de branco e o respeito pela profissão, que hoje em dia nem se tem mais. E apesar de ser o primeiro da família, sempre tive todo apoio necessário em todas as minhas decisões”, afirma.

Em 2012, de volta ao interior, o médico resolveu investir primeiramente em Osvaldo Cruz, por não ter nenhuma clínica nesta área na cidade e na região. “Se analisarmos de Panorama até Marília, encontramos poucas clínicas, mas nenhuma na mesma estrutura da minha, que surgiu para atender primeiramente as classes C e D, com preços abaixo dos praticados”.

Furlan revela que o nome Santa Rita Diagnóstico Médico surgiu de uma promessa feita logo que se formou. “Assim que peguei meu diploma prometi à Santa que sou devoto que quando tivesse uma filha daria à ela o nome de Rita de Cássia e à minha clínica de Santa Rita. E cumpri minhas promessas”.

Católico praticante, Furlan conta que se tornou devoto após ser agraciado com um milagre aos 11 anos, quando o avô Abel Augusto Fragata Filho, de Adamantina, estava muito doente e uma vizinha lhe deu a oração da Santa. Com fé, ainda criança, ele orou, pediu a benção e recebeu o milagre e, desde então, se tornou devoto da Santa Rita de Cássia.

Ligado ao lado religioso, a clínica Santa Rita desenvolve também um trabalho filantrópico com as Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Osvaldo Cruz e Lucélia  e Lar dos Velhos de Adamantina e Osvaldo Cruz.

“Conforme fui glorificado por Deus, que me deu uma família abençoada e um diploma, essa é a forma de ser grato por tudo o que Ele me fez. E vou fazer trabalho voluntário eternamente, enquanto a clínica existir, esse trabalho filantrópico existirá”.

Furlan explica que as entidades foram escolhidas por desenvolverem um trabalho importantíssimo e sério na região. “Antes de definir pelas Apaes e Lar, fui saber como funcionava o atendimento dos pacientes, pois achava que tinham acesso livre para qualquer exame. Mas não, eles entram na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) e esperam como um cidadão comum, e o pedido entra na fila e isso demora até anos. Se queriam algo mais rápido, eram obrigados a pagar.

Agora não, fizemos um cadastro de pessoas atendidas pelas entidades citadas e elas têm acesso a todos os exames, inclusive laboratoriais que a Santa Rita Diagnóstico Médico também oferece, totalmente de graça”, afirma. São aproximadamente 800 pessoas beneficiadas e o médico pretende ampliar este serviço para mais entidades da região.

A CLÍNICA - Na contra mão dos médicos do interior. Assim Furlan é visto por muitos ao inovar com clínicas totalmente modernas, digitalizadas e 100% verde, sem uso de produtos químicos e reveladores. Outra novidade é a disponibilidade dos exames por internet, facilitando o atendimento do paciente, que em qualquer consultório ou mesmo de casa tem acesso aos resultados por meio de uma senha.

A Santa Rita Diagnóstico Médico oferece aos pacientes desde exames laboratoriais simples aos mais complexos, como radiologia, raio-x, ultrassom, mamografia, densitometria óssea, tomografia, ressonância magnética, espirometria, punções e biópsias.

“Nenhuma clínica da região conta com um aparelho de ressonância magnética de campo aberto, como o da Santa Rita, pois nenhum empresário se atreveu a colocar um aparelho de tamanha complexidade e custo, não apenas da máquina, mas também de manutenção e operacional. E fomos além. A sala da ressonância conta com ambiente totalmente diferenciado e moderno, para que o paciente tenha mais conforto e se sinta mais à vontade, sem medo do exame, com som ambiente e teto iluminado, tudo de última tecnologia”, explica.

O mesmo investimento será feito na clínica de Adamantina, que deve ser inaugurada até março e contará com novos exames, além dos já tradicionais da Santa Rita. “Vamos inovar ainda mais e trazer para região a primeira máquina de litotripsia - voltada principalmente ao tratamento de cálculos renais, e a medicina nuclear cintilografia – famoso 'contraste'.

Questionado sobre projetos, Furlan revela que é levar, até 2016, a Santa Rita Diagnóstico Médico para mais duas cidades (provavelmente Três Lagoas/MS e Dracena), chegando assim a cinco unidades da clínica e ampliando o atendimento na Nova Alta Paulista.

“Vamos transformar a região em um importante centro de saúde, atraindo novos médicos e trabalhando para contribuir na melhora da qualidade de vida das pessoas que moram aqui. Porque a saúde é para todos”, afirma.

Sobre as dificuldades frente aos negócios e ambição de mudar o conceito da medicina na região, João revela algumas, como denúncias anônima no CRM (Conselho Regional de Medicina) sobre os preços praticados. “Cobramos preços justos. Por que cobrar R$ 1.500 para um paciente fazer uma ressonância, se com R$ 350 é possível fazer o mesmo exame, com qualidade? Sobre lucro, temos lucros, pois se com a tabela SUS, que é a mais barata, é possível ter lucro, com outras superiores também teremos. Mas, por que cobrar 500% do paciente? Isso não é justo e a Santa Rita não faz”.

Com essa baixa nos valores, se comparado às clínicas regionais, muitos pacientes que ficavam anos na fila de espera do SUS, preferem pagar um preço acessível e fazer o exame na mesma semana que é solicitado.

O médico recorda de uma das pacientes que atendeu e a história lhe marcou. “Fazia dois exames em uma tratorista de Flórida Paulista e, como de costume, perguntamos quem indicou a clínica e se gostou do atendimento. A resposta foi surpreendente. Ela disse que uma vizinha havia comentado da qualidade dos serviços prestados e dos preços praticados. Questionei ainda se valeu a pena sair de Flórida para vir à Osvaldo Cruz fazer dois exames, e ela me disse que a economia havia sido de R$ 180, valor que ela utilizaria para almoçar o mês todo”, conta Furlan. “Foi gratificante saber que por meio da minha clínica ajudo pessoas de alguma maneira”.

ALÉM DO HOMEM DE BRANCO - Filho de Maria de Fátima e Rui Furlan e pai dos pequenos João Augusto Fragata Furlan Filho, de 5 anos, e Rita de Cássia Gaspar Furlan, de 3 anos, Furlan destaca que a paternidade é um momento mágico e aproveita cada fase dos filhos.  “Quando os dois estão comigo, aos finais de semana, desmarco meus compromissos para dar atenção à eles. Com certeza vale a pena cada momento com Joãozinho e Rita”, conta o pai coruja.

Apaixonado por literatura, cinema e música, o paizão tenta desde cedo passar um pouco de suas paixões aos filhos, por meio de leituras e filmes infantis. “É desde cedo que temos que incentivar os filhos, por isso rezo com as crianças, leio historinhas, assisto filmes e sempre deixo uma música ligada, para incentivar o bom gosto nos pequenos”.

Furlan conta com um acervo de 11 mil volumes, sobretudo de literatura clássica e filosofia, sendo os seus livros prediletos Guerra e Paz, do Liev Tolstoi, e Tratado de Filosofia e Política, de Baruch de Espinosa. Na literatura nacional, O tempo e o Vento de Érico Veríssimo.

Tem 20 mil discos, ama jazz, música clássica e bossa nova, sendo o 'queridinho' a nona sinfonia do Beethoven. No cinema, tem 3.800 DVDs e curte Hitchcock, Stanley Kubrick e Ingmar Bergman, achando que o melhor filme fica para Um Corpo Que Cai, do Hitchcock.

Outra paixão que desde cedo é passada para o filho é o tênis. “Faço questão de incentivar Joãozinho a praticar o esporte, por isso levo o garoto no clube de Lucélia para já ter os primeiros contatos com a raquete”, explica. Furlan começou a jogar tênis na adolescência e nas horas livres se reúne com amigos para algumas partidas.

Outro hobby são charutos. Sempre que pode, Furlan vai para Cuba e, não resiste, traz para Lucélia diversos modelos de charutos.

Outro orgulho da família para Furlan é a irmã, Anna Melissa Furlan, que fez administração de turismo e hotelaria, mas aos 28 anos se espelhou no irmão e resolveu cursar medicina, sendo que no próximo ano se forma e atuará na radiologia nas clínicas Santa Rita. “É motivo de orgulho saber que a minha irmã se espelhou em mim para cursar outra faculdade e seguir na mesma área. Ter ela na mesma clínica, nas empresas da família, vai ser uma grande satisfação”, relata.


Fonte: Tamyris Araujo _ Do Gi Notícias



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