Após morte, Polícia começa ouvir funcionários do Bradesco de Herculândia
Nossa Lucélia - 08.10.2013


Paulo César Betelli, de 38 anos, foi encontrado morto no Almoxarifado da agência com um tiro na cabeça

HERCULÂNDIA - O delegado de polícia de Herculândia, Eduardo Saran, começa nesta semana pelos funcionários da agência do Bradesco, as oitivas do Inquérito Policial instaurado para elucidar o caso de suicídio registrado no interior do Almoxarifado da agência, na última segunda-feira (30).

Trabalhando no local ha pelo menos 9 anos, o vigilante Paulo Cesar Betelli, 38, solteiro, foi encontrado morto com um tiro de revólver, calibre 38, na cabeça, por volta das 08h. Ao lado do corpo, estava a arma de serviço.

"Na verdade que se trata de um suicídio não há qualquer dúvida. Os indícios visuais e locais são suficientes. O que nós vamos apurar é se houve induzimento, instigação ou auxílio, o que é pouco provável já que ele (a vítima) trancou a porta do Almoxarifado para cometer o ato", antecipou Saran.

Depois dos funcionários que estavam no local, no horário do ocorrido, o delegado deverá também ouvir os familiares e a namorada do vigilante que foi para o local após sabe do suicídio.

"Na verdade, nós estamos dando um tempo, antes de começar a ouvir essas pessoas – colegas de trabalho e familiares – porque esse tipo de fato causa comoção e traumas terríveis. É uma cena que os colegas de trabalho que viram, não esquecerão nunca mais. Então a gente até respeita isso, porque é um episódio sem volta, tanto faz ouvir no dia quanto dias depois. A Polícia Civil se preocupar em preservar o emocional das pessoas", completo o delegado.

BRINCALHÃO - A polícia já apurou que Paulo César Betelli viajou normalmente, de ônibus, entre Tupã (onde morava à rua Waldemar – região da Vila Formosa) e Herculândia na manhã do suicídio, em companhia de pessoas que via quase todos os dias, sem apresentar qualquer 'sintoma' que pudesse levantar suspeita.

Ao chegar a agência cumprimentou os colegas – outro vigia, a gerente e a funcionária da cozinha; tirou a jaqueta que vestia sobre o uniforme da empresa 'GP Segurança', abriu o cofre utilizado para guardar as armas da segurança e se dirigiu ao Almoxarifado para (como fazia todos os dias) municiar a arma de fogo e guarda-la no coldre do uniforme. Neste momento, os colegas ouviram o forte estampido e quando abriram a porta já se depararam com a cena assustadora. Betelli estava caído esvaindo em sangue e com um grande ferimento do lado esquerdo da cabeça. Segundo Eduardo Saran, o vigia atirou contra a própria cabeça atrás da orelha direita.

Segundo o delegado o que mais assusta colegas de trabalho e pessoas contatadas informalmente é que Paulo César Betelli sempre foi um jovem "alegre e brincalhão" que, mesmo no dia do ocorrido não manifestou qualquer alteração de comportamento que pudesse levantar suspeita.

LAUDOS - Eduardo Saran também confirmou que solicitou para a instrução da investigação todas as perícias essenciais, inclusive o chamado 'exame residuográfico' que vai apontar a existência de resquícios de pólvora na mão direita, que a vítima teria usado para acionar o gatilho da arma. "É comum em disparos de armas como o calibre 38, que não tem sistema semiautomático, que fique resquícios de pólvora a partir da explosão que ocorre no interior do tambor da arma", comentou.

O delegado também solicitou os exames e providências periciais no local do suicídio e na arma, de propriedade da empresa GP,que foi usada para a prática do suicídio.


Fonte: Jornal de Domingo

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