'População de rua' causa preocupação e transtornos para comunidade adamantinense
Nossa Lucélia - 07.09.2013
Problema acontece há aproximadamente oito meses
ADAMANTINA - Há aproximadamente oito meses quem passa próximo ao Ave Cristo, na esquina das ruas General Izidoro com a avenida Capitão José Antônio de Oliveira, nota a frequente demanda de 'populares de rua' que por ali dormem, comem, bebem e pedem dinheiro para quaisquer fins.
Na última semana, o empresário J.A.D. teve um problema com essas pessoas. “Cheguei ao meu estabelecimento comercial e vários deles estavam sentados na calçada em frente a minha empresa. Pedi para que eles se retirassem, pois causam medo e incômodo para os clientes, e uma mulher se alterou e começou a gritar. Depois de pouco tempo o meu carro 'apareceu' com as portas riscadas”, explica.
A presidente da Ave Cristo, Jucely Rossette Guerreiro, destaca que já procurou a prefeitura, Fórum e Polícia, entretanto, até o momento os 'moradores de rua' continuam em frente ao Ave Cristo comendo, bebendo, usando drogas, dormindo, fazendo todas as necessidades e até coisas ilícitas no espaço que antes era reservado para as crianças do Centro Espírita. “Todos os dias nossa equipe tem que lavar o lugar, pois o cheiro de urina e vômito é muito forte”.
Fátima Margado, vice-diretora do departamento de assistência social Emmanuel do Ave Cristo, acredita que talvez eles ainda estejam ali porque os "comerciantes em volta, por dó, doam roupas, cobertores e comida, e por isso eles ficam nos arredores, entretanto, alguns são perigosos, difíceis de lidar e incomodam as pessoas que estacionam nas proximidades para ir até ao mercado e se negam a 'dar dinheiro. Acontece até de serem agressivos", alerta.
Jucely explica que procurou a promotoria e foi orientada que se não quisesse essas pessoas ali teria que erguer um muro no jardim.
Outra tentativa do Ave Cristo foi fazer reuniões com a equipe da AAA (Alcoólicos Anônimos de Adamantina) e convidar essa 'população de rua' para participar.
“Entretanto, eles não prestaram a atenção e não voltaram nas orientações”, desabafa Jucely. “Proponho que seja oferecido outro local para eles dormirem, pois a Ave Cristo não tem condições de cuidar dessas pessoas. O Creres talvez seja o local adequado, talvez um albergue, pois eles só querem um lugar para dormir”, completa.
CREAS - Procurados pelo IMPACTO, Ana Maria do Nascimento Gibertoni, chefe da Divisão de Proteção Social Especial Coordenadora do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Adamantina explica que é desenvolvido um serviço de abordagem social e busca ativa que identifica pessoas em situação de rua.
Hoje, em Adamantina, essa demanda é de oito a dez pessoas, sendo que destes, todos já foram identificados e abordadas. "Pode-se identificar que 70% destes são moradores do município com famílias e residência fixa no mesmo, porém devido ao uso abusivo de álcool e outras drogas, os vínculos familiares foram rompidos levando a uma situação de abandono familiar. Os outros 30% são moradores de outros municípios e já foram encaminhados as suas cidades para acompanhamento com o órgão de referência, porém devido a ausência de vínculos familiares, os mesmos retornaram".
ALBERGUE – Questionada sobre lugar adequado para essa população ficar, Ana Maria explica que o município não possui programas para atendimento nesse sentido, devido ao fato de que o perfil da demanda dos indivíduos em situação de rua não se enquadra na necessidade de programas voltados a albergues ou casas lares, visto que na sua maioria possui família e residência no município.
Sobre a possibilidade da criação de um albergue noturno em parceria com prefeituras de cidades vizinhas, Ana Maria afirma que “não existe uma demanda de moradores de rua que justifique a implantação de um albergue, visto que este atende uma demanda de aproximadamente 50 pessoas do mesmo sexo.
De acordo com o perfil da 'população de rua' de Adamantina não se enquadra nas condicionalidades para o mesmo”.
Referente a recursos para tratamento e reabilitação dessas pessoas, Ana destaca que os recursos para atendimento aos indivíduos em situação de rua é característico de cada serviço. “Cabe ao Creas, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, a busca ativa destes indivíduos e identificar as demandas que este apresenta e assim encaminhar à rede de atendimento do município. Em relação à dependência química, o indivíduo é encaminhado à política de saúde, onde o mesmo passa por avaliação psiquiátrica, internação para desintoxicação e encaminhamento a comunidades terapêuticas, todo o tratamento tem duração de aproximadamente oito a doze meses. Ressalta-se que tal tratamento é ofertado voluntariamente”, finaliza.
Fonte: Tamyris Araujo _ Do GI NotíciasVoltar para Home de Notícias
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