Sem receber ha 21 dias, operários param canteiro da Gecon
Nossa Lucélia - 17.07.2013


Sindicato prepara ações trabalhistas 'por justa causa' contra a empresa e deve pedir o embargo da construção das casas

TUPÃ - Até às 16h00 da última sexta-feira, 12/07, o Grupo Empresarial de Construção (Gecon) não havia depositado os salários dos cerca de 30 operários contratados para a construção de 115 moradias populares do programa 'Minha Casa Minha Vida', conjunto São Francisco, nas proximidades do bairro 'Antônio Pereira Gaspar', na zona leste de Tupã.

O grupo que espera desde o dia 24 de junho o pagamento do vale mensal e desde o quinto dia útil de julho, o pagamento dos salários integrais decidiu, sob a organização do sindicato da categoria, paralisar as atividades e 'fechar' o canteiro de obras da empresa para materiais e máquinas.

Na manhã da sexta-feira, a reportagem do Jornal de Domingo encontrou 8 operários e os serviços todos parados no referido canteiro.

Nenhum trabalhador se manifestou sobre a situação o encarregado, identificado como José Américo, orientou a reportagem a procurar o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil.

AÇÕES - Por telefone, o presidente da entidade, José Lopes Garcia explicou que os problemas começaram com a não liberação do Vale no dia 24 passado, como era costume. E se agravou na última semana quando, depois de muitas promessas, feitas por um diretor regional da empresa em Bauru, identificado como 'Senhor Reinaldo', os salários referentes ao mês de junho deixaram de ser pagos em dia. A primeira informação dele, segundo Garcia é que a empresa estaria negociando com uma instituição bancária, a liberação dos recursos, o que não aconteceu até o fechamento desta edição.

Segundo o sindicalista os trabalhadores concordaram em 'interditar' o canteiro de obras e se manter no local em escala de plantão – com pequenos grupos. “Se eles pensaram que a gente acionaria a Justiça e deixaria o canteiro, eles estão enganados. Nós vamos permanecer aqui até a empresa pagar o último centavo que deve aos trabalhadores”.

JUSTA CAUSA - Até sexta-feira o Sindicato, segundo Garcia, já dispunha de mais de 20 procurações dos trabalhadores. O propósito é implementar ações na Justiça do Trabalho por 'despedia indireta', um recurso previsto no Artigo 438 da CLT, em caso de falta grave, praticada pelo empregado – no caso o item 'D', quando a empresa deixa de cumprir suas obrigações no contrato de trabalho (pagar os salários dos empregados).

A entidade também, conforme o sindicalista, dentro do que permite a Lei, pretende 'embargar' a referida construção e tirar a Gecon da obra. “O Brasil todo ouve todo dia que o Governo tem milhões de reais para as obras do Minha Casa Minha Vida. Cadê o dinheiro para a Gecon pagar os empregados. Eles é que tocam a obra, que fazem as casas e não recebem seus salários... A situação é triste porque temos vários pais de famílias sem poder alimentar seus filhos. Gente tendo o nome indo para o SCPC”, desabafou Garcia. Fornecedores de alimentação e alguns outros produtos e serviços para o canteiro de obras também estariam com recebimentos em atraso.

CADÊ? - Um detalhe importante foi citado por trabalhadores e confirmado pelo sindicalista em relação à greve no canteiro das casas do conjunto São Francisco. Nenhum politico local apareceu para prestar solidariedade aso trabalhadores ou tentar intervir para que eles tivessem seus salários pagos. “Infelizmente é assim. Quando anuncia as casas, aparece um monte de pais da criança; na inauguração também. Mas problema ninguém quer assumir. Ninguém apareceu lá até agora (sexta-feira)”, finalizou Garcia.


Fonte: Jornal de Domingo – Tupã

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