Troca de socos na Câmara de Tupã acaba em 'pizza'
Nossa Lucélia - 29.06.2013
Se oposição não conseguiu 5 assinaturas para formar uma Comissão Processante; conseguiria 10 votos para punir os culpados pelo episódio 'Câmara UFC'
TUPÃ - Um acordo inclusive com a participação daquele que seria a vítima, vereador Valter Moreno Panhossi (DEM), enterrou já na segunda-feira, 17/06, antes da sessão camarária, qualquer possibilidade de instauração de uma Comissão Processante (CP) para apurar um caso de troca de empurrões, tapas e socos, entre Panhossi e o presidente da Câmara, vereador Ribeirão Alves de Souza (PP).
Os dois brigaram na manhã da sexta-feira, 14/06, por causa do protocolo de uma indicação de homenagem a ser prestada pela Câmara com Título de Cidadão Tupãense e Medalha Luiz de Souza Leão. Moreno disse que uma comissão formada por ele e os vereadores José Ricardo Raymundo (PV) e 'Tupãzinho' (PSB) foi incumbida de levar o convite ao Padre Antonio Padula, da Comunidade São Pedro. E por ele, ficaram sabendo que Ribeirão já havia feito o convite, que o Padre recusou e teria sugerido o nome do Bispo Emérito, Dom Osvaldo Giuntini. Ao tirar satisfações com Ribeirão, Valter Moreno foi informado que, apesar do prazo só terminar as 14h00, já pela manhã, havia sido feito o protocolo de outra indicação, do Vereador José Maria (PT), do nome do militar aposentado Paulo Drefahl.
VERSÕES E DESCULPAS - Valter Moreno disse que no calor da discussão foi empurrado e agredido com uma bofetada e que revidou com um chute contra Ribeirão. "Houve um empurra-empurra, realmente teve, a gente não pode falar que não teve. Ele me agrediu, eu revidei, mas ninguém fez nada, ninguém fez BO (boletim de ocorrência), conforme a imprensa tem divulgado", disse Moreno.
Já Ribeirão disse que perdeu a cabeça porque Valter Moreno fez provocações. "Invadiu minha sala, apontou o dedo no meu nariz, proferiu palavrões; a gente conta até 10; pedi pra ele sair da sala, ele não saiu; sai da sala ele foi atrás. E mais uma vez ele me afrontando, me peitando, botando o dedo no meu nariz, me xingando, infelizmente, eu não faria, mas as pessoas fazem as besteiras é quando perdem a elegância, o juízo", esclareceu o presidente da Câmara.
Apesar da grave e flagrante quebra do Decoro Parlamentar,Ribeirão, minimizou a ocorrência. "Foi um pequeno desentendimento que não deveria ter acontecido... coisa que me envergonha", disse. Ribeirão diz que esperou a resposta da Comissão sobre o convite ao Padre Padula até as 20h00 da quinta-feira, 13/06. Moreno diz que o prazo final era 15 de junho, no sábado, mas que daria a resposta até as 14h00 do dia 14, dia da briga, e Ribeirão não esperou.
TUDO DOMINADO - O vereador Luis Alves de Souza (PC do B) chegou a articular uma coleta de assinaturas para a formação de uma Comissão Processante (CP) que não frutificou. Inicialmente apenas ele e Ricardo Raymundo (PV) tinhama decisão declara de assinar. Moreno, a vítima de agressão do Presidente, disse publicamente: “se faltar só um voto, eu assino”. Os próximos contados seriam José Maria (PT) e Amaury Mortágua (PDT). Como o petista já descartou a assinatura contra Ribeirão, Amauri nem chegou a ser procurado.
“Eu cheguei a falar com o Luizinho (Luis Alves) que não tinha intenção de cassar ninguém, apesar de considerar que se trata de um caso grave, mas foi um momento impensado. Nada mais... Se já havia dificuldade em conseguir 5 assinaturas para abrir uma Comissão, imagina para dar sequência a Comissão Processante e vir a cassar o Ribeirão. Isso hoje é impossível na Câmara de Tupã... E como ele me chamou lá, pediu desculpas, achei melhor deixar como esta e agente continuar trabalhando por Tupã”, disse por telefone ao JD, Valter Moreno.
NOTA DA REDAÇÃO – Tanto Ribeirão quanto Valter Moreno fizeram pedidos de desculpas e considerações durante a sessão de 17/06, o que não minimiza a gravidade do episódio, apenas comprova que a Câmara está dominada. E nenhum vereador (a) temcoragem (e apoio de outros) e compromisso com a população, de cobrar dos dois 2, o tal do Decoro Parlamentar, como mostra o dicionário de “decência, dignidade, honradez, integridade, retidão, respeitabilidade e seriedade”, que certamente lhes faltou ao trocarem agressões físicas no prédio da Câmara. Um exemplo claro de impunidade e compromissos com pessoas e grupos, bem distantes do interesse da população. Demonstração de que Ribeirão tem o comando sobre a maioria dos vereadores – e o que é mais grave – sobre os vereadores eleitos pela coligação adversária e que 'misteriosamente' trocaram de lado e estão no Governo. Ele faz o que quer e todo mundo – ou a maioria – baixa a cabeça e diz amém. Por que será? Se o vergonhoso episódio 'ringue de MMA' passar impune, é possível imaginar que coisas piores podem acontecer. Impunidade e falta de compromisso levam a sensação de que se está acima da Lei.
POPULARES APARENTAM MEDO DE OPINAR - Outro episódio presenciado pelo Jornal de Domingo (JD) e assusta quando o assunto é o Poder Legislativo de Tupã. De 28 pessoas abordadas aleatoriamente pela reportagem na Avenida Tamoios, na manhã da última sexta-feira, 21/06, apenas 2 (mulheres) aceitaram comentar o episódio.Na verdade não comentaram. Uma parte prefere dizer que não gosta de política e outra que tem 'medo' de opinar sobre os vereadores e sofrer retaliações. A 'lengalenga' de sempre; que em cidade pequena todo mundo se conhece, que pega mal, que fica ruim e outras desculpas esfarrapadas. Um das únicas manifestações foi da artesã Liene Ingrácia, que também se negou a comentar. “Faz muitos anos que não voto em ninguém, não gosta de política, fico fora mesmo; de mim passa longe. Eu não gosto”, assumiu.
A auxiliar de cozinha Lucimar Cristina, desempregada, filiada no PT há mais de 8 anos, protestou pelo fato de conseguir encontrar vaga no mercado de Trabalho, apenas bicos. “Sou filiada do PT, Tenho um monte de amigos do partido na Prefeitura e para mim não sobrou nada... Pra que você votar hoje, se nem emprego na cidade tem... Agora não hora de conseguir votos, eles vêm atrás... Eu acho errado isso ai (briga); ninguém é mais do que ninguém. Todos somos iguais”. Ela ainda destacou que sua opinião não é apenas em defesa da própria causa, mas de muitas pessoas que estão desempregadas e padecendo do mesmo problema.
Fonte: Jornal de Domingo – Tupã / ParapuãNet
Voltar para Home de Notícias
Lucélia - A Capital da Amizade O primeiro município da Nova Alta Paulista |