'Ele sabia que ela gostava de café', diz sobrinha de mulher envenenada
Nossa Lucélia - 08.06.2013
Após roubar cheque, pintor jogou veneno de rato no pó de café da cliente. Homem vai responder em liberdade por tentativa de latrocínio em Tupã
TUPÃ - Ainda na cama, Elza Lisboa Bertonha, moradora de Tupã, se recupera das consequências de ter ingerido, duas vezes, veneno para matar rato, conhecido como chumbinho. A mulher, de 75 anos, duas filhas e uma amiga afirmam que foram envenenadas por um pintor que prestava serviço há anos na casa da aposentada.
“E se ele tivesse matado meus dois filhos e minha amiga? Nunca imaginei que ele pudesse fazer isso já que ele era uma pessoa que consertava tudo em casa e eu o tratava como um filho, como alguém da casa. Eu não sei o que aconteceu, gostaria de saber”, conta a vítima.
De acordo com familiares, dona Elza foi levada para o hospital e os médicos acreditaram que ela teria passado mal por sofrer de problemas no coração. A idosa foi medicada e recebeu alta no dia seguinte. Ao chegar em casa, ela convidou o filho e uma amiga para um café. Momentos depois, todos entraram em convulsão e a aposentada chegou a ser internada em coma na UTI.
“Da primeira vez, encontrei a minha tia sozinha com uma convulsão atípica, mas como ela sofre do coração, achávamos que era por isso. Depois de internada, ela voltou para a casa e foi encontrada no dia seguinte com um quadro clássico de envenenamento, com uma baba expressa e quase sem consciência. Quando passei na sala, eu vi os outros iguais a ela. Parecia um filme de terror”, conta a médica e sobrinha da vítima, Lliliana Lisboa Sanches.
Ela ajudou nos primeiros socorros. “Fizemos uma manobra de ressuscitação, eles voltaram e contaram o que havia acontecido. Achávamos que podia ser o lote do café contaminado com agrotóxico. Cheguei entrar em contato com a Vigilância Sanitária para que o lote do café fosse lacrado”, explica a médica.
A família inicialmente acreditava que poderia haver algum problema no lote do café, mas, na mesma semana eles descobriram que o funcionário tinha depositado na conta dele um cheque de Elza no valor de R$12 mil. De acordo o boletim de ocorrência, a rapaz furtou a folha e falsificou a assinatura da aposentada.
“Como o valor era muito alto, o banco nos ligou para saber se estava correto, mas, como minha tia estava internada o cheque não foi compensado. Depois, ela contou que o pintor havia pedido para que ela preenchesse um cheque dele no valor de R$ 12 mil, que ele era tão “ingênuo” que não sabia preencher. Segundo ele, o dinheiro era para pagar o cunhado. Ele copiou a letra e assinatura dela, mas como o valor era alto e banco ligou e achou melhor reter o cheque. Ele fez o cheque nominal para ele mesmo”, ressalta a sobrinha.
Ainda de acordo com os familiares, o suspeito, ao saber que seria descoberto pelo crime, colocou veneno de rato no café em pó na casa da idosa com a intenção de matá-la. “Ele sabia que ela não vivia sem café. Ela tinha dito a ele isso e que tomava a bebida pelo menos duas vezes por dia. Nós acreditamos que a intenção dele era matar a minha tia, os familiares mais chegados e compensar o cheque já que todos estariam entretidos com o velório. Ele era uma pessoa querida na casa e com certeza, pelo jeito que o cheque foi feito, os filhos com certeza aceitaria o pagamento do valor”, diz Liliana.
A polícia afirma que não foi chamada para verificar a procedência da intoxicação das vítimas. Na delegacia, o pintor confessou a falsificação do cheque para pagar uma dívida. “Ele será indiciado no inquérito policial como autor de vários crimes, entre eles, tentativa de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Ele foi ouvido e liberado porque não foi pego em flagrante e não existe uma ordem judicial contra ele”, explicou o delegado da DIG, Washington Luiz Muzzi. A equipe de reportagem do TEM Notícias procurou pelo pintor, mas ele não quis gravar entrevista.
Fonte: Do G1 Bauru e MaríliaVoltar para Home de Notícias
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