Roupeiro demitido do Azulão desabafa: "Peço para que o Poder Judiciário investigue o que acontece aqui"
Nossa Lucélia - 05.06.2013
Sérgio Lauretti denuncia "trabalho escravo", atraso de salários e represália a jogadores
OSVALDO CRUZ - Os bastidores do Osvaldo Cruz Futebol Clube prometem esquentar nos próximos dias. Na manhã de hoje, 5, o roupeiro demitido do Azulão, Sérgio Paulo Lauretti, denunciou a situação caótica que vive o time fora das quatro linhas.
Primeiro, o ex-funcionário explicou os motivos de sua demissão.
“O presidente Zaparolli deu autonomia para o gerente de futebol, Leandro, que também será o responsável pelo Sub-20 e ele veio exigindo que eu trabalhasse também no Sub-20, sendo que meu contrato é para trabalhar no profissional. Fui ofendido por várias pessoas e em seguida dispensado pelo Zaparolli”, disse.
Lauretti disse ainda que pediu sua demissão por escrito, mas teve seu pedido negado.e ainda não recebeu nada do time.
“Meu salário era de R$ 800 e me falaram que tinham apenas R$ 500 para me passar, sendo que não calcularam aviso prévio e outras coisas mais”, afirmou.
Além de citar o não recebimento de seus vencimentos, o ex-funcionário ainda confirmou o atraso no pagamento de jogadores e denunciou trabalho escravo dentro do Azulão. Ele também pediu a intervenção do Poder Judiciário.
“Eu, Sérgio Paulo Lauretti, peço ao Poder Judiciário uma investigação sobre extorsão de atletas e trabalho escravo dentro do clube, pois não estão pagando os jogadores”, disse.
O ex-funcionário contou a ainda que o não pagamento dos vencimentos têm prejudicado a vida pessoal dos atletas.
“Tem jogador que está com a pensão alimentícia atrasada, mulher de jogador que tem que lavar roupa para ganhar R$ 100 por semana para poder se sustentar”, denunciou.
SALÁRIOS - Lauretti confirmou à reportagem que até o momento nenhum atleta recebeu pagamento de salário. “Só receberam vales. Estão falando que pagaram salários, mas isso não aconteceu”, disse.
Além disso, ele também confirmou que a empresa responsável por dar suporte financeiro ao clube ainda continua na cidade.
“Falaram que tinham ido embora, mas não foram. O técnico Carlos Spinoza faz parte da empresa juntamente com o Hérbert Santiago (que é o “porta voz” dos investidores, além de vice-presidente)”, disse Lauretti.
TRABALHO ESCRAVO - Durante a entrevista, Sérgio Lauretti confirmou que os jogadores têm recebido falsas promessas por parte da diretoria investidores com relação ao pagamento dos salários.
“Eles sempre chegam e falam que amanhã sai, amanhã sai. Geralmente fazem isso em véspera de jogos. É algo sujo”, disse.
O ex-funcionário lembrou do episódio da partida de Assis, pela terceira rodada da competição. O jogo terminou por volta das 12 horas e os atletas só vieram almoçar quando retornaram a Osvaldo Cruz.
“Eu cheguei a chorar, pois os jogadores estão sendo enganados. Não teve um refrigerante, nada. Os atletas questionaram a respeito disso, pois falaram que não iriram dormir em Assis para economizar o dinheiro para o almoço”, revelou.
TIME NÃO TEM PERNA PARA BANCAR FINANCEIRAMENTE - Sérgio Lauretti não acredita que a diretoria do Osvaldo Cruz Futebol Clube tenha condições de sustentar o time até o final da primeira fase da competição.
“Estão contando com renda dos jogos, com o dinheiro do povo de Osvaldo Cruz. Os empresários que eram para vir para cá não vem mais, quem está aqui não está colocando dinheiro”, disse.
Outra denúncia feita pelo ex-funcionário envolve o pagamento da taxa de profissionalização de atletas.
“A taxa de profissionalização é de aproximadamente R$ 700 e eles (diretoria) cobram até R$ 1900. Mesmo assim, esse custo é do clube. Além de não receber, o atleta paga para trabalhar”, disse.
ALIMENTAÇÃO - Sérgio Lauretti afirma que não falta comida aos atletas, mas o estoque está sempre no limite.
“Só não faltou nos últimos dias porque a prefeitura deu uma força”, disse.
REPRESÁLIA A JOGADORES - O ex-funcionário do Azulão disse ainda que os atletas muitas vezes são coagidos para não falarem nada do que acontece nos bastidores.
“É uma opressão tremenda por parte de diretoria e treinadores. Eles ficam com medo de sujar a ficha deles, de não serem indicados, pensam no futuro”, comentou.
“Tudo o que eu estou falando eu dou meu nome e vou em frente com qualquer um. Tenho como provar”, disse.
JOGADORES SÃO HOMENS - Mesmo diante de todo o cenário crítico que passa a equipe, Sérgio Lauretti destacou o empenho dos jogadores.
“Eles são homens e estão jogando com hombridade. Acredito que esse time tem condições até de ser campeão, mas tem que mudar na cabeça (diretoria), pois o corpo está padecendo em função da cabeça que está enferma”, disse.
MEDO - Com medo de represálias, Sérgio Lauretti deve fazer um boletim de preservação de direitos.
“Vou pedir segurança para minha pessoa. Eu vi um menino ser retalhado aqui dentro através de algumas ligações, pois tentou abrir uma denúncia”, finalizou Lauretti.
Fonte: Pedro Afonso e Giuliano Panvéchio _ Do OCnetVoltar para Home de Notícias
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