Enquanto população espera melhorias, pessoas morrem em vicinal
Nossa Lucélia - 21.05.2013


Mesmo com duas verbas para ciclovia, projeto não sai do papel

ADAMANTINA - Faltam calçadas, ciclovias, acostamento ou qualquer outra opção que ligue a cidade aos bairros Bela Vista, Poetas, Jardim Bandeirantes e Estância Dorigo, e também a Lucélia. E quem sofre as consequências são os pedestres e ciclistas, obrigados a utilizar as margens da vicinal Moysés Justino da Silva.

Não é de hoje que o IMPACTO noticia a falta de investimentos no local. O 'empurra-empurra' de responsabilidades é antigo.

A vicinal é utilizada diariamente por adamantinenses que moram nos quatro bairros distantes, lucelienses que trabalham em Adamantina e por motoristas que não querem passar pela base da Polícia Militar Rodoviária na SP-294 (rodovia Comandante João Ribeiro de Barros), e por isso utilizam o trecho como 'escape'.

O grande fluxo de veículos, aliado a irresponsabilidade de alguns motoristas e a falta de sinalização adequada, tem causado constantes acidentes.

Apenas de janeiro a primeira quinzena de maio foram registrados 15 acidentes no trecho liga Adamantina a Lucélia, entre o Lar dos Velhos ao final do Jardim Bela Vista. Nesses acidentes, 23 pessoas ficaram feridas e duas morreram - Marcos Meireles, de 29 anos faleceu em 3 de abril, e Osmar Alves da Cruz, de 43 anos, em 6 de maio.  De acordo com levantamento feio junto ao Corpo de Bombeiros de Adamantina, em 2012, foram 17 acidentes durante todo o ano.

Para a presidente da Associação dos Moradores do Jardim Bela Vista, Sirlene da Costa Barros, os bairros foram construídos sem planejamento e são os moradores que sofrem as consequências. “Moro aqui há 22 anos e sofro diariamente com a falta de estrutura. Os motoristas não respeitam os limites de velocidade, a tão sonhada ciclovia ficou apenas no papel, não temos acostamento adequado para andar, não há segurança nenhuma, e quem não tem condições de pagar ônibus ou carro, se arrisca de bicicleta ou a pé para ir até a cidade. Isso é um absurdos. Quantas mortes teremos que ter para alguém tomar alguma providência?”, questiona a moradora.

“Sabemos que tudo em nosso Brasil é muito lento e burocrático. Vivemos essa realidade em relação ao nosso centro comunitário, que já se passaram seis meses inaugurado e até agora não podemos utilizá-lo, uma creche que caminha a 'passos de tartaruga' e um PSF que não sabemos quando estará pronto. Estamos aguardando há tempos”, ressalta.

Angélica dos Santos da Silva e a filha Vanessa utilizam o trecho diariamente para trabalhar e falam da falta de segurança. “Os pedestres e ciclista devem ficar atentos, porque os motoristas não respeitam nem a sinalização e muito menos as pessoas, andam no acostamento e passam com uma velocidade que dá até medo”, diz a mãe. 

MESMO COM DUAS VERBAS PARA CICLOVIA, PROJETO NÃO SAI DO PAPEL - Por duas vezes a ex-vereadora do PT Cleusa Marquetti conquistou junto a deputados estadual e federal de seu partido verbas para a construção da tão citada ciclovia na vicinal Moysés Justino da Silva. Entretanto, por problemas não esclarecidos, o projeto não saiu do papel.

“Fico muito triste ao ver pessoas morrendo, sabendo que a verba que conquistei poderia solucionar o problema”, desabafou Cleusa. A ex-vereadora afirmou não saber o real motivo da perda da verba. “Não sei o que não aconteceu, se foi falta de interesse ou problema com documentos, mas sei que em 2009 e 2010 deputados do PT destinaram a verba de R$ 100 e R$ 150 mil para a ciclovia”, disse.

De acordo com Reinaldo Turra, que também foi diretor da Emda na administração anterior, o dinheiro não chegou a Adamantina. “Por problemas provavelmente documentais e perda de prazos, a verba infelizmente não chegou a cidade”, afirmou.

Turra destacou que o projeto já existente poderá ser utilizado pela atual administração, entretanto, nenhuma recurso foi conquistada por enquanto. “Projetos, ideias e iniciativas até temos, mas dinheiro não”, concluiu. 

MORADORES COBRAM SINALIZAÇÃO E REDUTORES DE VELOCIDADE - Quem utiliza diariamente a vicinal Moysés Justino da Silva conhece bem as necessidades do trecho. Moradores dos bairros Bela Vista, Poetas, Jardim Bandeirantes e Estância Dorigo procuraram o IMPACTO na última semana para expôr alguns dos problemas enfrentados.

Segundo a comunidade, falta sinalização adequada, placas que avisem a velocidade permitida e obstáculos em alguns pontos que minimizariam o excesso de velocidade e, consequentemente, os acidentes.

“Os motoristas passam aqui em uma velocidade bem maior do que é permitida. Sempre vemos os canteiros no meio da rodovia quebrados, e se todos andassem na velocidade permitida, com certeza os estragos seriam bem menores e não veríamos constantemente a prefeitura arrumando canteiros”, desabafou uma moradora da Estância Dorigo que preferiu não se identificar.

Outro problema apontado é o desrespeito às rotatórias. “Os motoristas saem dos bairros e adentram direto na vicinal, causando acidentes e sem se preocupar com os outros. Se há regras, elas devem ser respeitadas”, afirma.

A presidente da Associação de Moradores do Jardim Bela Vista, Sirlene de Costa Barros, afirmou que o assunto é sempre pauta de discussões do Conseg (Conselho de Segurança), mas infelizmente nada é feito.

“Temos muita gente que gasta o que não pode com passagens de ônibus e mototaxi porque tem medo de caminhar pela vicinal. Muita gente deixa de ir a missas, participar de eventos promovidos na cidade, por não ter como se deslocar”, destaca.

Segundo ela, foram “prometidos” a instalação de outros redutores de velocidade no trecho, mas nada foi feito. “É um caminho muito perigoso. Sempre vemos acidentes. Precisamos de uma solução, mas não sabemos mais a quem recorrer”, afirma.

De acordo com o vereador Luiz Carlos Galvão, em breve acontecerá reunião com o diretor do DER (Departamento de Estadas e Rodagem), o engenheiro de Presidente Prudente João Ribeiro. O encontro acontecerá a pedido do prefeito Ivo Santos para analisar as melhorias que podem ser feitas na vicinal.

O IMPACTO entrou em contato com o DER, que informou que o referido trecho não é responsabilidade do departamento e que para que seja construído algum redutor de velocidade é necessário autorização e projeto de engenheiro responsável. 

FISCALIZAÇÃO – De acordo com Polícia Militar, capitão da PM Julio Romagnoli, a fiscalização na área acontece esporadicamente. “A maioria dos acidentes acontecem por falha humana, seja imprudência, falta de atenção ou excesso de velocidade. O local citado é um dos pontos com maior fiscalização da Polícia Militar”, destacou o capitão.


Fonte: Tamyris Araujo _ Do GI Notícias

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