Mulheres oficializam casamento civil em Tupã
Nossa Lucélia - 20.05.2013


Tupã foi a primeira cidade da região a realizar uma união homoafetiva

TUPÃ - Neste sábado, dia 18, a psicóloga Kátia Ferreira Grespan, casou-se com Mariele Andressa Marcioto, que é comerciante. A união aconteceu no Cartório de Registro Civil de Tupã e foi realizada pelo juiz de casamento titular, Sérgio Fabrício de Lima Bindilatti. Muitas pessoas entre amigos, parentes, imprensa e homossexuais comparecem a cerimônia que é um marco na história da cidade.

Durante a cerimônia, Mariele se emocionou em diversos momento e atribui toda o sentimento a felicidade de realizar algo era um sonho. "É um sonho realizado, depois de muita batalha, depois de muita luta, a gente esta aqui, oficializando uma união que já existia a mais de três anos. Essa é uma vitória, a gente luta por isso faz tempo, não só nós mas todos os homossexuais que vivem esse tipo de relação e enfrentam muito preconceito. É um dia de muita alegria pra gente", emociona se Mariele.

Cátia destaca que apesar de todo preconceito enfrentado, a coragem pra assumir a relação delas deve servir de estímulo para outros casais que vivem na mesma condição.

"Pra nós sempre foi um sonho e muito mais, uma causa. Muitas pessoas vivem essa relação e não tem coragem de assumir como nós estamos fazendo, fizemos isso simplesmente com o intuito de que outras pessoas percam esse medo e sejam felizes, que é o que todos nós queremos, ser feliz! E hoje a gente está muito feliz. Eu em especial, toda a minha família está aqui me apoiando e é um dia muito especial em nossas vidas", revela Cátia.

Para as companheiras, a data marca o dia da libertação em que elas passaram a assumir as mesmas condições perante a lei dos casais heterossexuais. Para Cátia sempre foi um sonho se casar, independente da sua orientação, e que um dia possa ser realidade também o casamento homo afetivo na igreja.

"Independente da religião, no momento eu sou católica, todo mundo quer ter uma benção de Deus, porque aqui no cartório você pode até separar, mas no dito da igreja "O que Deus uniu o homem não separa", e espero que o nosso seja assim, independente de não termos a benção da igreja, o que importa é o amor que nos une há tantos anos", revela Cátia.

Quanto a família, as duas que já vivem juntas há mais de três anos, possuem um filho, Pedro, fruto de uma relação heterossexual de Mariele, que aceita muito bem a condição sexual das duas mães.

"A aceitação dele (Pedro) é maravilhosa. Ele estava mais ansioso do que a gente, contando os segundos para o casamento. Com ele é muito fácil, desde o começo ele aceitou muito bem. Dia das mães ele faz presente pra duas mães na escola. É lindo", ressalta Mariele.

Cátia, que é psicóloga, acredita que uma família feliz se baseia no respeito e no amor, seja entre casais heterossexuais ou homossexuais. "Eu acho que hoje a família em si, a família nucleada como é conhecida a união entre um homem e uma mulher e seus filhos, muito já se mudou. Existem tios que cuidam dos sobrinhos, avós que criam os netos. O importante é ter respeito e amor. Onde existir respeito e existir amor, vai existir uma família feliz".

CASAMENTO - O casamento entre Cátia Grespan e Mariele Marcioto foi realizado às 11h do dia 18 de maio no Cartório de Registro Civil da Comarca de Tupã. Apesar do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo sendo realizado desde o dia 1º de março, de acordo com o juiz de casamento titular que realizou a união das moradoras de Tupã, esse é o primeiro casamento homo afetivo da região.

"Pelo levantamento que nós fizemos dos cartórios da comarca de Marília, e Adamantina, até o dado momento em que as meninas deram entrada não havia outro registro, ou realização das comarcas vizinha. Portanto sendo Tupã, a primeira a sediar a união homo afetiva", ressalta o juiz Sérgio Fabrício de Lima Bindilatti.

O casamento foi realizado nas mesmas condições do casamento de pessoas de diferentes sexos, mudando apenas alguns detalhes. "Se muda somente a nomenclatura de chama-las somente de companheiras, mas todo o rito, toda a formalidade, segue normalmente como reza o código civil do capítulo do casamento", explica o juiz de casamento.

Mariele optou por ter o sobrenome de Kátia, passando a se chamar Mariele Andressa Marioto Grespan. Também pelo Código Civil, é permitido chamar até dois casais como padrinhos do casamento civil, para cada um dos noivos. "Neste caso, elas (Kátia e Mariele) optaram por apenas um casal para cada uma. Os casais padrinhos referem-se aos próprios parentes e amigos", lembra Sérgio Bindilatti.


Fonte: Tupãcity.com.br

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