"Temos que começar Lucélia do zero", afirma prefeito Saldanha
Nossa Lucélia - 22.01.2013
Em coletiva concedida à imprensa, Saldanha falou sobre situação financeira, infraestrutura, sucateamento da frota de veículos, obras, habitação, medidas emergenciais, carnaval e descaso com a população
LUCÉLIA – O prefeito de Lucélia, Osvaldo Alves Saldanha/PSDB, concedeu entrevista coletiva à imprensa da cidade, na manhã de quarta-feira, em seu gabinete de trabalho, na prefeitura municipal. Saldanha afirmou que já esperava receber a cidade em estado precário, mas a realidade apurada nas primeiras semanas do seu governo mostra que a situação é bem pior do que se imaginava.
SITUAÇÃO FINANCEIRA - “O município de Lucélia está um caos, nas diversas áreas. Só para ter uma ideia os números contábeis foram fechados e a dívida de que a administração passada deixou só aqui dentro do administrativo é de R$ 1.415.000,00; indo para a Santa Casa a dívida herdada é de R$ 3.500.000,00. Diversos funcionários municipais impetraram ação judicial contra a prefeitura e o montante deve ultrapassar a casa de R$ 1 milhão. Os precatórios devem somar algo em torno dos R$ 250 mil. Temos ainda os restos a pagar (despesas empenhadas de exercícios anteriores); temos que pagar o 13º salário dos funcionários dos PSFs que não foi pago, algo próximo de R$ 97 mil e outros direitos trabalhistas”, disse Saldanha, ao responder pergunta sobre as dívidas herdadas da gestão anterior.
FROTA DE VEÍCULOS - A frota de veículos da municipalidade está sucateada. Das seis ambulâncias somente uma está em condições de uso, os veículos estão danificados. Segundo Saldanha, em condições de uso há apenas uma pá carregadeira e os ônibus que prestam serviço para a educação; o restante necessita ser reformado e não oferece a menor condição de trabalho.
DESCASO PARA COM A POPULAÇÃO - Saldanha disse que na segunda-feira esteve no Centro de Saúde, e um dado que chamou a atenção foi a questão das mamografias. Eram 800 mamografias que não foram agendadas dentro do Centro de Saúde. Como pode um administrador que está à frente da saúde do município deixar chegar a esse ponto? Já agendamos 100 mamografias que serão feitas na cidade de Valparaiso, e esperamos em curto espaço de tempo, resolvermos o restante. “Deparamo-nos que endoscopias que há um ano deveriam ter sido agendadas, não foram tomadas as providências para o agendamento, deixando a população em risco, mostrando o descaso para com a população que merece um tratamento mais adequado”, comentou o prefeito Saldanha.
INFRAESTRUTURA URBANA E RURAL - Disse que as chuvas que caíram sobre Lucélia danificaram pontes, estradas rurais e ruas da cidade. Saldanha disse que choveu algo em torno de 300mm e deixou o município em estado de calamidade pública. Em virtude da difícil situação, decretou Estado de Calamidade, entrou em contato com o Governo do Estado acionando a Defesa Civil em busca de recursos emergenciais para que possa tomar as devidas providências. Toda a documentação e fotos mostrando a triste realidade do nosso município esta sendo providenciada para ser encaminhada junto aos órgãos competentes. Com relação ao Bairro Santa Maria que está praticamente isolado da cidade, tivemos mais uma surpresa. Ao entrarmos em contato com o Governo em São Paulo, fomos informados de que já existe um projeto em andamento, mas infelizmente tudo está parado, pois havia sido solicitado uma documentação à Prefeitura no mês de outubro de 2012, que não tomou nenhuma providência até o final do mandato. O Projeto Melhor Caminho que estava sendo concluído pela CODASP também foi prejudicado, mas tudo já está sendo recuperado, inclusive com a colocação de pedras no leito das estradas. A Prefeitura não havia cumprido a sua parte neste convênio e tudo agora deverá ser feito pela nova administração.
A NECESSIDADE DA OBRA - Continuando disse Saldanha: “O administrador público ao solicitar a liberação de recursos para o município visando construir determinada obra, precisa primeiro analisar se realmente aquilo é interessante e necessário para a comunidade. Tudo que se constrói, para funcionar demanda funcionários, que aumenta a folha de pagamento e para isso é necessário aumentar a arrecadação, pois nós temos um limite para este tipo de gasto. Portanto, nem tudo que está disponível em verbas no Governo Federal é interessante; temos que pleitear realmente o que é imprescindível, para não inviabilizarmos o compromisso de mantermos em dia a folha de pagamento. Na nossa casa é assim; só podemos gastar aquilo que ganhamos, caso contrário não conseguiremos pagar as nossas contas. Só como exemplo, está sendo construído no residencial Aguapeí uma Academia, que para o seu funcionamento necessitará de uma estrutura própria com a contratação de dezenas de funcionários. Tudo é muito bonito, mas demanda despesas que poderiam ser aplicadas em setores de maior necessidade. Uma coisa a população precisa saber: Não é difícil conseguir verbas para construção de determinada obra; o difícil é fazer funcionar o que será instalado depois de construído. Portanto, temos que priorizar o que é necessário à cidade. Com relação às obras em andamento nós teremos que concluí-las, mesmo porque se não o fizermos, estaremos impedidos de receber novos recursos. Estas obras tem vigência e prazo para serem concluídas.
CASAS POPULARES - Outra grande prioridade do nosso governo é a construção de casas populares, pois Lucélia está carente já que o Prefeito anterior em 8 anos de governo não construiu nenhum novo conjunto habitacional. Já fizemos os ajustes necessários e as máquinas já estão trabalhando no local, ao lado do Parque das Palmeiras. Esperamos dentro de aproximadamente 1 ano e meio estarmos entregando cerca de 300 casas populares e vamos ainda solicitar a construção de mais 130 casas no alto da Vila Reno.
PROVIDÊNCIAS URGENTES - A situação está difícil: “Temos que correr atrás dos prejuízos causados pelas chuvas que danificaram o município; precisamos diminuir a folha de pagamento, pois pegamos uma prefeitura inchada e temos que fazer os ajustes necessários para que tenhamos uma folha de pagamento em patamares aceitáveis, pois é praticamente impossível continuar da forma em que se encontra. Este ajuste é inevitável e deve ser feito, para termos condições de trabalho. Empregar, não é função da prefeitura, ela deve ter um quadro de funcionários necessários para prestar um bom serviço à população da cidade. É função criar dentro do município, as condições para que outras empresas venham e empreguem, criando empregos para a população da cidade,” Explicou o prefeito Saldanha.
CARNAVAL - “Tínhamos todos os motivos para não realizar o carnaval em Lucélia, devido a precariedade do município na sua infraestrutura, no setor de saúde e em outros setores. O carnaval de Lucélia teve inicio em 2003, sendo o principal evento cultural da cidade desde então. Vamos fazer um sacrifício enorme para realizar o carnaval a toda população luceliense e cidades vizinhas, que sempre prestigiaram o carnaval de Lucélia. Não será um evento pomposo, mas iremos fazer o carnaval na cidade de Lucélia,” comentou Saldanha.“Lucélia, infelizmente, é um município que nós vamos ter que formar de novo, teremos que começar praticamente do 'zero”, pois tudo aquilo que existia nos mandatos dos outros gestores, infelizmente, a administração que saiu em 31 de dezembro não teve condições de manter; aquilo que ganhamos no passado, perdemos e teremos que começar Lucélia do “zero”. É muito trabalhoso, requer recursos, uma estrutura preparada e isso não acontece do dia para a noite. Nós precisamos da compreensão da população, pois vontade, trabalho e dedicação não irão faltar.” Finalizou Osvaldo Saldanha.
No fechamento da edição, a administração informou que na sexta feira (18), foi efetuado o pagamento no valor de R$ 97.869,39 referente ao 13º salário dos funcionários pertencentes ao quadro dos PSFs e R$ 24.835,25 referente às férias dos funcionários da Santa Casa referente ao mês de dezembro de 2012.
Fonte: Marcos Vazniac
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