Após 65 dias idosa presa 'por engano', é libertada da penitenciária de Tupi Paulista
Nossa Lucélia - 04.12.2012
Dona Dorinha, moradora de Pirapozinho tem 62 anos e diz ter sido confundida com a verdadeira assassina, conhecida como Maria da Foice
TUPI PAULISTA – Após 65 dias presa, Maria das Dores Lima Pinheiro, 62 anos, foi liberada da Penitenciária de Tupi Paulista na noite dessa segunda-feira (3). Ela é moradora de Pirapozinho e foi presa acusada de ter participado de um assassinato em Pernambuco, em 2005. A idosa ficará em liberdade até o término do processo, enquanto vai tentar provar que foi confundida com a verdadeira assassina.
O caso dela foi mostrado pelo Fantástico do último domingo (2). Ontem, a família aguardou desde cedo pela idosa, conhecida como dona Dorinha. A Justiça de Pernambuco enviou para Justiça paulista o alvará de soltura referente a um mandado de prisão. Entretanto eram dois os mandados contra ela.
O impasse só foi resolvido no fim da tarde. No reencontro com a filha, o alívio por estar fora da penitenciária depois de mais de dois meses.
“Vou ver se descanso a cabeça porque enquanto eu lembrar essa vida que eu levei aqui não vai dar para ser a mesma pessoa”, afirmou dona Dorinha.
Para a família, foi um presente antecipado de Natal. “Esse tempo todo que nós passamos com ela aqui dentro, parecia que ela estava enterrada viva e a gente não conseguia soltá-la. Mas com ela aqui fora vamos provar a inocência com muito mais facilidade”, disse a filha Rosangela Perussi.
O CASO - Em setembro, dona Dorinha foi presa em Pirapozinho acusada do assassinato de um líder sem-terra em Pernambuco. Testemunhas acusaram duas pessoas: uma senhora, conhecida na região como Maria da Foice, e o sobrinho dela, Geraldo Miguel da Silva, que já foi preso.
Segundo a Justiça de Pernambuco, na época, parentes da Maria da Foice passaram para a polícia dados pessoais dela, exatamente iguais aos da dona Dorinha. Por isso, ela foi presa.
Entretanto, recentemente os mesmos parentes entregaram uma foto de Maria da Foice à Justiça e nela é possível ver a diferença entre ambas. Diferença, aliás, que foi reconhecida pelo próprio filho da vítima assassinada. "A mulher que matou meu pai é essa de branco. Eu conheci ela. Agora, essa daqui está presa inocente”, disse Antônio José dos Santos, referindo-se às fotos abaixo.
Fora da prisão, dona Dorinha quer agora que a justiça seja feita. “Quem fez isso comigo vai pagar e bem pago porque eu tenho certeza que da minha parte eu nunca faria uma coisa dessas”, salientou dona Dorinha.
Dia 13 deste mês ela vai a Tacaimbó, em Pernambuco, ficar frente a frente com as testemunhas do caso e seus depoimentos serão usados pela defesa da idosa para provar sua inocência.
Fonte: Do iFronteira.com
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