SEGURANÇA – Governador monitora região de P. Prudente
Nossa Lucélia - 04.11.2012
Coronel da reserva da Polícia Militar, Homero Sobrinho trabalha anonimamente dentro do CPI de Prudente
"Sobrinho chega a viajar até duas vezes por semana para São Paulo"
PRESIDENTE PRUDENTE - O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, mantém o ex-coronel da Polícia Militar Homero de Almeida Sobrinho como homem de confiança em Presidente Prudente e seu principal interlocutor na área para a região.
O Oeste Notícias apurou que Sobrinho, que despacha de uma sala exclusiva dentro do CPI-8 (Comando de Policiamento de Área), teria como função monitorar os passos e a movimentação da facção PCC (Primeiro Comando da Capital) em boa parte do interior. O oficial, agora na reserva, disse que está empenhado em projetos sobre os quais não tinha autorização para falar.
A nomeação do militar, como assessor especial do secretário de Segurança Pública, foi feita no dia 10 de junho do ano passado e publicada no Diário Oficial quatro dias depois. Homero de Almeida Sobrinho comandou a PM de Prudente e região durante cinco anos, entre março de 2006 e março de 2011. Em seguida, passou para a reserva.
Para desempenhar suas novas funções, o ex-coronel tem à disposição um carro da polícia descaracterizado e motorista. Não aparece em eventos oficiais, trabalha em trajes civis, não atende políticos e sequer tem contato com a tropa, mesmo com oficiais mais graduados .
Nos últimos três dias, a reportagem conversou com cinco policiais militares isoladamente, em horários diferentes, sem que qualquer um deles soubesse que outro tinha sido contatado; quatro deles têm posto de comando na hierarquia da PM de Prudente.
A informação prestada por todos eles foi coincidente: o coronel Homero Sobrinho estaria trabalhando para o secretário Ferreira Pinto no monitoramento do PCC, tendo amplo trânsito dentro da Secretaria de Segurança Pública.
"Até onde nós sabemos o coronel tem total confiança do secretário e não há ação da PM na região que não passe por sua aprovação", disse um tenente ouvido pelo Oeste Notícias. "Seu trabalho é atuar de forma a abastecer o secretário sobre os passos da facção".
A reportagem enviou ontem um e-mail à Secretaria de Segurança Pública, questionando os motivos pelos quais o ex-coronel estava trabalhando em Prudente, mas não obteve resposta do órgão.
À PAISANA - Na quarta-feira (31) à tarde, Homero de Almeida Sobrinho recebeu o repórter em uma sala bem organizada, com nove metros quadrados, no segundo andar da sede do Comando de Policiamento de Área de Prudente.
No espaço, a mobília é formada por uma espartana escrivaninha, um pequeno armário, um frigobar, que ostenta um quadro de Maria, e dois sofás cinzas, de dois lugares cada um. O ex-coronel não usa mais nada que lembre a farda que ostentava. Estava vestido de calça jeans e uma camisa branca, de listras e manga curta. Perguntado sobre o trabalho que está desempenhando, disse que não tinha nenhuma autorização para falar do assunto, e que isso caberia ao próprio secretário Ferreira Pinto. "Se ele (secretário) falar, tudo bem. Eu não posso".
Homero Sobrinho negou que esteja trabalhando apenas no monitoramento do PCC em Prudente, e afirmou que seu trabalho é realizar projetos a pedido do secretário para todo o Estado de São Paulo.
Em sua opinião, dedicar-se à facção que age em território paulista, dentro e fora dos presídios, não faz mais sentido, já que o PCC mantém uma atividade mínima na região. "O PCC está com todo mundo preso. Vou observar o que?", questionou.
A reportagem quis saber se sua permanência em serviço, após passar para a reserva, também não estaria ligada à onda de violência que já matou quase 90 policiais militares no Estado e se o governo não estaria preocupado com a migração para o interior. Da mesma maneira, Homero Sobrinho negou que fosse esse o motivo.
"Estou aqui desde junho do ano passado, período em que havia uma certa normalidade", disse o oficial, que após a afirmação, comentou que São Paulo passa por um momento atípico nas ocorrências de homicídio envolvendo policiais militares, "embora o Estado já esteja trabalhando e os resultados aparecendo".
SECRETARIA DIZ QUE CARGO ESTÁ LIGADO AO GOVERNADOR – O Oeste Notícias entrou em contato com o Departamento Central de Recursos Humanos da Secretaria de Segurança Pública, onde obteve a informação de que não existem assessores especiais atuando junto aos secretários estaduais. O cargo seria pert e n c e n te ao gabinete do governador.
A função, remunerada (o Oeste não conseguiu saber o valor do subsídio), é de confiança, e mesmo o ex-coronel não soube dizer se há outro servidor nomeado no Estado com as mesmas prerrogativas que ele.
De Presidente Prudente, Sobrinho chega a viajar até duas vezes por semana para São Paulo, onde se encontra unicamente com o secretário Antônio Ferreira Pinto. No CPI, ele dá expediente normal, mas garantiu que não se envolve com os assuntos pertinentes à tropa ou ao comando da PM local, não participa de reuniões e mantém distanciamento do coronel Ieros Aradzenka, para não "criar constrangimento".
Para ele, é "natural" que a tropa, por falta de conhecimento, comece a elaborar teorias sobre seu trabalho. No entanto, ao que tudo indica, isso não vai mudar. Sem prazo para deixar o cargo, o ex-coronel disse que não tem interesse em esclarecer o assunto para praças e oficiais e que mesmo para a população, a falta de informações não esbarra na lei de transparência do Governo.
"A transparência tem limites em termos de segurança pública. Se eu divulgar, não tem mais sentido fazer projeto algum de combate à criminalidade", afirmou.
Fonte: Paulo Godoy (Especial para o Oeste Notícias)
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