Filho de lucelienses brilha no campeonato espanhol de futebol
Nossa Lucélia - 28.10.2012


Aos 20 anos, santista supera lesões e se destaca no futebol espanhol

LUCÉLIA – O santista Leonardo Micali Baptistão é destaque no futebol da Espanha, onde a cada rodada, seu futebol vem ganhando prestígio junto a imprensa espanhola. Leo, é filho do casal luceliense Denise Micali Batistão / Haroldo Baptistão (Mala-raça) ex-jogador do Lucélia F.C. na década de 1980, onde defendeu as cores do alvi-anil na antiga Copa Alta Paulista e Copa Osvaldo Cruz.

O futebol está diretamente ligado a família de Leo Baptistão. Além de seu pai que foi boleiro em Lucélia, seu avô Romeu Baptistão foi jogador do Lucélia F.C. nas décadas de 1950. Celsinho Baptistão, seu primo de segundo grau, foi titular na Ponte Preta de Campinas na década de 80.

Leo começou a jogar nas categorias de base da Portuguesa Santista ao lado do craque Neymar, hoje maior estrela do futebol brasileiro. Com 15 anos de idade foi atuar pelo Getafe, da Espanha e hoje passou de promessa para uma realidade do futebol europeu, conquistando interesse de grandes clubes do futebol do velho continente.

A lista dos brasileiros que brilham nos gramados de Madri é extensa. De Kaká a Miranda, não são poucos os jogadores seduzidos pelos euros do poderosíssimo Real Madrid e do emergente Atlético, campeão de duas das três últimas edições da Liga Europa. Apesar do poderio financeiro da dupla, o grande destaque das rodadas iniciais do Campeonato Espanhol atua na terceira força da cidade, o Rayo Vallecano. Sem astros como Cristiano Ronaldo ou Radamel Falcao Garcia, o clube do bairro madrilenho de Vallecas aposta suas fichas em uma prata da casa: o meia-atacante brasileiro Léo Baptistão, de apenas 20 anos.

Nascido e criado em Santos, Léo tem surpreendido Paco Jémez, técnico do Rayo, e a imprensa local com sua ascensão meteórica. Logo em sua estreia entre os profissionais, contra o Real Bétis, no fim de agosto, deu uma assistência para Piti e anotou o gol da vitória por 2 a 1. “O jogo contra o Real Bétis não tem explicação. Foi um momento lindo e muito sonhado”, contou ao blog.

Duas rodadas depois, o jovem, que torcia pelo São Paulo na infância, teve outra experiência inusitada: enfrentou o ex-zagueiro tricolor Miranda, figura fundamental nos últimos títulos brasileiros da equipe do Morumbi e que hoje comanda a zaga do Atlético de Madrid. Sem parecer intimidado com o currículo do antigo ídolo e com a dimensão do estádio Vicente Calderón, palco onde jogam os colchoneros, deu trabalho aos adversários e balançou as redes novamente – mas não evitou a derrota por 4 a 3.

Vivendo um momento “gratificante”, como gosta de definir, Léo, a exemplo de outros jovens atletas, ainda estranha os holofotes e o assédio. “Nunca imaginei que seria tão rápido jogar contra o Real, o Atlético e o Barcelona. Na primeira semana, após minha estreia, estranhei muito. Todos os veículos de comunicação queriam falar comigo. Me vi em jornais, fui parado o tempo todo por gente pedindo autógrafo. Mas atendi a todos normalmente e fiquei muito agradecido também”, admite.

O bom desempenho do meia-atacante rendeu uma comparação ousada por parte da sempre exagerada imprensa espanhola. Mesmo com poucas partidas no currículo, o brasileiro foi apontado pelo site do jornal “As” como candidato a “novo Messi”. Ciente do que o ídolo argentino representa, o brasileiro mantém os pés no chão: “Ainda estou longe do futebol dele. Ainda tenho que correr muito, mas é claro que fiquei feliz com a comparação”.

Mais ponderado, o jornalista Jesus Colino, também do “As”, aprova o rendimento de Léo, mas faz uma ressalva: “As pessoas confiam muito nele, mesmo ainda sendo muito jovem. Tem sido titular quase sempre e, assim como todo o clube, está fazendo um início de temporada surpreendente. Em alguns momentos, dá para ver sinais de inexperiência, mas é totalmente normal”.

SAÍDA PRECOCE - Mesmo sendo cria de um dos maiores celeiros de craques do Brasil, a Baixada Santista, onde despontaram Neymar, Robinho e tantos outros, Léo percorreu uma trajetória difícil até chegar à equipe profissional do Rayo Vallecano.

A exemplo de Neymar, deu seus primeiros chutes no futsal. Antes de migrar para o futebol de campo da Portuguesa Santista, teve passagem pelo futsal do Santos, onde dividiu as mesmas quadras que o camisa 11 da Seleção Brasileira.

Aos 15 anos, tomou a difícil decisão de deixar Santos para tentar a sorte na Europa. Partiu de um amigo de seu pai o convite para um teste na Espanha. “Saí do Brasil muito cedo, fui para o Getafe (clube espanhol da primeira divisão), que não tinha alojamento para jogadores, então tive que sair. De lá, vim para o Rayo, onde fiquei dois anos como juvenil. Na terceira temporada, já estava com a equipe B”.

A saída precoce, como já era de se esperar, trouxe alguns reflexos para a vida e a carreira de Léo, sobretudo nos primeiros meses em Madri. “É muito difícil administrar a saudade. Mesmo com celular e internet, que ajudam bastante, não é a mesma coisa. Eu falava muito com meus pais e amigos pelo telefone, isso me ajudava um pouco. Com o passar do tempo, fui me adaptando melhor. Ainda sinto falta do Brasil, da minha família, de sair com os meus amigos e do clima de Santos. Adoro aquela cidade”, lembra.

Além da saudade do Brasil – amenizada pela companhia do “parça” e companheiro de equipe Sueliton, pernambucano com passagem pelo futebol gaúcho –, teve que lidar com uma série de lesões quando começava a se destacar pelo Rayo Vallecano. “No último jogo da pré-temporada, contra o Sporting de Gijón, quebrei a clavícula. Passei três meses me recuperando. Na minha volta aos gramados, contra o Getafe B, não durei nem cinco minutos. Logo no primeiro lance, levei outro golpe e tive uma recaída da lesão. Depois de me recuperar da lesão na clavícula, quebrei o pé esquerdo. Foi um ano horrível”, lamenta.

Após superar a sequência de lesões, Léo espera dar continuidade às boas atuações no Rayo Vallecano para, quem sabe, reeditar na Seleção Brasileira uma certa parceria iniciada nas quadras de futsal de Santos.

Sempre que vem de férias ao Brasil, Leo curte as belas praias da cidade de Santos onde nasceu, e sempre que pode vem visitar parentes e amigos na cidade de Lucélia, onde é a origem de toda sua família.


Fonte: Pedro Lopes – Colaborou Marcos Vazniac

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