Falta de mão-de-obra prejudica cerâmicas na Alta Paulista
Nossa Lucélia - 29.08.2012


Mesmo com salários maiores, procura é baixa. Mulheres chegam a 30% dos trabalhadores

REGIÃO - As olarias movimentam a economia dos municípios da Alta Paulista que ficam às margens do Rio Paraná. Em Panorama, por exemplo, 87 empresas respondem por cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, segundo o diretor da cooperativa das indústrias do setor, Milton Saldezas.

A maioria produz tijolos, os carros chefe do ramo, são produzidos de forma quase artesanal. Entretanto, falta mão-de-obra para atender ao mercado. “Tem muita rotatividade entre os funcionários, fora as cidades vizinhas que vêm buscar mão-de-obra aqui”, afirma.

Em Panorama e Paulicéia, existem 200 vagas abertas para o setor. As mais difíceis de preencher são para forneiro, responsável por colocar e retirar os tijolos do forno, e queimador, que abastece com madeira o fogo pra queima do material. Os salários chegam a R$ 1,6 mil e a única exigência é ter disposição. Mesmo assim, candidatos não aparecem.

Além da escassez de funcionários, os cerca de 1.100 trabalhadores das duas cidades faltam com frequência, como reclama o empresário Luis Carlos Afonso. “O que a empresa precisa hoje é de funcionário com compromisso, porque nós, empresários, temos compromisso com o cliente e, às vezes, não estamos tendo esse compromisso por parte dos funcionários”, fala.

Já para o presidente do sindicato que representa a categoria, Mário Lúcia Queiroz, a falta de mão-de-obra tem explicação. Ele afirma que há afastamentos por problemas de saúde e também alega falta de segurança.

A solução estaria em melhores condições de trabalho, incluindo remuneração. “Os trabalhadores têm reclamado que recebem apenas o piso na carteira de trabalho e um pouco por fora, o que não suficiente para sustentar a família. Reclamam também da segurança à noite. Já teve trabalhador que for morte para roubarem a olaria”, alerta.

Para tentar preencher as vagas, uma alternativa foi buscar mão-de-obra feminina. A lanceadora Rosemeri Custódio tem cinco anos de experiência e ganha cerca de R$ 1 mil por oito horas de trabalho por dia. Ela nem pensa em mudar de ramo. “Casei há um ano e minha renda ajuda bastante”, diz.

Porém, outras olarias ameaçam fechar as portas por falta de trabalhadores. Para sobreviver, algumas estão automatizando o processo. Como é o caso da empresa do gerente José Valentim Zuin, que deve ficar pronta no próximo mês e 90% do trabalho pesado será feito por esteiras e motores.

“Existem outros caminhos, mas nada foge da automação. Pode ser que você não tenha capital para fazer um grande investimento e mudar da noite para o dia, mas a tendência para resolver a escassez de mão-de-obra na cerâmica é o empresário ter consciência de que precisa partir para a automação”, opina.


Fonte: Do iFronteira

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