Greve na Anvisa obriga hospital de Marília a desmarcar cirurgias
Nossa Lucélia - 28.08.2012
Procedimentos que não são considerados urgentes estão sendo suspensos
Sangue não pode chegar a quem precisa por falta de kits retidos no porto
MARÍLIA - A greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está levando o Hospital das Clínicas de Marília, SP, um dos mais importantes da região, a desmarcar cirurgias que não são consideradas urgentes. A paralisação federal afeta também o Hemocentro e a Santa Casa.
O sangue doado para ser usado em cirurgias e transfusões em geral não pode chegar a quem precisa porque os kits usados para fazer a análise vêm de fora do país e estão retidos no porto de Santos. "A situação é bastante preocupante porque a nossa rotina, hoje, conseguimos tocar e, amanhã, nós não temos. O problema é que o fornecedor também não está conseguindo liberar em função da dificuldade na importação", avisou o assistente social, Rafael da Silva.
O estoque de sangue, que já passou por testes e está aprovado, a partir de agora, vai atender apenas pacientes de cirurgias de emergência. O Hemocentro atende 62 cidades da região. "Acontece que mesmo com o doador comparecendo, nós não conseguimos liberar a bolsa de sangue. Os pacientes podem sofrer a consequência disso. E a ação que estamos tomando agora é garantir os estoques para atender as urgências. As cirurgias eletivas podem ser suspensas", alertou Rafael.
O setor que trata de pessoas com câncer na Santa Casa de Marília também sofre com a paralisação. O hospital já está recorrendo ao estoque de emergência para evitar que os pacientes interrompam os tratamentos. Mas os remédios duram apenas mais uma semana.
A projeção é da médica oncologista, Lia Gapari. “A falta do medicamento, seja por um período curto de uma ou duas semanas, pode representar a progressão da doença do paciente e a piora do quadro clínico. A gente não está tendo falta imediata de medicamentos porque temos um estoque de emergência e uma tolerância ainda de uma semana. Mas se essa greve persistir por um período ainda um pouco maior podemos começar a ter atrasos e dificuldades no tratamento”, explicou.
Everton Freitas sofreu um acidente de moto há três anos e passou por vários tratamentos. Mas, agora, precisa de uma cirurgia para recuperar os movimentos do maxilar. A intervenção que estava marcada para o começo do mês foi adiada. A justificativa dos médicos é que a greve dos fiscais da Anvisa está impedindo a chegada do material importado. “É a quarta vez que cancelaram a minha cirurgia. E a dessa vez dizem que foi por causa da falta de material no hospital”, disse.
Em nota, a Anvisa informou que desconhece casos de desabastecimento de produtos médicos e de remédios por causa da greve. E que tem adotado medidas para facilitar a liberação dos lotes retidos nos portos e aeroportos. A greve dos funcionários da Anvisa já dura 41 dias. Na semana passada, o Governo Federal ofereceu 15% de reajuste, mas a proposta foi recusada.
Fonte: G1 Bauru e Marília
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