O que ocorreu com a demografia de 14 municípios da nossa região entre 1950 e 2010?
Nossa Lucélia - 26.08.2012
Analisando o censo com bom senso
REGIÃO - Na quinta-feira (23), às 19:30 horas, o Chefe da Agência do IBGE de Adamantina realizou uma palestra aos alunos do 2º termo de Geografia Humana, no Campus I da FAI.
Foi explanado, analisado e debatido o que ocorreu com a demografia dos 14 municípios da microrregião de Adamantina entre os Censos Demográfico de 1950 e 2010.
Discutido sobre os motivos que impedem um crescimento populacional maior e também o efeito da longevidade (aumento da população de 60 anos e mais de idade), nesta microrregião.
ÁREA CENTRAL DOS MUNICÍPIOS
Na área considerada central, analisem quantos domicílios deram espaços para estabelecimentos comerciais, prestação de serviços e consultórios de atividades autônomas e profissionais liberais.
Nesta mesma área, há trinta anos atrás, quantas pessoas viviam em média nestes domicílios? Verifiquem a situação ocorrida durante estes anos; são os filhos que se casam, que concluem cursos técnicos ou superiores ou que por outros motivos, migram para outras regiões.
Grande parte destes domicílios, alguns até tradicionais, se tornam ocupados por pessoas idosas, muitos que por necessitar de cuidados pessoais, passam a residir em outras residências com parentes.
Nestas unidades residenciais estão as taxas mais baixas de médias de moradores por domicílios, sem contar com o número de imóveis residenciais disponíveis para locação e ou venda.
Enfim, finalizando a demografia da área central, é fácil concluir que a cada Censo, a população central tem tendência a ser sempre menor.
NOVAS UNIDADES RESIDENCIAIS
Nesse momento surge o maior questionamento sobre a população, porque aumenta os domicílios e o aumento populacional não acompanha esse crescimento.
Sabemos que a imensa maioria destas novas unidades residenciais estão localizadas nos novos loteamentos existentes, então, o que ocorre, é apenas um remanejamento de população de vários pontos do município, para estas novas áreas de habitação.
Grande parte desses moradores, são casais que constituem suas famílias, pessoas que pagam locação de imóvel e opta em ter seu próprio domicílio e habitantes que residem com outros parentes e partem a procura de sua independência de moradia.
Esse remanejamento de pessoas, mais o controle de natalidade e a saída de jovens a procura de trabalho em outros municípios, faz com que a média de moradores por domicílio que em 1980 era de 5,0, em 2007 caiu para 3,07, em 2010 , 3,01 média de pessoas nos domicílios ocupados.
ZONA RURAL
Êxodo rural que ocorreu na década de 70, principalmente após a grande geada ocorrida no ano de 1975, que dizimou toda a cultura cafeeira regional.
E naquela época as famílias que cultivavam o café, eram constituídas por mais pessoas, a maior parte desses moradores migraram para os grandes centros (São Paulo, Campinas, Americana, e até outros estados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, etc.).
Finalizando lembro que a população do Censo Demográfico de 2000 era de 151.521 habitantes na microrregião de Adamantina e no Censo de 2010 eram 158.607 moradores.
DADOS ESTATÍSTICOS DOS 14 MUNICÍPIOS NO PERÍODO 1950 / 2010
Dos 14 municípios analisados, apenas Osvaldo Cruz e Pracinha obtiveram resultados positivos, comparando o primeiro e último censo. Analisando que a população de 2010 destes 14 municípios somou 158.607 habitantes, e o total de perda populacional entre o primeiro e último censo foi de 63.074 moradores, o equivalente a 39,767%.
Lembrando que esta perda populacional, só não foi maior, devida a instalação das penitenciárias. Seria o momento de nossos futuros governantes municipais, observarem estes dados, criando planos e ou projetos para uma possível reversão desta situação.
Quem sabe num futuro, poderá ocorrer uma união entre estes municípios, pois havendo um progresso microrregional, automaticamente os beneficiados serão os municípios.
Adamantina realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950.
35.223 habitantes (10.101 na zona urbana e 25.122 na zona rural).
No último Censo em 2010: 33.797 moradores (31.948 urbana e 1.849 rural).
Diferença negativa de 1.426 habitantes.
Flora Rica foi recenseada pela primeira vez em 1960.
7.032 moradores (571 na zona urbana e 6.461 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 1.752 habitantes (1.418 urbana e 334 rural).
Diferença negativa de 5.280 residentes.
Flórida Paulista realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950.
19.327 habitantes (2.930 na zona urbana e 16.397 na zona rural).
No último Censo em 2010: 12.848 moradores (10.137 urbana e 2.711 rural).
Diferença negativa de 6.479 habitantes.
Inúbia Paulista foi recenseada pela primeira vez em 1960.
6.133 moradores (1.407 na zona urbana e 4.726 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 3.630 habitantes (3.177 urbana e 453 rural).
Diferença negativa de 2.503 residentes.
Irapuru foi recenseada pela primeira vez em 1960.
16.908 moradores (4.150 na zona urbana e 12.758 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 7.789 habitantes (5.507 urbana e 2.282 rural).
Diferença negativa de 9.122 residentes.
Lucélia realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950.
29.900 habitantes (8.575 na zona urbana e 21.325 na zona rural).
No último Censo em 2010: 19.882 moradores (17.219 urbana e 2.663 rural).
Diferença negativa de 10.018 habitantes.
Mariápolis foi recenseada pela primeira vez em 1960.
11.397 moradores (1.587 na zona urbana e 9.810 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 3.916 habitantes (3.137 urbana e 779 rural).
Diferença negativa de 7.481 residentes.
Osvaldo Cruz realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950.
27.022 habitantes (7.296 na zona urbana e 19.726 na zona rural).
No último Censo em 2010: 30.917 moradores (27.782 urbana e 3.135 rural).
Diferença positiva de 3.895 habitantes.
Pacaembu realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950.
23.896 habitantes (3.048 na zona urbana e 20.848 na zona rural).
No último Censo em 2010: 13.226 moradores (9.745 urbana e 3.481 rural).
Diferença negativa de 10.670 habitantes.
Pracinha foi recenseada pela primeira vez em 2000.
1.431 moradores (1.186 na zona urbana e 245 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 2.858 habitantes (1.369 urbana e 1.489 rural).
Diferença positiva de 1.427 residentes.
Sagres foi recenseada pela primeira vez em 1960.
8.259 moradores (323 na zona urbana e 7.936 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 2.395 habitantes (1.819 urbana e 576 rural).
Diferença negativa de 5.864 residentes.
Salmourão foi recenseada pela primeira vez em 1960.
5.718 moradores (715 na zona urbana e 5.003 na zona rural).
No Censo de 2010 possuía: 4.818 (4.321 urbana e 497 rural).
Diferença negativa de 900 residentes.
Parapuã realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950: 12.804 habitantes.
No último Censo em 2010: 10.844 moradores.
Diferença negativa de 1.960 habitantes.
Rinópolis realizou seu primeiro Censo Demográfico em 1950: 16.631 habitantes.
No último Censo em 2010: 9.935 moradores.
Diferença negativa de 6.696 habitantes.
Fonte: João Carlos Rodrigues (Técnico em Informações Geográficas e Estatística)
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