Termina rebelião na Fundação Casa de Irapuru
Nossa Lucélia - 21.08.2012
Movimento terminou após quase quatro horas de negociação e mobilizou 50 policiais
IRAPURU - Terminou por volta das 13h desta terça-feira (21) a rebelião nas duas unidades da Fundação Casa (antiga Febem) de Irapuru. O movimento começou por volta das 9h30 na unidade 2, atingiu o outro prédio e se encerrou após negociações com juiz, promotor, advogados e policiais.
De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a mesma unidade que começou a rebelião foi a primeira a se render. Os internos liberaram os cinco reféns, sendo o diretor da Fundação e quatro funcionários. Eles tiveram ferimentos leves e foram atendidos no local.
Os adolescentes entregaram também facas artesanais que eles usaram na ação, conforme informações da Polícia Militar, que mobilizou cerca de 50 policiais dos batalhões de Presidente Prudente e Dracena, além do helicóptero Águia.
A unidade 1, conforme o subtenente PM Carlos Francisco Lyrio, possui 69 internos, e a outra, 68, sendo que cada uma delas tem 56 vagas. Ou seja, ambas funcionam superlotadas.
Por meio de nota, a Fundação Casa informou que uma equipe da Corregedoria Geral da Fundação está se dirigindo da capital a Irapuru para instaurar sindicância e apurar os fatos que motivaram os internos a se rebelarem nas duas unidades.
As autoridades deixaram a unidade sem conceder entrevistas. Extraoficialmente, informaram que os menores disseram sofrer agressões dos funcionários da fundação e, por isso, teriam iciado a rebelião.
A situação relatada foi confirmada ao iFronteira por Hélio dos Santos Custódio, pai de um dos internos, morador de Santo Anastácio. O garoto tem 17 anos e está internado na instituição pela terceira vez. De acordo com ele, já encontrou o filho com marcas de agressão pelo corpo.
“Os funcionários batem na cara deles e eles não podem fazer nada. Se reclamarem para os pais ou familiares e o funcionário descobrir, eles apanham mais. Meu filho já apareceu várias vezes com machucados no rosto ou teve que dormir no chão como punição”, relata o pai.
Na última visita que fez ao filho, no sábado (18), o rapaz se queixou de dor de dente. “Eles se recusaram a dar tratamento odontológico a ele, dizem que é mentira, usam isso para punir. Eu concordo que ele tem que pagar pelo que fez, mas não é desta forma. Porque toda vez que vou para lá, ele está com mais ódio do lugar e das pessoas. Toda vez que ele foi pra lá, saiu pior”, desabafa.
Fonte: Pedro Mathias / iFronteira
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