Lembranças do Cine Lucélia
02 de novembro de 2005

Nelson Martinez - Tenho algumas lembranças do Cine Lucélia até mesmo antes do Prédio Reformado acho que pelos anos de 1958 ou coisa assim. Não era de freqüentar o cinema, ver os filmes. Era mais de ver as fotografias dos cartazes que ficavam expostos. Mas me lembro de ter assistido Homens Sem Paz, A Lei do Sertão, Ruthe, vários Filmes do Mazaropi.
Na época os padres do Colégio Salesiano faziam uma concorrência com o Cine Lucélia, atraiam a molecada para o ORATÓRIO aos domingos a partir das 14 horas, promoviam um ato religioso e após tinha uma partida de futebol ou um filme, era muito legal, pois tinha muito desenho do Pica-Pau. Lembro de ter assistido Pancho Vila, e Viva Zapata.
Uma das atividades que na época, também acontecia pela manhã no Cine Lucélia era um programa de Calouros, promovido pela Rádio Difusora de Lucélia ZYP5, onde entre músicas e entretenimentos tinha muita pergunta para a platéia responder. Tudo patrocinado pela: Serraria Santa Maria, de Martins e companhia o Máximo de qualidade e perfeição informa a hora certa, Bazar do Ponto, Manoel Lopes e Irmãos, sabonetes Gessy e tantos outros patrocinadores.
Recordo que eu cheguei a ganhar uma “flâmula” da agência Mercedes Bens por ter acertado a resposta de uma pergunta. Não consigo lembrar o ano exato dos fatos nem do locutor que abrilhantava o programa.
O que eu gostava mesmo de fazer era ir para a porta do Cinema trocar os “Gibis”. Levava aquele pacote no braço e ia trocando com o pessoal aqueles gibis que não tinha lido ainda e vice e versa (Cavaleiro Negro, Zorro e o Tonto, Fantasma, Mandrake e Lotar, Tarzan, Jerônimo, Flexa Ligeira, Sobrinhos do Capitão, Pato Donald e Tio Patinhas, Gato Felix e Zé Carioca), a porta do cinema era um tremendo mercado de troca, era muito legal. O Cine Lucélia era assim um irradiador de informações.
Na época o pessoal da Cidade mais tradicionalista na moral e bons costumes, não gostavam do dono do Cinema, o Senhor “ZÉ Mineiro” e faziam os mais variados tipos de comentários quanto ao seu comportamento de Dom Juan.
Acho que a cidade até se tornou Janista para se opor a ele que era um “Adhemarista ROCHO” daqueles de hospedar o Adhemar de Barros na sua casa, que ficava na Praça da Igreja Matriz.
Recordo que na eleição em que elegeu o Pozzeti para Prefeito O Saudoso Luiz Gonzaga o “Rei do Baião” fez um Show na frente do Cinema e ocorreu um fato: “Atiraram uma pedra na cabeça dele e ele caiu no Palco. O fato me marcou, pois estava logo atrás dele no palco.
Depois de muitos anos quando estive na Ilha do governador no Rio de Janeiro, no “Famoso Forró do Lua” em contato com o Luiz Gonzaga perguntei se ele se lembrava do fato; ele Riu Muito e me disse: Meu Jovem, a gente fazia o trabalho para quem estava pagando, era tudo uma brincadeira pra chamar atenção do povo e por a culpa no adversário. No caso, na época a culpa foi para o “Zé Mineiro”.
No Cine Lucélia trabalhava o “Zé Pintor” especialista em Pintar as Letras do Cartaz do Cinema, bem como numerações nas carrocerias de caminhão. Era muito bom na sua profissão, principalmente após umas “cangibrinas”.
O Zé Mineiro tinha um amigo Japonês que passava junto com ele horas e horas jogando Xadrez em seu escritório que ficava na rua Amazonas, na parte de trás do cinema.
Tenho muita saudade desse tempo, dos amigos que fui até esquecendo os nomes, como a loirinha que estudou comigo no Segundo Grupo Escolar e que em todas as oportunidades cantava a musica da Cantora Espanhola Sarita Montiel, “La Violetera”.
Por Hoje ficamos por aqui Mas prestando Uma Homenagem Ao Eterno “REBOLO” o grande cidadão Popular do Carnaval de Lucélia, cuja história precisa ser regatada, quando se fala da história do carnaval da Cidade.

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