Cientistas querem criar "Bancada da Ciência"
03 de agosto de 2018

"Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias." (Carl Sagan)


Por Marcos Vazniac - Um grupo de cientistas está entrando na política. Cansados de ver os recursos para a pesquisa irem pelo ralo, eles decidiram ir à luta e criaram o movimento “cientistas engajados”. Estarão percorrendo as cidades, não apenas em busca de votos, mas levando debate científico para os universitários e leigos. O objetivo é defender a Ciência brasileira dos desmandos do atual governo. Com o lema “tem Ciência na Política”, eles querem fazer oposição à bancada da Bíblia.

Depois do Brasil ter a bancada BBB (Bíblia- Boi e Bala), agora poderá terá bancada da Ciência. MOTIVO: A cada ano, o orçamento do governo brasileiro destinado à ciência e tecnologia vem caindo sistematicamente. Em 2010, o gasto total foi de R$ 10 bilhões (em valores atualizados pela inflação). Já em 2018, esse valor será de apenas  R$ 3,4 bilhões. Outro duro golpe aconteceu em 2016, pouco antes do impeachment de Dilma Rousseff, quando o ainda interino governo Temer anunciou o fim do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A pasta foi fundida ao Ministério das Comunicações. De acordo com a  comunidade cientifica, a medida serviu para alertar que a pesquisa não seria prioridade para Temer.

O presidente virou assunto até da conceituada revista Nature, que em 2016 publicou reportagem sobre os cortes de gastos e a ameaça que isso representa para o desenvolvimento da ciência nacional. "Isto é uma atitude de guerra contra o futuro do Brasil. Cientistas vão deixar o país", disse à revista Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Uma vez empossado, o presidente foi desferindo mais golpes na comunidade científica. Outra medida danosa foi a chamada PEC do Teto, que condicionou o crescimento dos gastos públicos ao aumento da inflação. O único jeito de um ministério aumentar seus gastos é se a inflação subir. Se isso não acontece, tudo permanece como está.

Temer acelerou a marcha do que já não andava bem. A crise econômica atingiu em cheio o setor da pesquisa no Brasil ainda durante o governo de Dilma Rousseff. Nos últimos dez anos, o orçamento do ministério encolheu 30%. Em 2015, o extinto Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação teve sua menor verba em sete anos (R$ 4,6 bilhões). O CNPq tesourou em agosto 20% das bolsas de iniciação científica oferecidas a estudantes do ensino médio e da graduação. Pesquisadores da entidade acusaram o governo de reduzir em até 30% a verba destinada às bolsas de produtividade.

Desse cenário de terra arrasada nasceu um projeto político que quer colocar os próprios cientistas para brigar por suas demandas no lado de dentro da política. Os Cientistas Engajados, primeira "bancada científica" do Brasil, pretende começar a alertar a população para a importância do investimento em ciência e tecnologia e os riscos que o país corre se ficar para trás. Os pré-candidatos-cientistas são Walter Neves, professor aposentado da USP e antropólogo especialista em evolução, e Mariana Moura, doutoranda na mesma universidade, onde pesquisa a transferência de valores na cadeia energética. Neves concorre a deputado federal e Moura, a deputada estadual, ambos pelo estado de São Paulo.

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