Dallas tupiniquim
04 de março de 2016
Por Marcos Vazniac -
A nossa cidade fictícia fica no “novo oeste”, região da Nação, por última colonizada e que ainda mantêm resquícios do coronelismo e do voto da enxada.
A chamamos de Dallas, por haver, no meu entender, pelas semelhanças entre a “cidades irmãs”. Como sua coirmã texana, a Dallas tupiniquim é uma cidade conservadora, moldada por fortes e tradicionais valores puritanos. Um forte chamado a religiosidade que chega as raias da histeria coletiva. Bem, o russo Fiodor Dostoiévki escreveu um belo tratado sobre a histeria, que serviu de paradigma para nada mais nada menos ao Dr. Freud.
A Dallas lá na terra do Tio Sam, é uma cidade diferente das demais. Lá fala-se o inglês sulista, típico caipira com vários “erress” o povo anda nas ruas com suas botas de couro de boi, usam enormes chapéus sobre a cabeça, tudo indica que é para apaziguar o forte calor da região, mas os críticos desconfiam que é para esconder os enfeites dos homens, quando os mesmos passam sob os postes. Lá reina o petróleo, aqui no “novo oeste”, reina o etanol. Lá há rodeios, na Dallas tupinambá, há rodeios e o comércio da cidade se aquece com os vaqueiros cantadores que desembarcam na cidade em busca de sucesso. Falando em cantadores, os tocadores de viola são bem aceitos na cidade, assim como na Dallas americana, onde o velho e bom rocky´n´rool, e cantores como Frank Sinatra não são bem aceitos. Imaginem em vez de New York New York, o bom americano cantasse Dallas Dallas. Mas isso não aconteceu.
A sociedade na cidade texana é ultraconservadora. Lá, os valores morais e religiosos valem tanto, ou mais do que a Constituição. Famílias tradicionais são conhecidas pelo sobrenome, e não pelo prenome. E fazem da Dallas americana uma cidade diferente, moderna, conservadora e caipira ao mesmo tempo. Qualquer semelhança é mera coincidência.
A Dallas texana não gosta de concorrência, mas a rica Houston já mandou homens na Lua, ao contrário do que pregam evangélicos e os fanáticos e conservadores católicos ligados a Opus Dei e a Fanática TFP. Lá no Texas, Estado conservador que admite a pena capital, há a pequena e progressista Austin, com seu porto e indústria de base. Mas em Dallas, segundo fontes, os magnatas do petróleo não querem a criação de parques industriais ou a criação de novas indústrias, tudo por causa do ouro negro que brota do subsolo e enriquece trustes e famílias poderosas. Qualquer semelhança é mera coincidência.
O futuro da Dallas do “novo oeste” não parece animador. Enquanto houver divisão de classes ou de castas como na Índia, a cidade continuará a ser governada por pessoas que veem o seu próprio umbigo, ou os seus interesses do truste em vez do progresso cultural e imaterial da cidade.
Uma cidade mais humanizada, com menos burocracia, menos memes e falso puritanismo é uma das iniciativas que nascem no horizonte na nova cidade. Um grupo de jovens utópicos que admiram Che Guevara mais do o mais alto do céu, iniciam uma revolução cultural na conservadora Dallas do “novo oeste”. Mas será que os conservadores, deixarão a flor nascer no deserto? Será que deixarão o teatro fluir livremente pelas ruas e praças da cidade? Deixarão os modernos ateus com suas placas e faixas fazendo apologia que Deus é um delírio? Deixarão que novas ideias liberais que existem na culta Europa contaminem os jovens com cultura, arte e diversão? Como diria um famoso personagem de Machado de Assis: Aos vencedores as batatas...Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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