Teologia da Prosperidade é o ópio do povo
01 de junho de 2015
Por Marcos Vazniac -
“A religião é o ópio do povo.” Karl Marx
O poeta latino Ovídio definiu a metamorfose sendo um mundo em constante mutação, sendo uma forma de adaptação ao meio de um ser ou de uma sociedade. Assim, as ideias darwinistas pregadas por Charles Darwin no livro As Origens das Espécies continuam vivas no DNA humano. Desde que nossos ancestrais saíram das cavernas e colonizaram nosso pálido ponto azul, houve de fato, uma evolução da humanidade, e na religião não foi diferente.
Basta citar a Reforma Protestante, o Vaticano II e agora, a Teologia da Prosperidade. Nascida nos Estados Unidos da América, tal movimento é uma doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. Baseada em interpretações não-tradicionais da Bíblia, geralmente com ênfase no Livro de Malaquias, a doutrina interpreta a Bíblia como um contrato entre Deus e os humanos; se os humanos tiverem fé em Deus, ele irá cumprir suas promessas de segurança e prosperidade. Reconhecer tais promessas como verdadeiras é percebido como um ato de fé, o que Deus irá honrar.
A Teologia da Prosperidade é o abraço entre a fé cristã com as ideias liberais do economista escocês Adam Smith e, principalmente com as ideias de Max Weber e sua obra famosa A ética protestante e o espírito do capitalismo, onde argumenta que a religião era uma das razões não-exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo ascético, que levou ao nascimento do capitalismo. Tais ideias estão presentes no cerne da reforma calvinista que aproximou a burguesia europeia do lucro, já que a Igreja Católica condenava a usura.
O ponto central da Teologia da Prosperidade, bem como das ideias reformadoras de Lutero e Calvino é se eu sou rico é por benção de Deus. O trabalho não é visto como um castigo, mas sim uma dádiva. Se existe riqueza, foi Deus que me concedeu, e assim, as pessoas conheceram uma nova forma de ver a religião. O Cristo sofredor pregado na cruz dá lugar ao Cristo que ressurgiu do reino dos mortos, sendo redentor da humanidade.
O grande problema da nova Teologia é que o capitalismo traz consigo o vírus do individualismo. As pessoas ficam mesquinhas, furtivas e só pensam em si mesmos, deixando o lado social e comunitário para escanteio, ou quando fazem atos de bondade, querem o Reino do céu como troca. Troca ou usura?
O Cristianismo evoluiu na Roma pagã sendo uma espécie de seita onde os valores eram comunitários e a participação era livre para todos, principalmente para os mais pobres, já que o Mitraísmo (religião predominante em Roma) era só para os privilegiados. Assim, a Doutrina de Jesus Cristo foi uma religião voltada para todos, onde as comunidades primitivas viviam uma espécie de comunismo primitivo. Tais ideias foram jogadas no lixo da história pela nova Teologia. Mas diante dos ensinamentos de Jesus, acho que os defensores de tal Teologia deveriam se preocupar com a seguinte frase do Rabi:
«... Expulsou todos os que ali vendiam e compravam, derrubou as mesas dos cambistas, e as cadeiras dos que vendiam as pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores.» (Mateus 21:12-13).
Fonte:Marcos Vazniac é formado em História pela FAI de AdamantinaVoltar para a coluna Marcos Vazniac
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