PT: da esquerda para o centro
31 de outubro de 2011
Marcos Vazniac - O Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980 mudou muito desde a sua formação. Composto por dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia 10 de fevereiro de 1980 no Colégio Sion em São Paulo. O partido é fruto da aproximação dos movimentos sindicais, a exemplo da Conferencia das Classes Trabalhadoras (CONCLAT) que veio a ser o embrião da Central Única dos Trabalhadores (CUT), grupo ao qual pertenceu o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, com antigos setores da esquerda brasileira.
O PT foi fundado com um viés socialista democrático. Com o golpe de 1964, a espinha dorsal do sindicalismo brasileiro, que era o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), que reunia lideranças sindicais tuteladas pelo Ministério do Trabalho- um ministério geralmente ocupado por lideranças do Partido Trabalhista Brasileira varguista - foi dissolvida, enquanto os sindicatos oficiais sofriam intervenção governamental.
Nos primeiros anos de sua história, o partido fez oposição ao capitalismo e ao modelo de desenvolvimento implantado no Brasil. O partido, se achava no direito de criticar abertamente as políticas econômicas de José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e FHC. Mas quando chegou ao poder, com a vitória de Lula em 2002, mudou sua estratégia política. Abandonou a retórica efêmera da esquerda vazia, para se aproximar de políticos que outrora havia criticado.
No mundo da política as coisas são mais complicadas do que a retórica. FHC mudou seu discurso politicamente correto das décadas de chumbo, e no poder fez o que tinha que ser feito. Coube a Lula e ao PT quando chegaram juntos ao poder, continuar sua política econômica que haviam criticado quando oposição. A base da política econômica de Lula e Dilma não se parece nada com a política pregada em seus estatutos nas décadas anteriores. No poder o PT não apenas se aproximou como continuou a doutrina econômica do PSDB, seu maior rival, como também adotou certas normas que duramente havia criticando na cartilha de Roberto Campos. Hoje o PT está mais próximo de Roberto Campos, do que para Florestan Fernandes, seu sociólogo fundador.
De esquerda radical que pretendia fazer a reforma agrária, pretendia erradicar a pobreza e acabar de uma vez por todas com a corrupção política, o PT se vê agora no poder, e como todo partido que chega ao poder, vê que sua casa tem vidraças. Do discurso populista de não pagar a Divida Externa, de não ajudar bancos quebrados, hoje o PT é diferente. Abandonou o velho discurso cubano de dar calote na Divina Externa para virar credor do FMI.
Na oposição o PT criticava Maluf e Quércia, e chegou ao poder com apoio de ambos. Criticava Sarney e os votos dos coronéis do nordeste, hoje governa com apoio deles. Durante a campanha de 1998, a Universal do Reino de Deus, criticava o PT como algo “demoníaco”, em 2002, José Alencar, aliado da Universal foi eleito vice-presidente na chapa de Lula.
O PSDB nasceu com a ideologia da social-democracia, hoje está no centro-direta. O PT nasceu de esquerda, socialista, hoje é de centro, um verdadeiro partido social democrata. Hoje de centro, amanhã poderá ser de direita. Os mensaleiros e os atuais escândalos de corrupção que assolam o país demonstram sua mudança radical.Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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