Dubito ergo sum
10 de outubro de 2011
Marcos Vazniac - René Descartes queria ter provas matemáticas da existência de Deus. Aconselhado pelo cardeal Bagni, o brilhante francês escreveu a obra intitulada Meditações sobre a primeira filosofia na qual se demonstram a existência de Deus e a distinção entre corpo e o espírito (1641).
Descartes luta contra tudo e todos e é obrigado a acreditar em tudo. “ Considerai que eu mesmo não tenho mãos, nem olhos, nem carne, nem sangue, nem sentidos”. Sobre a meditação o filósofo voltou a escrever: “ A meditação de ontem encheu meu coração de tantas dúvidas que já não está em meu poder esquecê-las.”
Chegou a conclusão de que “Eu sou, eu existo, isso é certo”. Descartes cria então a doutrina famosa Cogito ergo sum, onde ele (homem) pensa, imagina, duvida, afirma, portanto existe. A filosofia de Descartes é baseada na fé do pensamento. Eu existo pelo fato de pensar, e logo Deus existe, pois eu penso. Será que Deus pensa e nós existimos diante dele?
A grande contribuição de Descartes para a ciência no entanto, foi retirar Deus do mundo. “O que ele fez foi retirar Deus do mundo, e isso deu rédeas soltas à nova ciência.”1
O Deus que Descartes acreditava era o Deus dos filósofos, o mesmo Deus mencionado por Baruch Spinoza.
Uma das maiores autoridades em assuntos religiosos do mundo, a antropóloga inglesa Karen Armnstong, fez os seguintes comentários sobre a crença de René Descartes:
(..) Em sua visão solitária o universo é uma máquina sem vida; o mundo físico, inerte e morto, não pode nos fornecer informações sobre o divino. No cosmo existe apenas uma coisa viva: a mente humana, capaz de encontrar certezas simplesmente se desbruçando sobre si mesma (..). 2
A mesma autora comenta que Descartes era um católico devoto, mas que cometeu um erro. “Descartes se recusou a voltar ao passado primordial e imaginário do mito e do culto”. A mesma autora em outra obra célebre comenta:
(...) Mas , ao contrário de Aristóteles, são Paulo e todos os outros filósofos monoteístas anteriores, ele achou o cosmo completamente sem Deus. Não havia designo na natureza. Na verdade, o universo era caótico e não revelava sinal de planejamento inteligente. Portanto, era-nos impossível deduzir qualquer certeza sobre primeiros princípios da natureza. Descartes não tinha tempo para o provável e o impossível: buscou estabelecer o tipo de certeza que a matemática oferece (...). 3.
Descartes afirmava que o estava feito não pode ser desfeito. Como Santo Agostinho, o francês encontraria provas da existência de Deus, dentro da consciência humana, portanto: até a dúvida prova a existência do criador, explica a autora.
A epistemologia de René Descartes esta na crença Existo pois creio, ou creio pois existo?
Descartes, submetido as ordens do catolicismo não via contradição entre fé e razão. Mas ele não menciona nem deu importância aos mitos, como explica Joseph Campbell, em O Poder do Mito.
(...) Os Deuses criaram o homem e o Mundo, os heróis Civilizadores acabaram a Criação, e a história de todas estas obras divinas e semi-divinas está conservada nos mitos (...) 4.
O futuro não pertence à História, nem a vã Filosofia. A Literatura e a Antropologia estão sendo substituídos pela Física, cujos físicos determinarão de onde viemos, pois estudos recentes mostram que conhecemos apenas 10% de toda matéria existente no universo. Isso pelo fato de que nosso universo ainda está em expansão. A criação do Gênese parece que ainda não acabou...
Como a palavra final os físicos! Duas boas sugestões de leitura são os livros dos cientistas, as do brasileiro Marcelo Glaser e do britânico Stephen Hawking.
1. HECHT Jennifer Michael. Dúvida: uma História. Ed. Ediouro, Rio de Janeiro, 2003, págs 321 e 322.
2. ARMSTRONG Karen. Em nome de Deus, Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 2009, pág 107.
3. AMSTRONG Karen. Um História de Deus – Quatro milênios de busca do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 1993, págs 303 e 304.
4. ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano, Livros do Brasil, Lisboa, Portugal, pág 157.Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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