A guerra do futebol
01 de setembro de 2011
Marcos Vazniac - A busca por uma vaga na Copa do Mundo de Futebol sempre foi uma guerra dentro de campo. Uma luta ferrenha dentro dos gramados, principalmente entre países sem muita tradição no futebol mundial. Ter a oportunidade de disputar um Mundial de Futebol organizado pela Fifa, sempre seduziu jogadores, técnicos e torcedores.
O fanatismo pelo futebol chegou ao ponto que no ano de 1969, na disputa por uma vaga para a Copa do Mundo de 1970, que foi disputada no México e vencida pelo Brasil, durante uma partida pelas Eliminatórias Centro-Americana, disputada entre El Salvador e Honduras, acabou em pancadarias nas arquibancadas que continuou pelas ruas entre torcedores.
“Imediatamente os dois países rompem relações. Em Tegucigalpa, os para-brisa dos carros exibem decalques que aconselham: hondurenho, apanhe um lenho e mate um salvadorenho. Em San Salvador, os jornais exortam o exército a invadir Honduras para dar uma lição nestes bárbaros. 1.
O exército de El Salvador invade a fronteira de Honduras metralhando residências dos camponeses, que nada tinham com o jogo. A guerra foi curta e deixou, de ambos os lados, algo em torno de 4 mil mortos. O que era para ser apenas uma partida de futebol entre dois países sem muita tradição, entre dois países centro-americano, que no passado foram um só, pequenos países agrários dominados por latifundiários e dominados por ferrenha Ditadura Militar, cujos líderes foram treinados na Escola das Américas, no Panamá, onde foram treinados e fabricados torturadores e ditadores das grandes ditaduras militares que abortaram a democracia na América Latina.
É verdade que o esporte em especial o futebol, consegue trazer a paz em tempos de guerra. A guerra civil em Biafra, na África, foi paralisada pelo rei do futebol Pelé. Mas em caso como na partida entre El Salvador e Honduras, para obter uma vaga na Copa do Mundo de 1970, acabou de forma trágica, alimentada por preconceito ideológico durante o trágico período da Guerra Fria, onde as nações latino-americanas, foram arrastadas para o campo de batalha ideológico contra a sua própria vontade.
1- GALEANO, Eduardo: Memória do Fogo (III), O século do vento, Ed. L&PM, Porto Alegre, RS, página 283.Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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