Jonhann Cruyff o poeta da bola
16 de agosto de 2011
Marcos Vazniac - A final da Copa do Mundo de 1974, disputada na Alemanha Ocidental, entrou para a história do futebol mundial, pois marcou o duelo entre dois dos maiores jogadores do mundo em todos os tempos. Defendendo a Alemanha Ocidental, Franz Beckenbauer contra o líder da Laranja Mecânica, o holandês Jonhann Cruyff.
A partida disputada no estádio Olímpico de Munique, vencida pela Alemanha Ocidental, que conquistara, na oportunidade, o bicampeonato mundial. A Holanda, chamada de Laranja Mecânica, devido a um filme homônimo dirigido pelo cineasta Stalen Kubitch, era comandada pelo mago Rinus Michels, e tinha no time além de Cruyff, os fulminantes Neeskens, Rensenbrink e Krol. O time holandês, derrotado em Munique, revolucionou o futebol mundial para sempre. O nome de Jonahnn Cruhff, que se consagrara como grande jogador no Ájax da Holanda, e no Barcelona, da Espanha, será eternamente lembrado como o poeta do futebol.
Dois protagonistas da final de 1974, Jonhann Cruyff e o alemão Paul Breitner, pretendiam se enfrentarem na revanche, que foi marcada para 1978, na Copa da Argentina, então governada pelos militares. “ (...) Ao som de uma marcha militar, o general Videla condecorou Havelange na cerimônia, celebrada no estádio Monumental de Buenos Aires. A poucos passos dali, estava em pleno funcionamento o Auschwtiz argentino, o centro de tortura e extermínio da Escola Mecânica da Armada. E alguns quilômetros além, os aviões lançavam prisioneiros vivos para o fundo do mar.”1
Foi no cenário de um filme de horror, que seria disputada a Copa do Mundo da Argentina. A copa do mundo teve início, mas sem duas estrelas. Breitner e Cruyff, não pisaram seus pés na Argentina, em protesto contra o regime militar vigente naquele país. A revanche entre Holanda e Alemanha ocidental, ocorreu, mas sem a presença de duas das principais estrelas do futebol mundial.
Em campo, a Argentina levantou a taça, ao vencer na prorrogação a boa seleção da Holanda, pelo placar de 3 x 1. Sem Cruyff em campo, ficou difícil para os holandeses, que já não tinham o belo futebol apresentado quatro anos antes, vencer o bom time argentino e sua fanática torcida.
Cruyff não é apenas um dos melhores jogadores de futebol que o mundo conheceu. Foi também, um atleta com ideais humanitário. Ao se recusar em disputar a Copa da Argentina em 1978, deu provas de seu caráter e retidão, afinal de contas a Ditadura Militar na Argentina, foi uma das mais sangrentas do continente.
Quatro anos antes, a seleção da União Soviética se recusou a jogar as eliminatórias para a Copa de 1974. Os soviéticos se recusaram a pisar no estádio Nacional do Chile, local onde muitos foram fuzilados dentro do estádio, por ordem da ditadura militar de Augusto Pinochet Ugate.
Podemos ver que o futebol hoje é um esporte milionário, com grandes craques que brilharem dentro dos gramados. Mas algumas atitudes como de Cruyff em relação a Copa de 1978 na Argentina, é mais do que um gol de placa. Foi um ato louvável.
1- Galeano, Eduardo: Futebol ao Sol e à Sombra. Ed. L&PM, Porto Alegre/RS, 1995, pgs 162 e 175.
2- Wikipedia.Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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