O livro proibido da Ditadura Militar
05 de julho de 2011
Marcos Vazniac - Era o mês de julho de 1985. A Ditadura Militar no Brasil acabará há poucos meses. O país elegerá seu primeiro presidente civil, desde Jânio Quadros, e se preparava para eleger a nova Assembleia Nacional Constituinte, que iria redigir a futura Carta Magma.
O mundo esperava a visita do cometa Halley, e nossa seleção, dirigida por Tele Santana, tentava uma baga na Copa do Mundo, que novamente seria disputada no México.
Foi no frio do inverno que um livro lançado pela editora Vozes, de Petrópolis, sacudiu a moribunda ditadura. O livro Brasil Nunca Mais, com prefácio de D.Paulo Evaristo Arns, Arcebispo da Arquediocese de São Paulo, chegou às bancas com mais de 300 mil exemplares, logo vendidos. Como isso aconteceu?
Bem debaixo das cristas dos militares, um grupo de religiosos e advogados conseguiram junto ao Supremo Tribunal Militar de Brasília, pegar legalmente toneladas de provas cometidas pelos militares contra civis, reunir todas as provas e editar um livro, conforme feito.
O livro-denúncia, elaborado pela equipe BNM, trouxe à tona as atrocidades e torturas cometidas nos porões da Ditadura Militar.
O livro foi como uma bomba dentro dos quartéis e foi muito bem aceito pela sociedade civil. Mas a guerra entre opositores e defensores do regime, não tinha inda acabado. O lançamento de Brasil Nunca Mais teria troco.
A responsabilidade pela elaboração do livro que seria troco ao Brasil Nunca Mais, coube ao general Leônidas Pires Gonçalves, idealizador do projeto Orvil (livro escrito de trás para frente).
O projeto Orvil durou quase três anos e a conclusão chegou a quase mil páginas, com a versão que os militares tinham do período. Era um livro para rebater os comentários reunidos no projeto Brasil Nunca Mais.
Em 1988, o general responsável pelo projeto subiu o Palácio do Planalto e foi falar com o presidente José Sarney, que não aprovou a edição do Orvil. Para Sarney, as feridas do passado estavam sendo cicatrizadas e não era necessário haver rancores, pois o Brasil era outro, com uma nova Constituição que estava por ser aprovada.
O general não gostou do que ouviu, mas como bom soldado acatou a ordem de seu superior, e esqueceu o Orvil. Mas cópias do original Orvil ficaram nas mãos de militares e civis, denominados guardiões. Tais pessoas guardaram o segredo do Orvil até uma cópia do documento, caiu nas mãos do jornalista mineiro Lucas Figueiredo que lanço em 2009, o livro Olho por Olho, pela editora Record, onde narra a história de ambos os livros secretos da ditadura militar.
Vale a pena ler Olho por Olho e descobrir como era a rivalidade no mundo intelectual dos opositores e defensores do regime militar. O livro de Figueiredo trás notas sobre alguns intelectuais e políticos importantes do Brasil nesta década como a atual presidente Dilma Roussef, os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso, religiosos como o teólogo da libertação Frei Beto, o bispo da Prelazia de São Fêlix do Araguaia, d. Pedro Casaldáliga, o ex-governador de São Paulo, José Serra e, intelectuais como o escritor Antonio Calado e o cantor e escritor Chico Buarque.
Vale lembrar que na época que o livro Brasil Nunca Mais começou a ser escrito (1979), logo após a Anistia Geral promulgada pelo último presidente militar o General João Batista Figueiredo, o mundo ainda respirava os últimos resquícios da Guerra Fria, que dividiu o mundo entre capitalistas e socialistas, onde o jogo de espionagem e heróis ainda existia. Foi neste cenário, que o dinheiro vindo da Suíça, via fundo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), chegou em forma clandestina de chocolate (código secreto) para a realização do projeto Brasil Nunca Mais.
Olho por Olho, de Lucas Figueiredo é uma boa sugestão de leitura, e para ter mais conhecimento dobre o período mais tenso do Brasil no século XX.Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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