Menegheti: o Robin Hood brasileiro
24 de maio de 2010
Marcos Vazniac - Imaginem a cena: a polícia fazendo uma ronda pelo bairro da Vila Madalena, em São Paulo. Deparam com um gatuno conhecido que tenta, com um pé de cabra, arrombar uma residência no bairro.
Seria um cena típica de ronda policial na cidade de São Paulo, se não fosse a idade do gatuno. O ladrão era um imigrante italiano de 90 anos de idade, com inúmeras passagens pelas delegacias da cidade.
Gino Amleto Meneghetti, nasceu em Pisa, Itália, provavelmente no ano de 1878. Seu primeiro roubo na terra da macarronada foi furtar laranjas no quintal dos vizinhos. Meneghetti, roubou muito na Itália, também pela França, Suíça e Espanha, países por onde passou e deu trabalho à polícia.
Seduzido pelas história que ouvia contar do Brasil e da cidade de São Paulo, cuja população na época era de constituída principalmente por imigrantes italianos, o gatuno italiano resolveu vir par ao Brasil e tentar a vida como milhares de imigrantes.
Desembarcou no porto de Santos e logo seguiu de trem para São Paulo. Na Paulicéia, o italiano começou a roubar, e fugir da polícia de maneira espetacular, fato este que deu a ele muita fama.
Meneghetti roubou muito em São Paulo. Roubava sempre os ricos. Invadia as casas luxuosas da cidade, roubada as joias e deixava um torrão de carvão como cartão de visitas.
O italiano foi preso várias vezes, não apenas em São Paulo, mas também nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Foi preso muitas vezes e muitas vezes escapou de forma cinematográfica. O gatuno tinha uma serra dentro do sapato, e com ela cortava as celas das prisões onde era detido. Tinha um verdadeiro arsenal. Martelo, pé de cabra, serrote, revólveres, e máscaras para que mascarado usando peruca e bigode postiço, pudesse enganar a polícia.
Sua fama de bom ladrão percorreu toda cidade. Meneghetti era visto por todos como o Robin Hood brasileiro, pois roubava dos ricos para ajudar as comunidades carentes de São Paulo. Morava em um cortiço, e era idolatrado por todos, que faziam “vaquinha” para comprar pizza e vinho italiano, que Meneguetti adorava.
Tinha um código de ética que era o seguinte: “nunca roubar um trabalhador, nunca roubar uma mulher”. Quando entrava em uma residência e se encontrava com uma mulher, o larápio entregava flores à dama.
Tinha molas no sapato, que o permitia pular de casa em casa, fugindo assim, do cerco policial. Era chamado de homem borracha, homem dos pés de mola, etc.
Meneghetti era anarquista, e por isso questionava todo e qualquer poder constituído. Acreditava na vida livre, sem governo, e por isso ajudava só pobres de São Paulo.
Ateu convicto, não acreditava em Deus e não tinha medo de morrer. Casou e teve dois filhos: Spártacus, em homenagem ao escravo Trácio, que liderou a maior rebelião contra o Império Romano e, Lenine, em homenagem ao líder Wladimir Lênin, que fez a Revolução Russa.
Quando acuado pela polícia, gritava do alto dos prédios em italiano:
Sono Cesar,
IO che sono il Nero,
Di San Paulo.
Meneghetti era um homem muito culto, fã do Império Romano e dos seus imperadores, bem como de música clássica e de um bom vinho italiano.
Sono Cesar, IO che sono il Nero, di São Paulo
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