Admirável Poço Novo
29 de março de 2008Marcos Vazniac - Em 1933, Paraguai e Bolívia, os países mais pobres da América do Sul, travaram uma guerra pela posse do Chaco “Pantanal na divisa de ambos os países”. Tal guerra, fermentada pelas empresas petrolíferas Royal Dutch Shell e Stardanrt Oil Company, teve como pressuposto a existência de petróleo na região, fato nunca confirmado. Assim, os países mais pobres da região, os que não têm mar, os mais vencidos e despojados, se aniquilaram por um pedaço esquecido do mapa.
Contará o escritor boliviano Augusto Céspedes, a epopéia, da seguinte maneira:
(...) do lado boliviano, a patética epopéia. Um pelotão de soldados começa a cavar um poço, com pá e picareta, procurando água. O pouco que choveu já se evaporou e não há nada de água por onde quer que se olhe ou se ande. Aos doze metros, os perseguidores de água encontraram barro líquido. Mas depois, aos trinta metros, aos quarenta e cinco, a roldana sobe baldes de areia cada vez mais seca. Os soldados continuam cavando, dia após dia, cada vez mais muda; e quando os paraguaios, também assolados pela sede, se lançam ao assalto, os bolivianos morrem defendendo o poço, como se tivesse água (...)1
A realidade dos soldados de ambos os países que chegaram ao fundo do poço e não acharam água, pode ser comparada a atual realidade da sociedade brasileira. Se não chegamos ao fundo do paço, estamos com os pés atolados na lama.
Quando abrimos as páginas dos jornais, ou ligamos a televisão para ouvirmos os noticiários, nos deparamos com manchetes sobre corrupção política, tráfico de drogas, prostituição, lavagem de dinheiro, chantagem, seqüestros, falta de ética, violência e corpos estendidos no chão, depois de mais uma chacina.
Podemos abrir o nosso poço brasileiro com as seguintes provocações:
Política: Parece que muitos políticos legislam em seu próprio benefício. A nação espera ansiosa, as reformas que ainda teimam em não saírem do papel, como Reforma Fiscal, Reforma Política, além, de novas leis que modernizem o nosso Código Penal. Sem contar a corrupção e impunidade.
Crise Moral: A nossa sociedade está ficando doente, ou já tem um tumor cancerígeno não identificado. A célula máter da sociedade, que é a família está arruinada. Falta educação, respeito, vontade de fazer o bem. Famílias desestruturadas geram filhos problemáticos, que vão dar trabalho para a polícia e ao poder Judiciário. Os valores morais, éticos que regiam harmoniosamente a nossa sociedade parecem que serão encontrados brevemente, nos museus ou nos livros de História. Falta respeito pelo próximo, falta compaixão, falta amor pela vida, falta sinceridade e amor. Alguns pais de família fazem da escola uma creche para depositarem lá seus filhos e assim, se exaurirem do direito de educá-los, e, joga no ombro de professores tal responsabilidade.
Violência: A violência que antigamente estava somente nas telas do cinema, agora está na vida real. Fora palavreados, o numero de agressões físicas, mortes por armas brancas e de fogo, aumentam no meio da juventude.
Drogas: O consumo de entorpecentes aumenta. Antigamente os casos eram isolados, agora parece algo natural. Na mídia, casos de apreensões de tráfico aparecem em todas as regiões do Brasil. Entre a juventude, consumir drogas será algo normal e moderno como fumar um cigarro há décadas atrás.
Cultura: Moramos em uma sociedade onde programas de reality show são líderes de audiência. Em alguns destes programas, participantes fazem apologia ao sexo sem preservativo, contam suas peripécias sexuais e dizem o tamanho do órgão genital de seus parceiros, e nossa sociedade acha isso tudo muito lindo. Letras de Funk fazem apologia ao consumo de drogas, à violência contra policiais e a anarquia, e tais letras são cantadas pelos jovens e adolescentes, como antigamente cantávamos o Hino Nacional todas as semanas na escola.
É certo?: Acho errado um médico em Cuba que estuda anos na faculdade e ao exercer sua profissão na ilha de Fidel Castro, ganha o mesmo que um gari. Também acho errado um jogador de futebol, que quando jovem não gostava de ir à escola, e quando ia, debochava dos professores e, hoje mora na Europa, ganha R$ 300 mil por mês e é herói nacional. Também acho errado um cantor que canta asneira e vende milhões com seus CDs com músicas que incitam a violência, e ferem os bons costumes.
Bem, se não chegamos ao fundo do poço como os soldados bolivianos descritos pelo escritor boliviano Augusto Céspedes, estamos perto. Basta olharmos-mos para os lados, ler os jornais, assistir o jornal na televisão e prestar a atenção na realidade que nos cerca. Por enquanto é a realidade que nos cerca, brevemente nossas residências poderão estar cercadas de arames elétricos, muros altos, e porteiros armados para nos proteger.
1- Galeano, Eduardo. Memória do Fogo (III)- O Século do Vento- Editora Nova Fronteira, 1988.Voltar para a coluna Marcos Vazniac
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