O VELHO CHICO AMEAÇADO

Joaquim Malheiros Filho - Agora é o nosso velho Rio São francisco, o rio da redenção nacional, que periga com a ameaça do governo federal, de muito brevemente, iniciar as obras para a transposição de suas águas a pretexto de abastecer a população e favorecer também o plantio em alguns estados nordestinos.

A resolução do governo Lula neste sentido contem inúmeras questões dependentes de avaliação acerca da real necessidade de tal obra que consumirá recursos, segundo as previsões de hoje, da ordem de R$ 4.2 bi de reais, montanha gigantesca de dinheiro do contribuinte que, obviamente não pode ser investida sem minuciosa análise sob os mais diversos aspectos, sob pena de sua aplicação resultar nada, na eventualidade tal mega projeto não dar certo, posto a temeridade de sua execução de improviso, sem profundos estudos quanto a sua viabilidade técnica, econômica, social.

O Brasil não pode se dar ao luxo de destinar volume monumental de recursos de sua população para qualquer projeto temerário, muito menos da magnitude daquele em questão, muito especialmente levando em contas que existem em nosso país carências das mais diferentes ordens e urgências que estão merecendo de nossos governantes máxima prioridade, a exemplo da questão da violência, somente para citar um!

Não fosse a questão financeira, a questão primeira que continua colocada em torno de referido projeto é quanto aos danos de diversas ordens e magnitudes, à frente os ambientais, que poderão ser irreversíveis na eventualidade de dar ele errado, parcial ou totalmente.

A questão não é tão simples de ser solucionada, como parece ao governo federal, já que ele se apressa para o início das obras.

Vozes e estudos de autoridades altamente qualificadas no assunto teem se insurgido, quando não quanto à inviabilidade total do projeto sob os seus mais diversos e diferentes aspectos, pelo menos no tocante a sua forma e fundo.

Soluções outras, algumas de resultados já colhidos na prática, de baixo ou nenhum impacto ambiental, de reduzidas proporções econômicas, foram sugeridas e continuam sendo sugeridas ao governo Lula para o melhor e correto aproveitamento do Rio São Francisco, sem causar danos ao rio, ao meio-ambiente e suas populações ribeirinhas, que parece, entretanto, não agradarem ao governo federal, já que o presidente Lula segue resoluto no desejo de construir a megaobra, desconhecendo a parcela consciente da população brasileira as razões de seu gesto que, esperamos, sejam procedentes e convincentes.

Um projeto de tal magnitude e por tantas nuances e dúvidas que encerra obviamente, não pode jamais ser fruto de uma de cisão isolada de um único homem, no caso o presidente da república. Obra de tal envergadura tem que ser precedida de amplo debate público, para o qual deve ser sempre convocada a sociedade e seus órgãos representativos.

Numa democracia verdadeira, o povo deve ser sempre consultado já que para ele é que se governa. Jamais, numa democracia que se preze, o governante pode se colocar na posição de soberano absoluto da vontade popular fazendo menoscabo de seus governados.

Assim espera o nosso querido Chico que o capricho de alguns não venha causar-lhe agonia mortal!

Joaquim Malheiros Filho é Promotor de Justiça Aposentado e reside em Adamantina - Esse Artigo foi publicado no Diário do Oeste (Adamantina – SP)

Voltar para a coluna Joaquim Malheiros Filho


© All rights reserved.
Contact: Portal Nossa Lucélia Powered by www.nossalucelia.com.br