MÃE: FORTALEZA INEXPUGNÁVEL
05 de setembro de 2008

Joaquim Malheiros Filho - Após muito meditar para encontrar a palavra certa para designar a personagem única e central deste meu modesto artigo, que nada mais visa senão escrever algo acerca da mãe guerreira, firme, decidida, valente, aquela que nada a abala ou lhe quebra a “espinha dorsal”, que, embora, por vezes, fragilizada internamente frente às dificuldades e aos “tombos” que a vida dá, na se deixa abater, permanecendo, diante dos revezes da vida, por mais duros que sejam, firmes, altivas, muito embora, como dito linhas atrás, com as forças interiores fragilizadas, minadas, confesso que não encontrei a palavra absolutamente apropriada para pretendida designação, razão pela qual resolvi decidi pelo singelo título encimado, algo mais próximo, penso, do significante adequado que, como dito, muito busquei, sem sucesso contudo. Daí, porque, decidi, em homenagem à mãe, fazer este singelo escrito.

Vou aqui retratar um episódio envolvendo a minha mãe, mulher de 90 anos de idade, lúcida e firme como “rocha”, num acontecimento doloroso que muito recente atingiu nossos familiares, qual seja, a morte repentina, decorrente de um ataque cardíaco fulminante, que ceifou a vida, aos 55 anos, do nosso querido e saudoso José Roberto, nosso carinhoso “Tubé”, como era popularmente conhecido no seio de nossa sociedade.

O episódio que descrevo por acaso envolve minha mãe, mas também poderia envolver outras mães, daí porque entendo que este escrito-homenagem pode ou mesmo deve ter efeito simbólico, estendendo, pois, a todas as mães mundo afora. Incontáveis pessoas e até mesmo grandes personalidades, além do próprio Jesus Cristo, desde os primórdios do mundo, tentaram, sem sucesso completo, designar, menos ainda com palavras, o que exprime verdadeiramente a palavra mãe e sua fulgurante figura entre nós.

Escritos, escrituras, pinturas, por mais perto que tenham chegado e por mais impacto que nos tenham causado ou possam causar, não conseguiram e não têm conseguido sintetizar derradeiramente o que é essa figura ímpar: a mãe.

Alguns a comparam a Virgem Maria, outros, às mulheres guerreiras de nossa história passada e recente, tal como Joana D'Arc, Mártir da França. Todos sem sucesso completo, como dito.

Obviamente, dentro das minhas limitações, é que não tenho nenhuma condição para definir a palavra mãe e sua envolvente e indescritível figura. Se nem mesmo os sábios conseguiram, não serei eu, no meu escasso potencial intelectivo, que farei acertada definição.

Entretanto, obstante tenha eu, assim como os sábios e mais preparados intelectualmente, limitações para definir a mãe, penso que talvez o simbologismo possa ajudar a entendermos o que ela representa em sua infinita grandeza!

A partir de agora, então, metaforicamente, tentarei retratar a grandeza e a dimensão da palavra mãe, não raramente tão olvidada por nós, que sabe porque, atarefados que somos, jamais tenhamos parado, sequer por alguns instantes, para refletirmos sobre ela, a nossa mãe, e seu papel grandioso entre nós, muito embora, como pessoa terrena, também, como nós, imperfeita!

Minha mãe, aos noventa anos, como já mencionado, não obstante já fragilizada fisicamente pelos longos anos vividos, cada dia nos surpreende positivamente, dando-nos, através de suas ações verbais, mentais e físicas, exemplos de superação e bravura. Embora fragilizada frente as suas carências físicas e emocionais, contudo tem nos demonstrado ser figura impar.

Entre tantas outras demonstrações no sentido de ser figura impar, como a maioria das mães dispersas pelo mundo afora, nos deu ela, não somente a nós, seus filhos e demais familiares, por ocasião da morte de nosso querido e saudoso José Roberto.

Frente à urna funerária contendo o corpo de seu filho caçula, a despeito do seu frágil coração, dilacerado pela dor da perda de mais um filho, agora o terceiro que velava, além de seu esposo, todos falecidos prematuramente quando ainda tinham muito a oferecer não somente à família, aos familiares, aos amigos e à comunidade, contudo ali se via uma mulher de fibra, corajosa, forte. Com as forças certamente minadas, suportava e aceitava, serena e resignada, o insondável desígnio de Deus.

Alquebrada pela dor e pela fragilidade física decorrente dos largos anos já vividos, muitos deles permeados por duro trabalho cotidiano em favor de sua prole, não se vergou diante da dura realidade da morte do filho caçula. Mantendo-se diante do esquife estóica, altiva, ali ainda encontrou forças, como puderam perceber seus circunstantes, para pedir a Deus e a Virgem Maria pelo filho que ali jazia.

Naquele momento, não estava ali somente a minha mãe, a mãe de falecido, penso que, também e principalmente, que ali estava personificada a indescritível bravura e grandeza da mãe de cada um de nós, mundo afora. Certeza do infinito, eterno, de Deus! Joaquim Malheiros Filho – Promotor de Justiça Aposentado - Artigo publicado dia 04 de novembro de 2006 no Diário do Oeste (Adamantina – SP)

Voltar para a coluna Joaquim Malheiros Filho


© All rights reserved.
Contact: Portal Nossa Lucélia Powered by www.nossalucelia.com.br